Em um mundo em que a distância é fascinante e, ao mesmo tempo, ultrajante, distante das pessoas, próximo da ausência plena.
Nada é como antes, e antes é toda a base sólida, entre mundos tão iguais e completamente diferentes.
Que caminha para o caminho do sofrimento pela busca incessante da angústia, consciente de que, em seu íntimo, é desejado; é o desejo dos desejos a ser conquistado.
Impor é se destruir, é revidar contra si mesmo, é lutar com a imagem refletida pelo espelho, é ser, na essência, a essência contraditória.
Lutar é assumir ser desonesto. O desonesto sofre na essência, vê sua saúde mental diminuindo, abreviando o fim do seu próprio mundo.
São dias como este que me fazem desejar estar com você — e é normal desejar algo assim. É assim que funcionamos: queremos o que nos gera aquela aparência de tranquilidade. E não há nada de errado nisso. O problema surge quando isso se torna um álibi interno para, diante de qualquer conflito, usarmos como desculpa para pular do barco — seja do emprego, de um relacionamento ou de uma amizade. Há muita gente por aí vivendo nesse modelo de vida.
Desejo e mais desejos — é assim que estamos vivendo: desejando tudo e todos. Desejando… e, quando desejar já não funciona, então exigimos, impomos, para que os nossos desejos mais vis se realizem. É preciso desejar com muita cautela. E já passou da hora de voltar-se para o próprio interior — não como mais um gesto egoísta, mas com a firme atitude de quem vai refletir sobre a própria vida. Sobre essa vida de desejos por desejos mesquinhos.
Em busca de quê você tem pautado a sua vida? Desejos? Que tipo de desejo tem cultivado em sua existência? Deseja uma vida de segurança e tranquilidade? Será mesmo possível viver nesse clima? No que você tem pensado hoje? Ah, bem que poderia existir uma fórmula mágica para suprirmos todos os nossos desejos… desejos egoístas, desejos insaciáveis. Desejo desejar você algum dia — porque essa é a vida de quem ainda não mergulhou em sua própria existência.
Indo para bem longe de mim Longe… Sem olhar para trás Seguirei indo para bem longe.
O meu ser é terra devastada Isso é algo que muito me incomoda É algo sutil, mas persistente Quero distância de tudo.
O teu gesto é suave Transmite delicadeza É o que procuro E persigo com persistência.
No andar da vida A vida segue ferida Preciso continuar Do jeito como está.
O que esperar do nosso encontro? Encontro de almas marcadas Predestinadas um ao outro Almas apaixonadas.
Não sigo destino Sigo a minha razão Que me diz para ir bem longe Fiel à minha razão, eu sigo.
No íntimo, quando eu reflito Buscando teses e teorias para desqualificá-lo O que só encontro é o meu coração apaixonado Essa é a verdade quando eu penso em você.
Tento em vão te esquecer Penso que sumir de sua vida me fará bem E sei como tudo isso é em vão Todo o amor e carinho só aumentam.
Me dê a sua mão Quero senti-la Quero mergulhar nesse amor Me permita te amar de agora em diante.
Me entrego de corpo e alma Sem reserva alguma, me dou por inteira Meus sentidos… Desejos meus…
O teu olhar me fascina Desejo incompreendido, Instinto primitivo, Mergulho na alma.
O desejo desorientado, Falange de vozes atordoadas, Impróprio para os que confiam. De ilusão a ilusão, vive-se uma ilusão.
Não existe medo em meu coração, Nem a mais doce imaginação. Na minha carcaça, não existe alma, Só existe sombra e lamentação.
Ímpeto repleto de vontade, Possuído por reles manifestações Que vêm do mergulho que faço Na fossa do meu ser.
Dominado por uma breve lucidez, Tomo um susto! Ao ver o mundo entregue às traças, Uma sociedade falida.
O delirante modo de vida que me convida, Estar afogado em meus problemas Impede que eu veja o milagre do vislumbre das cores. Dos tempos que se passaram, constato que nada mudou.