Se estamos tão distantes da fonte, fonte da ancestralidade que jorra pelos tempos sem fim, que passa por nós e por nossa história.
O pai de nossa ancestralidade é um pai que cuida, o educador da casa, casa fundamentada sob sua guarda.
Pai que alimenta, que protege sua família e dá amor à sua prole, pai que bebe da fonte ancestral.
O grande pai que habita em todos os homens encontra-se soterrado pelo patriarcado. Abandonada ficou a riquíssima fonte da sabedoria ancestral, cedendo espaço ao patriarcado cristão.
O grande pai está amordaçado em cada homem, submetido às regras expiatórias que o levaram para longe da fonte da vida, para bem longe de suas próprias raízes.
Secretamente me encontro No mais profundo do seu inconsciente, Sem luz, Sem água.
Alimentando-me, dia e noite, dos seus pensamentos, Especialmente dos seus pensamentos mais arraigados. Sou um devorador de almas, Retiro tudo o que você é.
Deitado, longe de tudo, existe uma decisão dura, que perdura na nossa triste condição.
Quem sou eu?
Eu, a solidão em pessoa, o peso da eterna injustiça, o diamante bruto rejeitado, a decisão mais indecisa, o desejo de pensar grande, mais longe do que meus olhos possam tocar.
Eu sou o mar de rosas, as rosas putrefatas, o delírio de um mundo em declínio.
O elemento central da vida. Homem de futuro duvidoso, integrado às decisões falsas e ridículas.
Quem sou eu?
A humanidade esquecida. O que ouve, vê e sente. O que nada pode fazer além de saber que não existe mais futuro, que o futuro se esvaiu pelas decisões mal decididas.
Por existir um ecossistema corrupto, excludente, promotor de desvios públicos.
E onde eu estou nesse ecossistema?
Diariamente, estou sendo calado, desestimulado, fadado a concluir que eu sou o problema. Dia por dia, caímos e levantamos. E esse é o problema.
O problema é se levantar. É resistir. O problema é continuar.
Para nós, não existe espaço. Não existe futuro. O que queremos não existe para nós.
Em nome da decisão, existir é resistir às injustiças. É adentrar no submundo da exclusão e, daí, arrancar o poder à força, forçando nas ruas as ilusões, o desespero escondido na forma de vícios.
Quem sou eu?
O pilantra inconsequente. Os horrores de um dia chuvoso. Sua eterna amada que, de joelhos, suplica por sua benevolência.
Covarde. Homicida.
Olho e vejo. Vejo a eternidade ferida por seus crimes, infidelidades contraídas. Vejo olhares sangrentos que, de quatro, são subjugados, maltratados, esculachados.
Eterna é essa glória que desonra toda a nossa história.
Deitado, me encontro. Sob a minha cabeça, existem lembranças. Escondidas estão essas tristes lembranças que me fazem esquecer que amanhã é outro dia do mesmo modelo corrupto de subsistência que existe somente para nos frustrar.
É mais um dia. Um dia perdido. Promíscuo. Que temos de enfrentar.
Importa saber se vou vencer na vida? Distante do sucesso, sigo a minha trajetória Vida silenciada pela falta de oportunidade Hoje é só mais um dia comum, o que importa saber?
Importa saber por onde o destino está me levando? As escolhas que fiz e faço, por onde me levam? Que futuro ando construindo?
Hoje ando sem rumo Distante da solução, permaneço Nesse dia qualquer, me encontro perdido.