Tag: Dor

  • Mostre sua dor

    Mostre sua dor

    Vivo longe de casa
    Distante dos meus familiares
    Vivo na esperança de um dia revê-los
    E poder abraçá-los.

    Mostre suas feridas
    Cada vez mais doloridas
    Sangrentas
    Malcheirosas.

    Mostre sua dor
    Dor da ausência
    Dos afetos não correspondidos
    Dor da fragilidade.

    Dor, sangue e vida
    Desejo não alcançado
    Tudo e nada ao mesmo tempo
    Dor, desejo e sangue.

    Mostre seu desejo de sangue
    Sangue que corre pela vida
    Vida, dor e medo.

    Espero por tua ausência
    Na dor escorre vida pelas veias
    Na ausência do teu abraço, fica a solidão.

    Carlos de Campos
  • Dor inocente

    Dor inocente 
    
    Menina, que culpa tens para carregar essa dor?
    
    Carlos de campos 
    
    
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Rosa, Meu Amor

    Rosa, Meu Amor

    Lapsos de saudade
    De um amor que se foi
    Destinos entrelaçados
    Nesse mar de amor.

    Saudades de um amor que se foi
    Capaz de transformar dor em alegria
    Saudades, volto a repetir
    Bálsamo de um amor sem fim.

    Não posso ficar preso ao passado
    Mesmo distante, a rosa me consola
    No amor, quem primeiro me tocou
    Apesar de não existir continuação.

    Carlos de Campos
    Foto por Hassan OUAJBIR em Pexels.com
  • Não sou melhor que ninguém


    Não sou melhor que ninguém

    No dia anterior,
    O impossível se podia ver.
    Em nada era parecido,
    Além da veneração.

    Como disse:
    “O momento dispensava falas distorcidas,
    Ideias incompreendidas,
    O clima é de tensão.”

    Movimento cada vez mais lento
    Exigia toda aquela situação.
    Caminhar se torna nocivo,
    Difícil é acreditar que voltamos.

    Não é bem assim.
    Dá até pena pensar dessa maneira,
    Insuflando a dor,
    Desejo oculto de morte.

    Onde existirem pessoas,
    Existirá a incompreensão.
    Bem ou mal, estará a solidariedade.
    Nossa meta é ser melhor do que fomos ontem.

    Carlos de Campos

    Foto por Kulbir em Pexels.com
  • Momentos finais de um suicida

    Momentos finais de um suicida

    Era durante a madrugada, o silêncio pairava. Não se entendia por que Aline pensava em suicídio. Sem sinais aparentes, mergulhou em busca de uma possível solução que nunca viria. Não existe suicídio que não venha acompanhado de sinais abundantes ou fluxos enormes de conversas embutidas em metáforas e simbologias carregadas de fortes pedidos de ajuda. Não saia fazendo julgamentos precipitados sem antes conhecer todo o contexto. Somente o contexto que envolve a história da pessoa é capaz de oferecer conteúdo que indique se algo está errado ou não.

    Na vida, nem sempre é como esperamos. Estamos constantemente saindo do nosso controle. Normalmente, olhamos para tudo isso e simplesmente redirecionamos, buscando novas estratégias ou soluções. Somos naturalmente mais resilientes em nos adaptarmos aos acontecimentos. No entanto, não foi isso que aconteceu com Aline naquele dia. Foi difícil para ela admitir que nada ia bem consigo mesma. Como reconhecer que se está com um problema mental e que se precisa urgentemente de ajuda? Como Aline poderia saber que, naquele exato momento, poderia não ter mais volta caso não buscasse ajuda? As vidas dos especuladores de vidas alheias parecem fáceis agora. Naquele momento, tudo o que ela precisava era de apoio.

    Quando suas crises de ansiedade se tornaram frequentes, ninguém estava lá para ajudá-la. Julgavam-na e a condenavam como se tudo fosse uma mera vadiagem, como se suas alegações de estar enferma fossem aberrações para obter um simples atestado médico. Enquanto isso, o problema só crescia. Sentindo-se mal o tempo todo, os remédios já não faziam bem; seus efeitos eram nulos. Pelo contrário, contribuíam ainda mais para ideias perturbadoras. Tudo estava completamente fora de controle, e o terrível dia se aproximava rapidamente. Todos à sua volta seguiam suas vidas, supostamente felizes. Aline, por sua vez, estava há muito tempo sequestrada por sua mente doente. Ela, por si só, nada mais poderia fazer para salvar-se dessa situação.

    Era de madrugada, estava frio lá fora, fazia uns 10 graus. O clima de angústia era ainda pior do que já tinha sido normalizado. Aline morava sozinha no 8º andar. Suas lágrimas de desespero percorriam seu rosto; a dor interior era imensa. Ela estava profundamente impactada por seu próprio sofrimento.

    Em meio a toda aquela angústia, suas células davam os últimos suspiros, levando-a ao seu último e crucial instante de lucidez. Esse momento de pequena lucidez a fez ligar para o porteiro. Ao ouvir a voz de Aline, em meio a choro, desespero e dor, o porteiro tomou ciência da gravidade do momento. Sem perder tempo, colocou o telefone próximo ao rádio que tocava uma música e saiu correndo até o 8º andar. Chegando na frente da porta de Aline, sem demora, meteu o pé na porta, arrombando-a. Seus olhos buscaram por Aline, que ainda estava com o telefone ao ouvido, ouvindo a música. O porteiro se aproximou dela e a acolheu com um abraço forte, transmitindo segurança, enquanto pedia ajuda médica pelo celular.

    Carlos de Campos

    Foto por Steve Johnson em Pexels.com
  • Sentimentos escondidos

    Sentimentos escondidos 
    
    Oh dor que me faz delirar 
    Me enchendo de ressentimentos 
    Antes mesmo do amanhecer. 
    
    O bem-estar não pode ser um artigo de luxo
    Se o respeito é o mínimo que se espera 
    São dias em que precisamos lutar. 
    
    Os tempos são difíceis 
    Como é  difícil essa vida de lutas 
    Verdadeiras batalhas pelo mínimo de sobrevivência. 
    
    Um dia, quem sabe 
    Encontraremos um pouquinho de paz
    Teremos uma mente mais tranquila. 
    
    Prefiro um demônio honesto
    Do que pessoas cínicas 
    Que nossa conduta dialogue com nosso pensar. 
    
    Carlos de Campos 
    Sentimentos escondidos
    Foto por Emre Can Acer em Pexels.com
  • Dor

    Dor

    Dor
    Dor de coração
    De ilusão.

    Dor do medo
    Do desespero
    E dos anseios.

    Dor de quem acorda
    De um viver sem existir
    Dor que é de doer.

    Acordar
    Como quem acorda para a vida
    Que aprendeu a distinguir a realidade que transita.

    Dor como realidade de uma vida
    De uma existência ferida
    Do amor não correspondido.

    Sigo livremente
    A dor que dói o dia inteiro
    E que não me permite habitar em meu corpo.

    Dor que consome
    Em dor
    Física.

    Dor que consome
    Em dor
    Mental.

    Dor
    De quem um dia perdeu
    E que insiste em continuar a viver.

    Carlos de Campos

    Autor do Livro Enquanto a solidão me abraça

    Leia aqui