Tag: Introspecção

  • O lendário medo de ter tempo

    O lendário medo de ter tempo

    Meu mundo muda e fica mudo
    Dialogam…
    Entre um e outro existe um espaço de tempo
    Tempo…

    O tempo dialoga com o meu mundo
    Um mundo que fica mudo
    O tempo requer espaço
    Intervalo…

    No intervalo de tempo existe o meu mundo
    O mundo que fica mudo
    Explosões sensoriais
    Dentro do meu mundo que fica mudo.

    Olha no meu mundo
    Delícia…
    Existencial…
    Olhar antinatural.

    Demasiadamente obsoleto
    Olhar comportado, desconfiado
    Confinado no ar
    No meu corpo.

    Instinto condenável
    No ar congestionado
    Corpo inteiro
    Desejo escondido.

    Meu mundo é um labirinto
    Lá existe um labirinto escuro
    Um mundo de labirintos escuros
    O tempo é no labirinto.

    Lá, o tempo fica mudo
    Sem o tempo, tudo fica insosso
    Labirinto…
    No mundo distante e escuro…

    Meu mundo é um mundo de desejos
    Enrolado em papel cor-de-rosa
    Dá nuances
    Prefiro um labirinto cor-de-rosa.

    Jovem cheio de energia
    De nuance, prefiro a cor da pele
    Mundo cheio de labirinto
    Cai a bolsa e tudo tem um novo aspecto.

    Me deixe ir
    Soltar a pipa
    Debaixo daquele aquário
    Que laboriosamente foi esculpido.

    Com o sangue cor-de-rosa
    Meu mundo é um labirinto escuro
    Fechado…
    Escuro…
    Ainda é o meu mundo mudo.

    Meu mundo é um mundo mudo
    Estrela no céu brilha no escuro
    Mudo é como me sinto
    Lá existe um medo existente.

    O meu medo está no labirinto
    No labirinto escuro
    Isto é assustador
    Um labirinto que causa tanta dor.

    Medo…
    Tempo do medo
    Escuro do medo
    Delícia…

    Mundo do medo
    Do tempo
    Lá existe o tempo do medo
    Medo do medo.

    Existe o medo da existência
    Para a sobrevivência
    De soberba
    Sua mania do tempo.

    Existe o medo da existência
    No mundo mudo
    Quem sobrevive é porque tem medo
    Medo de um mundo sem tempo.

    Carlos de Campos


    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • O teu olhar

    O teu olhar

    O teu olhar me fascina
    Desejo incompreendido,
    Instinto primitivo,
    Mergulho na alma.

    O desejo desorientado,
    Falange de vozes atordoadas,
    Impróprio para os que confiam.
    De ilusão a ilusão, vive-se uma ilusão.

    Não existe medo em meu coração,
    Nem a mais doce imaginação.
    Na minha carcaça, não existe alma,
    Só existe sombra e lamentação.

    Ímpeto repleto de vontade,
    Possuído por reles manifestações
    Que vêm do mergulho que faço
    Na fossa do meu ser.

    Dominado por uma breve lucidez,
    Tomo um susto!
    Ao ver o mundo entregue às traças,
    Uma sociedade falida.

    O delirante modo de vida que me convida,
    Estar afogado em meus problemas
    Impede que eu veja o milagre do vislumbre das cores.
    Dos tempos que se passaram, constato que nada mudou.

    Carlos de Campos

    Foto por Paweu0142 L. em Pexels.com