Tag: desespero

  • Viajante do espaço

    Viajante do espaço

    Ordem, grita a voz rouca.
    Não és um animal incontrolável.
    Na verdade, és a chama a me incinerar,
    doente dos olhos.

    Ordem é o meu nome.
    Começo a não mais enxergar.
    É a vista enfraquecida,
    humor desproporcional.

    Ordem e desordem me acompanham.
    Cabeça baixa.
    Insultos posso ouvir.
    Mercadoria, tudo em ruína.

    Desordem em meu ser,
    na história que se revela,
    que se abate sobre nós,
    nessa triste escuridão.

    Carlos de Campos

  • Destemido e fulminado pelo medo


    Destemido e fulminado pelo medo

    O medo vem e toma posse dos nossos corações.
    Vem na escuridão da madrugada,
    no descanso de nossa alma.
    Vem e se aloja em nossa história.

    Neste momento, somos levados por essa influência.
    Por esse destino sombrio somos conduzidos.
    Sem nenhuma chance, nem resistimos,
    estamos à mercê desse inimigo invisível.

    Infiltrado em nossa mente,
    está sob seu domínio a nossa vontade,
    a nossa profunda decisão.
    Não temos mais acesso.

    Esse é um vírus maldito,
    o vírus do medo,
    que nos leva às conclusões erradas,
    deixando-nos com essa marca.

    O medo nos fala ao coração,
    fala com um certo rancor,
    fala em morte...
    em desespero...

    Fala com a autoridade de quem nos domina,
    o medo que pulsa em nossa lembrança,
    esperando o momento certo para nos atacar
    e assim nos exterminar.

    Carlos de Campos
    Foto por Nothing Ahead em Pexels.com
  • No peito bate um vazio

    No peito bate um vazio

    Na manhã desta segunda-feira, sem que eu soubesse de nada, ele foi embora. E com ele, levou minha filha.
    Em mais um ato canalha e covarde, ele ainda orquestrou o sequestro dela. Nada posso fazer além de chorar.

    Sou alcoólatra. Estou desempregada. Passei a maior parte da minha vida morando entre uma calçada e outra.
    Em que mundo eu ganharia a guarda da minha filha? É um jogo perdido. E agora? Que rumo devo tomar na vida?
    O único fio que me segurava aqui acabou de se romper.

    Vago pelas ruas na esperança de reencontrar minha filha.
    Bêbada, ando meio quarteirão por dia. Quando paro, minha mente tenta me trazer de volta à lucidez.

    É difícil para mim viver sóbria, porque, ao ficar sóbria, sou levada a verdades que me machucam demais.
    A realidade é dura demais para mim.
    Preciso me manter afastada dela — e, alcoolizada, é o melhor que posso fazer por mim mesma.

    Nos meus poucos dias de sobriedade, martela no meu peito a dor de não ter conseguido ser mãe.
    A culpa por ter me deixado levar pelo alcoolismo me consome.
    Quem sou eu além de uma andarilha? A noite mal chegou e cá estou, completamente bêbada.
    Há uma tristeza pairando no ar — bem mais poderosa do que em outras vezes.
    Desta vez, até alcoolizada consigo senti-la.
    Ela rasga o meu peito com um vazio descomunal.
    E eu não tenho para onde correr.

    Carlos de Campos

    Foto por Emre Y. em Pexels.com
  • Existe um toque mortal na saudade


    Existe um toque mortal na saudade

    “Bem no auge do nosso amor, você foi embora.”

    Ontem, em meio à saudade,
    O meu mundo desabou.
    O que restou foi só a ilusão,
    Sofrimento pela sua ausência.

    Sua presença ainda é sentida,
    É dor que só aumenta,
    Aumentando ainda mais a minha solidão.
    Um dia, preciso saber o porquê.

    Me jogo de cabeça no trabalho,
    Nas noites mal dormidas.
    Recorro a tudo o que me faça esquecer de você,
    E absolutamente nada é capaz de soterrar a falta que você me faz.

    Hoje,
    É só mais um dia,
    Misturado a mais um dia ruim no trabalho,
    Mais um dia da mais pura saudade.

    Oh, minha alma!
    Desejoso estou de viver a felicidade.
    Quem idealiza uma vida em meio à dor?
    O que nós fizemos de errado?

    Meu amor é constantemente atacado pelo ódio,
    Ódio que prevalece em mim por esperar a sua volta.
    Deixado para trás é como me sinto.
    Sou mais uma vítima da saudade, marcada pela morte.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Perseverar em meio à noite escura

    Perseverar em meio à noite escura

    “Promessa vazia em tempo de solitária ilusão.”

    Solidão em meu peito, um incômodo quase que diário. O que esperar desse vazio, que empareda a minha alegria dia após dia, sem exceção?

    Aos que sofrem com essa angústia, preferem ignorar o persistente vazio, frio. Sem alegria, recorro aos medicamentos, que, por ora, são o meu único refúgio.

    O grito da alma ecoa… ecoa… ecoa por esse vazio solitário e fugaz. É inútil qualquer tentativa de querer resgatar essa alma angustiada.

    Também me desespero diante de tamanha solidão. O solitário, sem perspectiva, diante da vida se desfaz, sucumbindo em seu próprio desânimo.

    Aos que estão mergulhados nesse pântano desesperador, convoco a todos neste momento para que lutem. Mesmo sem ânimo, digo: lutem!

    Lutar é a nossa melhor opção para vencer essa batalha. E, mesmo que, tentando, você seja derrotado, ainda assim continue tentando e lutando dia após dia, sem vacilar. A perseverança é a nossa melhor arma nessa guerra.

    Carlos de Campos

    Foto por Alexis B em Pexels.com
  • Futuro perdido pela vingança

    Futuro perdido pela vingança

    O instinto se nega a ousar,
    Deixando a desejar,
    Constrói labirinto em sua própria história;
    De mansão a mansão, hoje, mora na rua.

    Morador da periferia,
    Perde a percepção da sobrevivência.
    Homem e mulher da angústia,
    Vida marcada de nobreza.

    Me vejo em um presente sombrio,
    Futuro distante da alegria.
    Cansado dessa vida fodida,
    Sem chance para vencer.

    É impossível ver a beleza que se esconde,
    Dorme por causa da fome.
    Delirante que caminha na rua,
    Vai dormir com dor.

    Filas enormes de gente esfomeada,
    Falta alimentação básica.
    Falta amor ao próximo.

    Fugaz é a nossa vida,
    Perdida em uma galáxia escondida.
    A guerra foi o que escolhemos para nossa vida.

    Carlos de Campos

    Foto por Abd Alrhman Al Darra em Pexels.com
  • Iluminado pelo sol da verdade

    Iluminado pelo sol da verdade
    
    O mundo anda desnorteado 
    Mais e mais impaciente 
    Nada faz sentido. 
    
    Desespero 
    Dor intensa 
    Nos impedem de avançar
    Parados permanecemos.
    
    Quem nunca desanimou ?
    Quando olhou a realidade ?
    Ou lamentou por não fazer nada ?
    E preocupado, apenas seguiu.
    
    Mergulhar para dentro de si
    É o melhor caminho a se percorrer
    É, sem dúvida, conflitante 
    Mas é a única oportunidade de transformação.
    
    A solução do enigma para uma vida feliz
    Está na própria história
    Tenha coragem e descubra. 
    
    Lâmpada acessa
    Por menor que seja consegue iluminar
    Assim acontece quando nos voltamos à nossa história.
    
    Carlos de Campos 
    
    Iluminado pelo sol da verdade

O mundo anda desnorteado 
Mais e mais impaciente 
Nada faz sentido.
    Foto por Mayu em Pexels.com