Um fenômeno análogo aéreo é real? Por que sentimos a necessidade da fantasia? Há quem diga que nós nem existimos para esta vida.
Ou que existem outras versões de nós? Em que realidade eu devo acreditar? O que devo aceitar? O que devo questionar?
O fato é que somos amaldiçoados por uma consciência, e essa consciência é questionadora demais. Ela é inquieta e não se sente à vontade diante da nossa realidade.
Existe algo ou alguém além de nós, nesta Terra? Aeronaves não identificadas são aquilo que desejamos que sejam? Enquanto não sabemos a verdade, a prudência nos pede que tenhamos dúvidas e muitos questionamentos.
No precioso tempo que nos é dado e que pouco aproveitamos, transformamo-lo em tempo de dispersão. Estamos fatigados, sem rumo e sem direção alguma. O que esperamos da nossa dispersão? Em tempo de dispersão, dispersos estamos.
Nosso objetivo se desfaz como a água que tentamos conter entre os dedos. Que movimento desejamos fazer para que toda a nossa vida dispersa se desfaça? O movimento desejado está contido e permanece estagnado.
Impera sobre o nosso ser a divagação de uma existência, o desencontro de uma mente distraída. O que fazer com uma mente assim? Uma mente distraída, desorganizada, ferida por sua própria existência.
Não busco conforto, nem tampouco o desespero. O que busco, afinal, em minha vida? Além da própria tristeza que há em mim? Além de sempre observar o céu sempre chuvoso?
No abismo em que se encontra a minha alma, no fundo ainda busco a esperança; sem saber ao certo, ainda a procuro. Procuro entre os escombros que estão à minha volta, procuro entre os cadáveres; sem encontrar, continuo procurando. Procuro com um coração partido. O que busco encontrar além da dispersão? A minha alma cintilante.