Tag: filosófia

  • Onde há ódio existe a destruição

    Onde há ódio existe a destruição

    Não existe prazer em meio à dor,
    Mesmo que seja acompanhada de intervalos de bem-estar.
    O corpo e a mente ficam desconectados,
    E não sabemos para onde ir.

    O sol aquece o corpo ferido de morte.
    Tudo nesta vida é dor e sofrimento,
    É conflito e mais conflitos,
    É uma constante guerra sem fim.

    Um instante, um único vacilo, e tudo se vai,
    Sem aviso ou uma última refeição.
    Tudo simplesmente evapora,
    A vida, à qual somos tão apegados, vira pó.

    Desvio o olhar por um instante.
    Em meio à ilusão destruidora, posso ver a beleza.
    Oh, como a senhora Beleza é plena!
    Habita no olhar inocente de uma criança.

    Quem vive consumindo ódio é digno de ver tua beleza?
    É possível que um coração iludido se recupere?
    E como posso vencer o mal?
    Quem é que, vendo a beleza, não quer desposá-la?

    O meu corpo ainda segue doente de tanto ódio.
    A mente busca por salvação.
    Percorro, com determinação, o caminho para expurgar o ódio das entranhas da vida,
    Para que um dia, contigo, eu possa estar.

    Carlos de Campos

    Foto por Joel Alencar em Pexels.com
  • Na leveza do teu abraço me encontro

    Na leveza do teu abraço me encontro

    Em razão da vida, o fim é temido.
    É angustiante para todos nós.
    Ninguém, por mais maduro que esteja,
    Está livre desse elefante branco no meio da sala.

    Morrer é antinatural.
    A existência, com toda a sua força, resiste.
    Desde quando se passa a existir,
    A luta para se manter vivo é intensa, mesmo tendo saúde.

    Não é confortável para ninguém a dança permanente com a morte.
    Geralmente, evitamos trazer à razão,
    Mas sempre somos arrastados para o baile,
    Na dança dos inconformados.

    Morrer é demasiadamente extraordinário.
    É a passagem para sabe-se lá onde.
    É a dormição eterna da racionalidade.
    É a dramatização do nosso último julgamento.

    Leve me sinto, já que não há para onde correr.
    Inteiramente tenho vivido, já que um dia eu hei de morrer.
    Entre as multidões de corpos vivos,
    Entre esses corpos é que tenho compreendido.

    Morrer é a atitude mais bela de nossa missão.
    É o maior e único evento de nossa existência.
    É o fim do início de uma nova jornada.
    É a manifestação mais pura de nossas crenças.

    No final, cada um sabe no que acreditar:
    Deidades, vida após a morte,
    Fluidos corporais que prendem uma alma livre,
    Vida plenamente para ser vivida.

    Morrer é a mais intensa das emoções.
    É o prelúdio do que não conhecemos.
    É o que há de pior que vem à nossa mente.
    É entender que poderíamos ter vivido e amado mais.

    Finalmente, o grande dia chegou,
    E com ele, a experiência individual.
    Desejo, sonho — nada mais é tão importante
    Quanto o momento de vivenciar a própria morte.

    Íntimo de minha alma,
    Nos momentos de mais sofrimento, é a minha paz.
    É a poderosa impressão que busquei a vida toda.
    É o momentum além do amor que conhecemos.

    Sinta, em seu rosto, o toque suave:
    Desejo amoroso que desperta pela humanidade.
    Sentimentos naturais de nobreza são potencializados,
    Dando origem à sua melhor versão em plena passagem.

    O íntimo vai florescendo enquanto se faz a passagem.
    Todo o medo e a angústia dão lugar à pacificação plena da alma.
    O condutor de toda essa passagem é o amor,
    O amor semeado pelas pessoas durante sua vida.

    Carlos de Campos
    Borboletas  em voo (alma, libertação, transformação)
    Foto por Lisa from Pexels em Pexels.com