Tag: Introspecção

  • Mundos em conflitos se perderam no egoísmo

    Mundos em conflitos se perderam no egoísmo

    O meu mundo é o mesmo que o seu,
    são contraditórios e unificados,
    distante e mais distante ainda,
    porque é um mundo em busca de solidão.

    Em um mundo em que a distância é fascinante
    e, ao mesmo tempo, ultrajante,
    distante das pessoas,
    próximo da ausência plena.

    Nada é como antes,
    e antes é toda a base sólida,
    entre mundos tão iguais
    e completamente diferentes.

    Que caminha para o caminho do sofrimento
    pela busca incessante da angústia,
    consciente de que, em seu íntimo, é desejado;
    é o desejo dos desejos a ser conquistado.

    Impor é se destruir,
    é revidar contra si mesmo,
    é lutar com a imagem refletida pelo espelho,
    é ser, na essência, a essência contraditória.

    Lutar é assumir ser desonesto.
    O desonesto sofre na essência,
    vê sua saúde mental diminuindo,
    abreviando o fim do seu próprio mundo.

    Carlos de Campos
    Foto por Valdans Media em Pexels.com
  • Meu espelho


    Meu espelho

    No auge,
    me vi.
    A solidão é você.

    Carlos de Campos


    Foto por Tasha Kamrowski em Pexels.com
  • O amor existe?



    O amor existe?

    Longe do amor,
    cá estou.
    Livre?
    Não sei exatamente.

    Estou sozinho.
    O que sei sobre o amor?
    Somente quem amou sabe?
    O que é o amor?

    O amor é uma prisão?
    O amor é a liberdade?
    O que é o amor, afinal?
    Os que dizem amar estão presos.

    Os solteiros estão livres?
    O que é estar livre?
    Sou solteiro e livre?
    O que é ser livre, afinal?

    O que é estar vivendo?
    Vivo para amar?
    Vivo para ser solteiro?
    Vivo para ser livre?

    Estou livre em minha intimidade?
    Amo na liberdade dos aprisionados.
    Amo na solidão dos que vivem solteiros.
    Amo porque posso amar.

    Carlos de Campos
    Foto por HONG SON em Pexels.com
  • Meu desejo pela mansidão



    Meu desejo pela mansidão

    Mansidão é como sinto a minha vida.
    A vida, mesmo ferida,
    é como a sinto:
    mansidão.

    Incômodos acontecem.
    Mesmo ferido,
    a mansidão sempre encontra um abrigo
    dentro de mim — me encontro.

    Dentro de mim
    existem as incertezas
    que pairam sobre a minha cabeça,
    que busca a mansidão plena.

    Jogo com a mente,
    mente desprovida
    de uma liberdade acomodada
    de incertezas.

    Mansidão
    é a solitária procura,
    cômodo desprovido
    de um delírio saudável.

    Finalmente, me vejo:
    meu ideal
    de ideias sem fim,
    sem destino.

    Carlos de Campos

    Foto por Dylann Hendricks em Pexels.com
  • Desejos insondáveis

    Desejos insondáveis

    São dias como este que me fazem desejar estar com você — e é normal desejar algo assim. É assim que funcionamos: queremos o que nos gera aquela aparência de tranquilidade. E não há nada de errado nisso.
    O problema surge quando isso se torna um álibi interno para, diante de qualquer conflito, usarmos como desculpa para pular do barco — seja do emprego, de um relacionamento ou de uma amizade. Há muita gente por aí vivendo nesse modelo de vida.

    Desejo e mais desejos — é assim que estamos vivendo: desejando tudo e todos. Desejando… e, quando desejar já não funciona, então exigimos, impomos, para que os nossos desejos mais vis se realizem.
    É preciso desejar com muita cautela. E já passou da hora de voltar-se para o próprio interior — não como mais um gesto egoísta, mas com a firme atitude de quem vai refletir sobre a própria vida. Sobre essa vida de desejos por desejos mesquinhos.


    Em busca de quê você tem pautado a sua vida? Desejos? Que tipo de desejo tem cultivado em sua existência? Deseja uma vida de segurança e tranquilidade? Será mesmo possível viver nesse clima? No que você tem pensado hoje?
    Ah, bem que poderia existir uma fórmula mágica para suprirmos todos os nossos desejos… desejos egoístas, desejos insaciáveis. Desejo desejar você algum dia — porque essa é a vida de quem ainda não mergulhou em sua própria existência.

    Carlos de Campos

    Foto por Bernardo Vosgerau em Pexels.com
  • Preferências

    Preferências

     Os desejos nos assombram na escuridão de nossas vidas. Há quem prefira viver assim.

    Carlos de Campos

  • O desejo nos cega

    O desejo nos cega

    Indo para bem longe de mim
    Longe…
    Sem olhar para trás
    Seguirei indo para bem longe.

    O meu ser é terra devastada
    Isso é algo que muito me incomoda
    É algo sutil, mas persistente
    Quero distância de tudo.

    O teu gesto é suave
    Transmite delicadeza
    É o que procuro
    E persigo com persistência.

    No andar da vida
    A vida segue ferida
    Preciso continuar
    Do jeito como está.

    O que esperar do nosso encontro?
    Encontro de almas marcadas
    Predestinadas um ao outro
    Almas apaixonadas.

    Não sigo destino
    Sigo a minha razão
    Que me diz para ir bem longe
    Fiel à minha razão, eu sigo.

    No íntimo, quando eu reflito
    Buscando teses e teorias para desqualificá-lo
    O que só encontro é o meu coração apaixonado
    Essa é a verdade quando eu penso em você.

    Tento em vão te esquecer
    Penso que sumir de sua vida me fará bem
    E sei como tudo isso é em vão
    Todo o amor e carinho só aumentam.

    Me dê a sua mão
    Quero senti-la
    Quero mergulhar nesse amor
    Me permita te amar de agora em diante.

    Me entrego de corpo e alma
    Sem reserva alguma, me dou por inteira
    Meus sentidos…
    Desejos meus…


    Quero você, meu amor
    Sinto os teus lábios
    Ousando, ousados
    Molhados…

    Somos duas almas incompletas
    E incompletas permaneceremos
    Tudo o que vivemos
    São sentimentos que já passaram.

    Carlos de Campos
    Foto por Mick Haupt em Pexels.com
  • O desejo me desafia a desejá-lo

    O desejo me desafia a desejá-lo

    O meu universo vai além das cores e formas,
    Além de tudo o que está além,
    Divagando…
    O que ninguém pode falar.

    Fala-se o que carrega peso
    Do tempo que ainda nem é tempo.
    Fala-se sobre o impronunciável,
    Divagando…

    O impronunciável detesta ser observado.
    De olhar atento, permanece como sentinela,
    Diluído e fragmentado,
    Esquecida está a sua fala.

    O impessoal precisa ser levado em conta,
    Desponta na escuridão,
    Doando-se.
    Déjà-vu…

    Encontro com o inesquecível,
    Perdido no vazio.
    Solidão…
    De rara e inesquecível beleza.

    Inesquecível beleza,
    Beleza rara,
    Destemida,
    Incompreendida.

    Ao destino, falo o que sinto,
    Falo o que omito.
    Desisto de falar porque me envergonho.
    Diante da realidade, apenas me comovo.

    São falas como essas que me aprisionam.
    Me sinto deslocado.
    Enfurecido estou, agora
    Perdido no tempo.

    Divago…
    Nos tumultos existentes, me desaguou.
    Na interminável exploração, eu reflito.
    Desisto, enquanto sinto.

    O impronunciável volta a se pronunciar
    No andar leve,
    No olhar sedutor.
    Fala-se o que não se pode falar.

    Beleza irradiante.
    Comovido, escorrem lágrimas.
    São lágrimas que não podem ser faladas,
    Falas que não podem ser sentidas.

    Discurso ofegante.
    Divago no presente ausente,
    Nas lutas perdidas,
    Dor dos abraços não correspondidos.

    Loucura…
    Mortandade…
    Funeral dos sentimentos.
    Loucura sentida.

    Sentimentos reprimidos
    Do que não pode ser falado.
    Dor…
    Deslocado estou no desejo.

    Imperfeito,
    Do mundo interior me escondo.
    Me abstenho dos desejos,
    Desejos imperfeitos.

    Impronunciáveis são os meus desejos,
    Distorcidos e incompreendidos,
    Desejos retidos,
    Encarcerados pelo sentido.

    Me encontro divagando em meus pensamentos.
    Desejo…
    Do falar impronunciável,
    Carcereiro dos meus atos.

    No auge do amor, me entrego.
    Destino traçado.
    Imparável!
    No demais, deixem o amor falar, se expressar.

    Carlos de Campos
    Foto por Alexander Grey em Pexels.com
  • O lendário medo de ter tempo

    O lendário medo de ter tempo

    Meu mundo muda e fica mudo
    Dialogam…
    Entre um e outro existe um espaço de tempo
    Tempo…

    O tempo dialoga com o meu mundo
    Um mundo que fica mudo
    O tempo requer espaço
    Intervalo…

    No intervalo de tempo existe o meu mundo
    O mundo que fica mudo
    Explosões sensoriais
    Dentro do meu mundo que fica mudo.

    Olha no meu mundo
    Delícia…
    Existencial…
    Olhar antinatural.

    Demasiadamente obsoleto
    Olhar comportado, desconfiado
    Confinado no ar
    No meu corpo.

    Instinto condenável
    No ar congestionado
    Corpo inteiro
    Desejo escondido.

    Meu mundo é um labirinto
    Lá existe um labirinto escuro
    Um mundo de labirintos escuros
    O tempo é no labirinto.

    Lá, o tempo fica mudo
    Sem o tempo, tudo fica insosso
    Labirinto…
    No mundo distante e escuro…

    Meu mundo é um mundo de desejos
    Enrolado em papel cor-de-rosa
    Dá nuances
    Prefiro um labirinto cor-de-rosa.

    Jovem cheio de energia
    De nuance, prefiro a cor da pele
    Mundo cheio de labirinto
    Cai a bolsa e tudo tem um novo aspecto.

    Me deixe ir
    Soltar a pipa
    Debaixo daquele aquário
    Que laboriosamente foi esculpido.

    Com o sangue cor-de-rosa
    Meu mundo é um labirinto escuro
    Fechado…
    Escuro…
    Ainda é o meu mundo mudo.

    Meu mundo é um mundo mudo
    Estrela no céu brilha no escuro
    Mudo é como me sinto
    Lá existe um medo existente.

    O meu medo está no labirinto
    No labirinto escuro
    Isto é assustador
    Um labirinto que causa tanta dor.

    Medo…
    Tempo do medo
    Escuro do medo
    Delícia…

    Mundo do medo
    Do tempo
    Lá existe o tempo do medo
    Medo do medo.

    Existe o medo da existência
    Para a sobrevivência
    De soberba
    Sua mania do tempo.

    Existe o medo da existência
    No mundo mudo
    Quem sobrevive é porque tem medo
    Medo de um mundo sem tempo.

    Carlos de Campos


    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • O teu olhar

    O teu olhar

    O teu olhar me fascina
    Desejo incompreendido,
    Instinto primitivo,
    Mergulho na alma.

    O desejo desorientado,
    Falange de vozes atordoadas,
    Impróprio para os que confiam.
    De ilusão a ilusão, vive-se uma ilusão.

    Não existe medo em meu coração,
    Nem a mais doce imaginação.
    Na minha carcaça, não existe alma,
    Só existe sombra e lamentação.

    Ímpeto repleto de vontade,
    Possuído por reles manifestações
    Que vêm do mergulho que faço
    Na fossa do meu ser.

    Dominado por uma breve lucidez,
    Tomo um susto!
    Ao ver o mundo entregue às traças,
    Uma sociedade falida.

    O delirante modo de vida que me convida,
    Estar afogado em meus problemas
    Impede que eu veja o milagre do vislumbre das cores.
    Dos tempos que se passaram, constato que nada mudou.

    Carlos de Campos

    Foto por Paweu0142 L. em Pexels.com