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  • A loucura de uma verdade

    A loucura de uma verdade

    Os loucos andam entre nós.
    Nos machucam.
    Diferente de nós,
    são iluminados com a verdade.
    A verdade sempre dói.

    Ah, os loucos!
    Tidos como incapazes,
    observam o que a nossa mente sóbria não percebe.
    Sóbria?
    A verdade sempre dói.

    Me diga a verdade.
    Somos incapazes por estarmos chapados de tanta sobriedade.
    Somos a história de nossas meias verdades.
    Ah, os loucos!
    A verdade sempre dói na carne.

    Na verdade, não sabemos lidar com a nossa contrariedade,
    com a promiscuidade latente em nossa mente.
    Mentimos para nos escondermos da nossa realidade.
    Mentimos para nos protegermos da dor que dói o dia inteiro.
    Essa é a verdade que vai doendo até mais tarde.

    Vem e veja essa dor.
    É a dor feita de verdades,
    verdades que tentamos esconder.
    Ah, os loucos!
    Não temem a verdade que dói o dia inteiro.

    Carlos de Campos
  • Viajante do espaço

    Viajante do espaço

    Ordem, grita a voz rouca.
    Não és um animal incontrolável.
    Na verdade, és a chama a me incinerar,
    doente dos olhos.

    Ordem é o meu nome.
    Começo a não mais enxergar.
    É a vista enfraquecida,
    humor desproporcional.

    Ordem e desordem me acompanham.
    Cabeça baixa.
    Insultos posso ouvir.
    Mercadoria, tudo em ruína.

    Desordem em meu ser,
    na história que se revela,
    que se abate sobre nós,
    nessa triste escuridão.

    Carlos de Campos