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  • Livro 6: O Despertar da Noite (Poema 01/60) Nós descemos em um mundo sem fim

    Livro 6: O Despertar da Noite (Poema 01/60)

    Nós descemos em um mundo sem fim

    Vi o solo debaixo dos meus pés se partir.
    Fui engolido por esse enorme buraco.
    O que me esperava no fim disso tudo?
    O buraco era profundo.

    O medo tomava conta de todo o meu ser.
    Meu passado, presente e futuro passavam como um filme.
    Tudo era tão demorado e instantâneo ao mesmo tempo.
    Eu vi e me vi.

    Enquanto a solidão me abraça

    Não fique só nas palavras: leve para casa Enquanto a solidão me abraça e tenha um amigo fiel nas suas noites mais difíceis. Compre aqui.

    Coração acelerado em meu peito.
    Fuligens de personagens macabros me rodeavam.
    O infinito me tomava pela mão.
    Meus olhos contemplavam o mistério.

    O mistério escondido em cada ser humano.
    O medo, o medo me atormentava o tempo inteiro.
    Sou o acaso,
    gritavam aquelas fuligens macabras.

    Meu corpo é mais que um cadáver.
    Minha existência é maior que as mesquinharias.
    Sou o Deus encarnado em cada mulher e em cada homem.
    Sou o nascimento de tudo o que não existe.

    O princípio dentro de você.
    Não existe nada maior do que eu.
    Eu e você somos um.
    Os meus pensamentos são os teus pensamentos.

    Carlos de Campos
  • Já é tarde

    Já é tarde

    Estou cansado e preciso dormir. Estou quase morto; a vida quase não resiste mais. É a vida que passa por entre as mãos. Os olhos cansados estão quase se fechando.

    Corpo e mente estão desfalecendo, sucumbem pela força da natureza; estão sem forças para reagir, entregues, não se opõem, apenas confiam na sabedoria da natureza que simplesmente os carrega.

    Esta é a nossa oportunidade para nos desapegarmos de nossas ilusões, dessas ilusões que tramam contra nós. Como não se opor a essas ilusões?

    Tudo é mergulho profundo, é luta e entrega, é opressão que nos sufoca e que também nos faz ver sentido para resistir, para persistir, enquanto seguimos, seguir para um dia vencer.

    De dentro de minhas próprias entranhas, eu me encontro; é como se eu tivesse retornado ao útero materno, estou sendo gestado. É a vida sendo concebida novamente.

    Da morte à vida, libertação tardia; libertação tardia também é libertação plena. Não importa quando a libertação chegará, o que importa realmente é que, quando chegar, é preciso estar preparado.

    Carlos de Campos
  • O que está acontecendo comigo?


    O que está acontecendo comigo?

    O que se passa em você?
    Nos cabelos?
    Nos olhos cansados?
    No corpo exausto?

    Olhar distante,
    pensamento profundo.
    Se ainda me lê,
    sabe para onde queremos estar.

    Mergulhe em sua própria mente,
    se assim desejar,
    quando assim se sentir mais confortável.
    Mas como saber se está pronto?

    Luzes se apagando,
    sono acalmando,
    cadenciando o fluxo,
    olhar bem distante.

    No labirinto de tua alma, você se encontra.
    Busca em cada detalhe com calma,
    está atento a cada detalhe,
    sente, profundo.

    Livre, você se encontra,
    correndo com um sorriso no rosto.
    Você celebra com paz no coração,
    desfruta sabendo que sempre pode voltar.

    Carlos de Campos
  • Um instante passageiro


    Um instante passageiro

    Me vejo absorto.
    Nada parece estável.
    Preciso de segurança.
    O solo deixa buracos.

    No percurso, destilamos ofensas.
    Encaramos os nossos próprios medos,
    sabendo que, lá no fundo, estamos apavorados.
    Precisamos seguir sem demonstrar inquietação.

    Lutar é o que dá sentido para a vida.
    Internamente, somos tão humanos
    que cada passo parece uma longa jornada.
    Tentamos dar os passos mais seguros.

    Há pior momento do que perder?
    Tudo, absolutamente tudo,
    no movimento seguinte,
    deixamos algo pelo caminho.

    Quem, olhando para a própria vida,
    quis desaparecer?
    Procurou sentido no próprio existir?
    Na fadiga que nos envolve?

    Não estou vendo uma saída,
    se é que existe uma saída.
    Um olhar mais detalhista,
    um dia de sorte.

    Olhei para além do que via
    e vi que existia uma saída.
    Uma nova chance eu encontrava,
    além das minhas possibilidades.

    Insisti em reconsiderar,
    como se tudo estivesse acabado,
    como se os meus desejos não contassem.
    Respirei para reconsiderar.

    Purifiquei as minhas ideias.
    As distrações me perseguiam.
    Desejo e sonho ao mesmo tempo.
    O que farei agora?

    O meu testemunho é verdadeiro.
    Lutar para viver é necessário.
    É a realidade indagando,
    o mundo estreitando.

    Um belo sonho estou sonhando,
    um canto estou compondo.
    Tudo é santo,
    como eu sou pecador.

    O sonho é verdadeiro
    quando sonhar faz total sentido.
    No meu viver, não fez.
    Não estou sendo pessimista demais?

    Meu Deus do céu,
    o sol apagou.
    Na escuridão da vida,
    sigo a minha rotina.

    Um breve silêncio ecoou.
    Na chama fria da vida se fez,
    se fez desejo, sonho e solidão,
    se fez a mais pura contradição.

    Instante ferido pela morte
    não poupou nem a própria sorte.
    Nas profundezas de um sortilégio,
    sem nenhuma animação.

    O que passou, passou.
    Sou este instante,
    essa lucidez calculada.
    Eu sou o tempo perdido.

    Leveza abstrata,
    sonho fascinante,
    um toque.
    Tua é a nossa sorte.

    Uma cadência pura de razão.
    Vê quem está perto,
    perto demais para entender
    que o momento exige paciência.

    Os seus olhos me seduzem,
    me revelam detalhes,
    detalhes que passam despercebidos
    e que são essenciais nesse momento.

    Peça batendo cabeça,
    sorte contida,
    impulsos desprovidos de certezas.
    Desistir tornou-se uma opção.

    A morte é a minha nova sorte,
    é o destino insistindo,
    é o preço a se pagar.
    Respiro para voltar.

    Oh, demasiadamente bizarro,
    os desígnios se revelam,
    as abstrações tomam formas.
    O que vejo é imperdoável.

    Resta saber: quem viu?
    Quando, estando prestes a saber, soube
    que esse seria o movimento certo,
    quem não soube compreender?

    Os desejos inflamados querem correr.
    Cegaram os olhos que nunca viram
    além do que lhes era permitido ver,
    e, quando viram, já era tarde demais.

    Resistir é necessário,
    mas qual seria a melhor resposta?
    Sem saída,
    o fim se aproxima.

    Apego-me às soluções improvisadas,
    em espantalhos imaginários,
    no destino traçado pela sorte
    para quem ainda não viu.

    O que são esses movimentos,
    além de movimentos
    de meras incertezas,
    sem observações?

    Um recuo se faz necessário,
    um salto para o escuro.
    Sem medo algum, eu sigo o meu destino,
    incerto, mas ainda é o meu destino.

    Move-se em pleno voo
    um pensamento congruente,
    um passado absoluto
    contando um presente.

    Nossa é a vida presente
    dos momentos apaixonados.
    Um dia é como vemos.
    Voar é estar livre.

    Carlos de Campos

    Poema baseado “Na partida imortal de xadrez do dia 21 de junho de 1851 entre adolf andressen e lionel kieseritzky”
    Foto por Alvaro Camacho em Pexels.com
  • Minha alma tem sede de equilíbrio


    Minha alma tem sede de equilíbrio

    No precioso tempo que nos é dado e que pouco aproveitamos, transformamo-lo em tempo de dispersão. Estamos fatigados, sem rumo e sem direção alguma. O que esperamos da nossa dispersão? Em tempo de dispersão, dispersos estamos.

    Nosso objetivo se desfaz como a água que tentamos conter entre os dedos. Que movimento desejamos fazer para que toda a nossa vida dispersa se desfaça? O movimento desejado está contido e permanece estagnado.

    Impera sobre o nosso ser a divagação de uma existência, o desencontro de uma mente distraída. O que fazer com uma mente assim? Uma mente distraída, desorganizada, ferida por sua própria existência.

    Não busco conforto, nem tampouco o desespero. O que busco, afinal, em minha vida? Além da própria tristeza que há em mim? Além de sempre observar o céu sempre chuvoso?

    No abismo em que se encontra a minha alma, no fundo ainda busco a esperança; sem saber ao certo, ainda a procuro. Procuro entre os escombros que estão à minha volta, procuro entre os cadáveres; sem encontrar, continuo procurando. Procuro com um coração partido. O que busco encontrar além da dispersão? A minha alma cintilante.

    Carlos de Campos
    Foto por Andre Moura em Pexels.com
  • Um coração curado para curar o mundo


    Um coração curado para curar o mundo

    Olhe e observe que existem maneiras pelas quais você pode se beneficiar e, quem sabe, desistir de insistir em ser essa pessoa irritante. Olhe e observe ao seu redor: como chegou a essa solidão? Percebe?

    Impedimento é saber o momento em que se deve parar, usar o bom senso do que já se viveu e dar a si mesmo um pouco mais de tolerância. O que você precisa fazer é ser mais tolerante consigo mesmo.

    Uma pessoa curada é capaz de curar o mundo. Antes, cure o seu amor-próprio; cure como quem cuida do doente mais amado da enfermaria.

    Carlos de Campos
    Foto por Ivan S em Pexels.com
  • Um olhar atento para dentro


    Um olhar atento para dentro

    Morte como obediência de uma vida,
    Vejo escapando de minhas mãos
    Na neblina que turva a minha vista,
    No oceano em que estou mergulhado.

    Os meus olhos cegos seguem pelo caminho,
    Tateando os ares,
    Perdendo-se em si mesmos
    E encontrando-se no outro.

    Nossa bela morte
    Nos beija constantemente na face,
    No amargo do meu suor,
    Compreendendo todos os meus medos.

    Medo de uma vida
    Distante do desejado,
    Doses de fracasso
    Capazes de mudar toda a minha sorte.

    O sonho me distrai,
    Me faz avançar,
    Me limita,
    Me instiga a sempre ir para frente.

    Me orienta em meu interior
    A permanecer sempre atento,
    Usufruindo do mel da sabedoria eterna
    Que pulsa no limiar da vida e da morte.

    Carlos de Campos

    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • O amor consumido pela eternidade



    O amor consumido pela eternidade

    É um medo que me assombra,
    Se esquece de que eu já não tenho vida.
    Esquecido por mim mesmo,
    Subtraio os bons sentimentos.

    Tudo me dá má impressão.
    São dias frios,
    Uma ansiedade para me esconder,
    Esconder-me dos meus pensamentos intrometidos.

    Estranhamento do meu próprio mundo,
    Das perfeitas imperfeições que me assolam,
    Que fazem os meus mundos ruírem.
    Exatamente aqui foi que me dei conta.

    Sou a encarnação da infelicidade,
    Rascunho malfeito,
    O impasse existencial,
    O fim como chegada.

    Singelo toque que me devolve,
    Volto para o campo de batalha:
    Da aniquilação total à proexistência,
    A verdade que acende o meu ser.

    Fixo o meu olhar no que transcende,
    No que me alveja em sentimentos,
    No que me faz vibrar em gemidos
    Deliciosos, intensos e contínuos.

    Carlos de Campos

    O sistema da internet me contou um segredinho: você está adorando o poema — alguns até voltam para reler ou reassistir (e eu fico todo bobo com isso). Mas aí vem a grande questão filosófica: por que você ainda não curtiu, comentou, compartilhou ou me seguiu?
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    Consumir sem interagir? Aí o algoritmo me olha torto e derruba meu trabalho…
    Se quiser que eu pare, é só avisar — mas eu prefiro continuar, viu? 😂💛
    Foto por Zu00fclfu00fc Demirud83dudcf8 em Pexels.com
  • Na imensa travessia, me perco de você

    Na imensa travessia, me perco de você

    No inevitável, você surge.
    No silêncio, eu falo.
    Não faz sentido: no êxtase, nós nos desencontramos.
    Puro desequilíbrio.

    Desisto no alto-mar da vida,
    no mais profundo de minha alma,
    no milagre que nunca veio.
    Sou a mansão dos mortos-vivos.

    Perdido em pensamentos,
    me vejo suspenso,
    sem destino,
    eu — nessa inconformidade.

    O vento toca o meu rosto.
    Me entrego a essa paz,
    uma paz tão retraída,
    tímida de amor.

    Imensidão de um vazio sem fim,
    tormento de uma cabeça desintegrada.
    Sem conexão, seguem a alma e o corpo:
    fim de um ciclo virtuoso.

    O mundo muda e tudo absorve.
    O destino cria sentido,
    pálido e palpável.
    Urge uma longa transformação.

    Carlos de Campos
    Foto por 3D Render em Pexels.com
  • Interior é a vida que vivemos



    Interior é a vida que vivemos

    Quem deseja ir
    Sem saber o que quer
    E sem saber para onde vai,
    Vai sem direção.

    Em que direção devo seguir?
    Sigo o coração perdido?
    Os escombros de uma história inteira?
    Parado, encontro a existência.

    Existe uma resistência em prosseguir.
    O abismo é...
    Um silêncio que grita no vazio.
    É uma luta desesperada pela sobrevivência.

    Caminho de difícil acesso,
    Entre buracos e desníveis.
    Mas é preciso continuar.
    Não dá para ficar estagnado.

    O interior é a força que nos influencia,
    É quem dita para onde devemos seguir
    E como percorremos esse trajeto —
    Justamente onde damos menos atenção.

    A alma interior
    É quem nos conduz
    Para onde estamos ancorados.
    Você está ancorado em que cais, nesta existência?

    Carlos de Campos
    Foto por Heiner em Pexels.com