Ruminar no santuário do coração
Os deleites da alma
transbordam em emoção.
São décadas enclausuradas,
cultivando o amor sagrado
que, sangrando, se faz sozinho.
Carlos de Campos

Ruminar no santuário do coração
Os deleites da alma
transbordam em emoção.
São décadas enclausuradas,
cultivando o amor sagrado
que, sangrando, se faz sozinho.
Carlos de Campos

O teu alicerce está corrompido
Tudo gira em torno de você.
Esperar uma mudança
é como esperar por um milagre.
Merece tudo de ruim.
Seu caráter é nebuloso.
Você é uma pessoa tão triste.
Tudo perde força,
suspendendo a razão,
deixando-se levar pelas emoções.
Tudo fala à alma
quando se tem ouvidos para ouvir
quem percebe o percebido.
Carlos de Campos

O distorcido da realidade
Mostre o desejo escondido.
Tudo o que há para ser revelado.
Inteireza.
Poder dissonante da vida.
Carlos de Campos

Deito-me sobre a soleira da vida
Um dos sonhos mais terríveis
É saber que deseja saber.
Deixar que esse pensamento nos pegue
Pode nos destruir.
Saber quem somos
É um movimento antigo da alma humana.
É o grito silencioso da existência.
Podem nos destruir tais pensamentos.
Lá no interior de nossa alma
Existe uma essência
Que todos os dias vem à tona,
Chamando-nos para dançar.
Essência de uma vida destruída,
Machucada pela vida,
Que nem viver quer mais,
Uma vida perdida.
Quem somos nós?
A duplicidade em um?
Um ser afastado de sua essência?
Sou quem quero ser?
Um desvio na natureza humana?
O que sou, realmente?
Além de um corpo
Crivado de profundas contradições?
Carlos de Campos

De noite a solidão me acolhe
Minha solidão é intensa,
cheia de atritos internos.
Na mais intensa noite escura,
no anoitecer que nunca termina.
Noite fria, apesar do calor,
noite tenebrosa.
Assustadora é essa noite sem fim,
noite de uma solidão intensa.
Os dias que se tornaram noites
me orientam nessa jornada.
Tateando, eu prossigo.
Insisto.
No caminhar, me guio pela persistência.
A resistência é minha fortaleza.
O desejo de continuar só aumenta:
é o caminho dos vitoriosos.
Que o nosso mundo se ilumine,
nos oriente para irmos além —
não distante —
caminhe.
No anoitecer, por mais escuro que esteja,
há esperança de que voltará a amanhecer,
que a solidão dará lugar à confraternização
e que a paz interior prevalecerá.
Carlos de Campos

Na medida em que adormeço
É o vento quebrando nas folhas das árvores. É a solidão deitada no vazio, música insistente para a sua mente. Abraço esse sentimento que já é tão meu.
Carlos de Campos

O amor consumido pela eternidade
É um medo que me assombra,
Se esquece de que eu já não tenho vida.
Esquecido por mim mesmo,
Subtraio os bons sentimentos.
Tudo me dá má impressão.
São dias frios,
Uma ansiedade para me esconder,
Esconder-me dos meus pensamentos intrometidos.
Estranhamento do meu próprio mundo,
Das perfeitas imperfeições que me assolam,
Que fazem os meus mundos ruírem.
Exatamente aqui foi que me dei conta.
Sou a encarnação da infelicidade,
Rascunho malfeito,
O impasse existencial,
O fim como chegada.
Singelo toque que me devolve,
Volto para o campo de batalha:
Da aniquilação total à proexistência,
A verdade que acende o meu ser.
Fixo o meu olhar no que transcende,
No que me alveja em sentimentos,
No que me faz vibrar em gemidos
Deliciosos, intensos e contínuos.
Carlos de Campos
O sistema da internet me contou um segredinho: você está adorando o poema — alguns até voltam para reler ou reassistir (e eu fico todo bobo com isso). Mas aí vem a grande questão filosófica: por que você ainda não curtiu, comentou, compartilhou ou me seguiu?
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Consumir sem interagir? Aí o algoritmo me olha torto e derruba meu trabalho…
Se quiser que eu pare, é só avisar — mas eu prefiro continuar, viu? 😂💛

Sou a incompletude de nossas diferenças
Aos dias, o descanso.
O descanso para o corpo.
A mente se desconecta,
o íntimo não descansa.
Encontro-me separado.
Distante de tudo, estou em um vazio,
conectado com o sofrimento,
meu relacionamento mais próspero.
Urge te encontrar,
para, desse encontro, voltar
à origem do amor.
Se o dia passar, sei que vou te encontrar.
Com força, abraçá-la,
sabendo que o amor venceu novamente.
Carlos de Campos

Preciso de você na ausência de minha alma
No desejo escondido revela-se a tua essência. É no amor que me recolho. Na incerteza dos dias, me rebelo. Restaram-me o teu olhar frio e vazio, inocente de malícia. Estou em busca — em busca dos sonhos não resolvidos, dos dilemas que foram enaltecidos. É hora do amor, das ilusões de cada momento. Quem sou eu nesse mundo de tristeza e desencanto coletivo?
Longe do amor, dedico-me a estar perto de você. Nesse momento sombrio, fico sem entender mais nada. Longe de você, só me resta a solidão — vazio cheio de presença, ausência de mim e de você, dos desvios existenciais e dos desejos carnais. Carne fresca de frescura exuberante, de um declínio extravagante de nossa liberdade, pautada pelos nossos erros, que vão deixando rastros pela história.
O instinto primitivo nos rege, fazendo-nos reagir de maneira um tanto grosseira. Os instintos primitivos me fazem sucumbir em devaneios sinceros, em alucinações rabiscadas pelo ópio da contradição de uma tradição que me contraria a todo tempo, sufocando-me. Quase sempre estou cansado de ser quem sou.
Carlos de Campos

Perdido
Perder-me em você em noites frias como a de hoje.
Perder-me em sua história, história de um dia encoberto pela noite.
No caos, é como me encontro — encontro-me sozinho.
Carlos de Campos
