O caos e a vida coexistiam. A vida se fortalecia em meio ao caos. O caos se intensificava na medida em que a vida existia. Caos e vida: um depende do outro.
Tudo o que existe hoje vem do caos. Está vivendo em pleno caos e para o caos voltará. Somos a plenitude do caos.
De cada sensação de equilíbrio, o caos vai se movimentando e existindo. O caos é a força causal da vida. É o poder central do que vemos e somos.
O caos é o nosso criador. É quem gera a nossa energia vital. O caos é o elemento primordial de tudo o que existe. Existir é ser caos.
É por isso que não existe a perfeição, apenas o aceitável. Tudo, neste exato momento, está fervilhando na essência do caos, até este poema que você lê é feito de caos.
Secretamente me encontro No mais profundo do seu inconsciente, Sem luz, Sem água.
Alimentando-me, dia e noite, dos seus pensamentos, Especialmente dos seus pensamentos mais arraigados. Sou um devorador de almas, Retiro tudo o que você é.
Toda escolha exigirá de nós renúncia, e toda renúncia vem carregada de sofrimento. Sofrimento. Palavra forte, carregada de sentimento.
Só pode sentir que está sofrendo quem tem sentimento, quem um dia se colocou no lugar do outro, quem rasgou o próprio peito para alimentar o outro com compaixão, quem, a exemplo do Rio Tietê, soube ser.
Só quem sente na própria carne este mistério de amor sabe que o sofrimento vem carregado de sentimento. Quem de nós foi educado para acolher o sofrimento? Fugimos desse momento como se isso fosse possível.
O sofrimento é, de fato, algo difícil de aceitar, e se torna ainda mais difícil quando decidimos fugir. O Rio Tietê nos ensina que todo sofrimento passa e que nossa doação se multiplica.
Em seu nascimento, o Rio Tietê teve um destino imposto: seguir o instinto natural e ser apenas um breve caminho rumo ao mar, ou rebelar-se contra todo o sistema natural e tornar-se um dos raros rios do mundo a “correr de costas”.
O Rio Tietê sabia que teria que arcar com todo o sofrimento. E, com resiliência, o rio rasgou o próprio peito e foi se adaptando à sua nova morada, reunindo em torno de si famílias que, até hoje, se alimentam das águas que brotam de sua nascente de amor.
Olhe esta geração da vingança. Leia os sinais que vêm do mundo. Mostre os delírios. Assusta-me saber que acham normal ver os delírios. Observe: nada disso é normal.
O mundo em que estou vivendo é um mundo de alegria. É um mundo idealizado por uma criança. É um mundo onde só existem paz, alegria e muita esperança.
Um mundo entre duas realidades. O meu mundo de recém-nascido é intocável. Mesmo que a crise mundial esteja acontecendo, o meu mundo é a mais doce fantasia.
O sagrado ninho recebe a minha existência. Meu sacrossanto corpinho recebe os mais atenciosos cuidados e afetos. Minha única missão é existir.
O meu mundo hoje é minha linda fantasia. Minha família sempre cuidando de mim, me protegendo do tal mundo real. Sou grato a meu Deus.
Muitas são as decepções com o amor, Uma palavra bonita carregada de energia, De uma beleza de sentido Que é facilmente soterrada pelo nosso egoísmo.
Quem és tu, pobre amor? Além de ser um ladrão? Uma droga altamente viciante? Um serial killer?
Não sei quem é você, meu nobre amor. Não consigo confiar em seus encantos. Você já me produziu vários desencantos. Como você pode existir Quando depende da relação entre duas pessoas?
Estou bem em ficar longe de suas ilusões, De suas carícias estéreis. Não, não acredito no amor. Ou devo me entregar às suas doces ilusões?
O nascer é vida que se renova, são reflexões que nos incomodam, é a natureza que vence a nossa vontade. Cada vida que existe nasce para si mesma.
Prometeu o amor. O amor não veio. Nascer é saber ser ferido em sua vulnerabilidade reprimida.
A vida é uma dádiva para quem vive nas mansões dos ricos, para quem é acudido ao menor dos gemidos. O nascer de um pobre é violento.
É dependente da esmola alheia, é grito de fome de milhões de desnutridos, é a incapacidade de olhar para o lado, é a morte que nos é apresentada desde o começo.
Vou desbravando este mar, não como um colonizador, mas como um amigo que busca as convergências culturais para celebrarmos mais uma amizade verdadeira neste cais.
Vou aonde o mar me leva, onde as culturas se encontram e o medo dá lugar à experiência do convívio. Feliz, sigo neste novo desafio.
O momento especial é estar com você, com todas as nossas diferenças latentes. Encontro em você a nossa unidade, porque a verdadeira celebração que nos une está em nossas diferenças.
No mundo em que vivemos, vivemos como uma família que mora na mesma casa, onde as nossas diferenças se fazem raízes em um longo olhar amoroso.