Abro a janela com o desânimo estampado na alma. Na escuridão da noite, eu me refugio. Da mente atormentada tento me afastar, e no vazio encontro o meu sentido. Suave é o peso que devo carregar. É suave nos sufocar constantemente. De um dia para o outro, me prendo ainda mais.
Um mar de mágoas me submerge. Me afogo, esperneio até me cansar. Afundo devagar, muito devagar. Aos poucos, não sinto mais meu corpo. Esse antro de preocupações, desejos assombrados, volta para a superfície. Tento respirar os tóxicos existenciais, a amargura universal estampada em nossa cara, a cara de iludidos. Me afogo no êxtase da realidade, no alcoolismo das minhas entranhas. Na fuga, acendo um cigarro contendo nicotina.
Aqui nesta terra precisamos escolher. Um passo de cada vez para sobreviver. Um experienciar de cada sensação por vez. Na sutileza da vida, desconfiar para mais tarde não se ferir. Em cada amanhecer é preciso ser feliz, mesmo que isso lhe custe a própria vida.
Em nada posso confiar. Tudo me parece raso demais. Estúpido! Na profanação desses versos me esqueço.
O que precisamos entender desta vida? O que é profanar os versos inversos? Quando chega o ponto em que precisamos rasgar a alma e liberar a nossa dignidade?
O que devo esperar de uma alma libertada? Alma que vagueia sem sentido, desligada de todas as emoções, vagueia assombrada.
É primavera, as borboletas renascem. Conflitos sangram no calor das emoções. O silêncio reivindica. Tudo se destrói.
Tudo persiste como um incômodo, um inverno em plena primavera. É a condição de uma alma presa ao corpo humano, humano que profana versos o dia inteiro.