Intuição
A intuição é a arte de estar ciente de que existe algo além do que pode ser observado. Não é uma experiência simples de se constatar, especialmente no mundo acelerado em que vivemos.
Avaliar se uma intuição está correta, e que, de fato, algo fez sentido, exige empenho de quem a recebe, exige ser disciplinado, focar. É preciso aprender a perceber o mundo a sua volta, e o seu mundo interior.
Loucos ou sábios ? Quem determinou se uma intuição é mais confiável do que outra? É uma aceitação individual ou precisa ter adesão comunitária para que seja validada ?
Os loucos não são tão confiáveis quanto os sábios ? Quem, ou o que, decide que um indivíduo é sábio e o outro é louco ? A sabedoria depende, única e exclusivamente, de ter cursado uma universidade, escola, curso, ou depende da capacidade de um indivíduo de assimilar todo o conteúdo a sua volta e ressignificá-lo ? Louco ou sábio, quem sou eu nessa história ?
Permito-me limitar-me apenas em expor estas questões, pois, afinal, quem sou eu diante de loucos ou de sábios ? Como diria um sábio e louco, “o que sei é que, de fato, nada sei.”
O que penso é que, a intuição está ligada a jovialidade, e que o fim da jovialidade se dá exatamente quando deixamos de buscar, quando não vemos mais sentido para continuar a vasculhar no garimpo da existência. Quando tudo é extremamente banal ou essencial e, já não nos dedicamos a explorar. Quando todos os sentidos, já não fazem mais sentido algum. Quando nos reconheceremos loucos sábios ? O fim só chega, no momento em que nos damos conta que nada valeu a pena e, que a vida, simplesmente passou.
Cabe a cada um refletir para essa tomada de consciência. Em que ponto da existência nos consagramos loucos ou sábios ? Esta é, justamente, uma impreterível observação que, ninguém poderá fazer por nós.
Carlos de Campos

