O nascer é vida que se renova, são reflexões que nos incomodam, é a natureza que vence a nossa vontade. Cada vida que existe nasce para si mesma.
Prometeu o amor. O amor não veio. Nascer é saber ser ferido em sua vulnerabilidade reprimida.
A vida é uma dádiva para quem vive nas mansões dos ricos, para quem é acudido ao menor dos gemidos. O nascer de um pobre é violento.
É dependente da esmola alheia, é grito de fome de milhões de desnutridos, é a incapacidade de olhar para o lado, é a morte que nos é apresentada desde o começo.
Livro 7: Título provisório — A Filosofia do Gramado O Tempo (Poema 01/60)
O que é o tempo em uma partida de futebol? Sair de campo sem ter feito o seu melhor? O que cada um sabe sobre companheirismo? Perder, e o sabor amargo que fica?
Tudo gira em torno de uma bola, um objeto minúsculo, capaz de movimentar corpos e almas. Futebol, da origem ao colapso.
Muitas crianças, algum dia, sonharam em ser jogadores de futebol, um sonho que aparentemente parece ser o caminho mais fácil para quem sabe, um dia, sair da pobreza. O futebol era o alimento, dia e noite, de suas almas.
Almas abatidas por tanta injustiça, que, desde crianças, precisaram driblar cedo para se virar na vida. Que aulas precárias frequentavam, porque sabiam que precisavam ser o Man of the Match.
O estádio está lotado. Almas frenéticas. Tudo é decidido em pouco tempo, no tempo da dedicação.
O vento sopra. O apito recebe o estímulo vital. Tudo é paradoxal: o tempo para quando o jogo começa.