Vi o solo debaixo dos meus pés se partir. Fui engolido por esse enorme buraco. O que me esperava no fim disso tudo? O buraco era profundo.
O medo tomava conta de todo o meu ser. Meu passado, presente e futuro passavam como um filme. Tudo era tão demorado e instantâneo ao mesmo tempo. Eu vi e me vi.
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Coração acelerado em meu peito. Fuligens de personagens macabros me rodeavam. O infinito me tomava pela mão. Meus olhos contemplavam o mistério.
O mistério escondido em cada ser humano. O medo, o medo me atormentava o tempo inteiro. Sou o acaso, gritavam aquelas fuligens macabras.
Meu corpo é mais que um cadáver. Minha existência é maior que as mesquinharias. Sou o Deus encarnado em cada mulher e em cada homem. Sou o nascimento de tudo o que não existe.
O princípio dentro de você. Não existe nada maior do que eu. Eu e você somos um. Os meus pensamentos são os teus pensamentos.
Estou cansado e preciso dormir. Estou quase morto; a vida quase não resiste mais. É a vida que passa por entre as mãos. Os olhos cansados estão quase se fechando.
Corpo e mente estão desfalecendo, sucumbem pela força da natureza; estão sem forças para reagir, entregues, não se opõem, apenas confiam na sabedoria da natureza que simplesmente os carrega.
Esta é a nossa oportunidade para nos desapegarmos de nossas ilusões, dessas ilusões que tramam contra nós. Como não se opor a essas ilusões?
Tudo é mergulho profundo, é luta e entrega, é opressão que nos sufoca e que também nos faz ver sentido para resistir, para persistir, enquanto seguimos, seguir para um dia vencer.
De dentro de minhas próprias entranhas, eu me encontro; é como se eu tivesse retornado ao útero materno, estou sendo gestado. É a vida sendo concebida novamente.
Da morte à vida, libertação tardia; libertação tardia também é libertação plena. Não importa quando a libertação chegará, o que importa realmente é que, quando chegar, é preciso estar preparado.
Me vejo absorto. Nada parece estável. Preciso de segurança. O solo deixa buracos.
No percurso, destilamos ofensas. Encaramos os nossos próprios medos, sabendo que, lá no fundo, estamos apavorados. Precisamos seguir sem demonstrar inquietação.
Lutar é o que dá sentido para a vida. Internamente, somos tão humanos que cada passo parece uma longa jornada. Tentamos dar os passos mais seguros.
No precioso tempo que nos é dado e que pouco aproveitamos, transformamo-lo em tempo de dispersão. Estamos fatigados, sem rumo e sem direção alguma. O que esperamos da nossa dispersão? Em tempo de dispersão, dispersos estamos.
Nosso objetivo se desfaz como a água que tentamos conter entre os dedos. Que movimento desejamos fazer para que toda a nossa vida dispersa se desfaça? O movimento desejado está contido e permanece estagnado.
Impera sobre o nosso ser a divagação de uma existência, o desencontro de uma mente distraída. O que fazer com uma mente assim? Uma mente distraída, desorganizada, ferida por sua própria existência.
Não busco conforto, nem tampouco o desespero. O que busco, afinal, em minha vida? Além da própria tristeza que há em mim? Além de sempre observar o céu sempre chuvoso?
No abismo em que se encontra a minha alma, no fundo ainda busco a esperança; sem saber ao certo, ainda a procuro. Procuro entre os escombros que estão à minha volta, procuro entre os cadáveres; sem encontrar, continuo procurando. Procuro com um coração partido. O que busco encontrar além da dispersão? A minha alma cintilante.
Olhe e observe que existem maneiras pelas quais você pode se beneficiar e, quem sabe, desistir de insistir em ser essa pessoa irritante. Olhe e observe ao seu redor: como chegou a essa solidão? Percebe?
Impedimento é saber o momento em que se deve parar, usar o bom senso do que já se viveu e dar a si mesmo um pouco mais de tolerância. O que você precisa fazer é ser mais tolerante consigo mesmo.
Uma pessoa curada é capaz de curar o mundo. Antes, cure o seu amor-próprio; cure como quem cuida do doente mais amado da enfermaria.
É um medo que me assombra, Se esquece de que eu já não tenho vida. Esquecido por mim mesmo, Subtraio os bons sentimentos.
Tudo me dá má impressão. São dias frios, Uma ansiedade para me esconder, Esconder-me dos meus pensamentos intrometidos.
Estranhamento do meu próprio mundo, Das perfeitas imperfeições que me assolam, Que fazem os meus mundos ruírem. Exatamente aqui foi que me dei conta.
Sou a encarnação da infelicidade, Rascunho malfeito, O impasse existencial, O fim como chegada.
Singelo toque que me devolve, Volto para o campo de batalha: Da aniquilação total à proexistência, A verdade que acende o meu ser.
Fixo o meu olhar no que transcende, No que me alveja em sentimentos, No que me faz vibrar em gemidos Deliciosos, intensos e contínuos.
Carlos de Campos
O sistema da internet me contou um segredinho: você está adorando o poema — alguns até voltam para reler ou reassistir (e eu fico todo bobo com isso). Mas aí vem a grande questão filosófica: por que você ainda não curtiu, comentou, compartilhou ou me seguiu? Ajuda o poeta aqui! Essas ações simples fortalecem demais o conteúdo. Consumir sem interagir? Aí o algoritmo me olha torto e derruba meu trabalho… Se quiser que eu pare, é só avisar — mas eu prefiro continuar, viu? 😂💛
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