Tag: literatura brasileira

  • Ei, você, é você mesmo…

    Ei, você, é você mesmo…

    Meu momento de maior prazer
    É poder escrever
    Meus versos para você,
    Sabendo que você não vai ler.

    Ei, você…
    Sim, o poema é para você.
    Entende o quanto isso significa?
    Acredito que não.

    Mesmo assim, escrevo pensando em você,
    Reflito em como chamar sua atenção.
    Sim, sua atenção vale ouro,
    Ouro que pretendo ganhar.

    O meu sonho é convencê-la
    E envolvê-la em meus versos,
    Para vivenciar sentimentos sinceros.
    Por isso, fiz esses versos só pensando em você.

    Carlos de Campos
    Foto por Andrea Piacquadio em Pexels.com
  • De um ponto ao outro, restos do passado

    De um ponto ao outro, restos do passado

    Mostrem os sonhos não realizados,
    a beleza que vivi,
    o destino imaculado
    de frente ao retrovisor.

    Mostre o que se viu,
    o que se perdeu
    em lágrimas empoeiradas.
    Investiguem dentro da cabeça.

    Que se perdeu em memórias frias,
    frias pelo que não se podia sentir,
    frias das fotos carcomidas,
    tudo sobre o que diziam.

    Tudo o que fiz foi pensar em você.
    Cada memória vale a pena:
    destino traçado de presente
    que sente as memórias escondidas.

    Carlos de Campos
    Foto por Almighty Shilref em Pexels.com
  • O desejo nos cega

    O desejo nos cega

    Indo para bem longe de mim
    Longe…
    Sem olhar para trás
    Seguirei indo para bem longe.

    O meu ser é terra devastada
    Isso é algo que muito me incomoda
    É algo sutil, mas persistente
    Quero distância de tudo.

    O teu gesto é suave
    Transmite delicadeza
    É o que procuro
    E persigo com persistência.

    No andar da vida
    A vida segue ferida
    Preciso continuar
    Do jeito como está.

    O que esperar do nosso encontro?
    Encontro de almas marcadas
    Predestinadas um ao outro
    Almas apaixonadas.

    Não sigo destino
    Sigo a minha razão
    Que me diz para ir bem longe
    Fiel à minha razão, eu sigo.

    No íntimo, quando eu reflito
    Buscando teses e teorias para desqualificá-lo
    O que só encontro é o meu coração apaixonado
    Essa é a verdade quando eu penso em você.

    Tento em vão te esquecer
    Penso que sumir de sua vida me fará bem
    E sei como tudo isso é em vão
    Todo o amor e carinho só aumentam.

    Me dê a sua mão
    Quero senti-la
    Quero mergulhar nesse amor
    Me permita te amar de agora em diante.

    Me entrego de corpo e alma
    Sem reserva alguma, me dou por inteira
    Meus sentidos…
    Desejos meus…


    Quero você, meu amor
    Sinto os teus lábios
    Ousando, ousados
    Molhados…

    Somos duas almas incompletas
    E incompletas permaneceremos
    Tudo o que vivemos
    São sentimentos que já passaram.

    Carlos de Campos
    Foto por Mick Haupt em Pexels.com
  • Nem tanto ao céu ou ao inferno: Equilíbrio

    Nem tanto ao céu ou ao inferno: Equilíbrio

    Imoral!
    Deveras, és um imoral
    No canto que entoas,
    No caminho que caminhas.

    És um imoral,
    Inverno doloroso;
    De acontecimento em acontecimento,
    Tens a imoralidade como missão.

    No canto, cantas a tua imoralidade,
    Tua perversa covardia.
    Em cada verso eu digo:
    “Imoral contumaz!”

    Ressurges das cinzas com tua imoralidade.
    Em cada verso, sem me cansar, repetirei:
    Imoral é tudo o que você é
    No trato com suas famílias,

    Nos romances extraconjugais,
    Dos abortos forçados de suas amantes.
    És diligente em ser um mau caráter,
    Um usurpador de felicidades.

    Os acontecimentos
    São dramas reais:
    Abuso constante,
    Liberdade nunca mais.

    Longe de toda essa busca,
    Alimento a minha alma,
    Desnutrida,
    Descuidada pelo teu amor.

    Empatia!
    Delírio dos fracos,
    Do abismo entre a realidade
    Do que olhamos ou sentimos.


    Do amor à imoralidade,
    Das palavras que sinto,
    Das palavras que digo,
    Palavras que não são ditas.

    Ditas em uma ditadura,
    Ditas no esconderijo dos perseguidos,
    Impopularidade crescente
    Das palavras que nunca foram ditas.

    Imoral desde o nascimento,
    Da existência ao esquecimento,
    No prelúdio do ser,
    Ser imoral enquanto dorme.

    Nada se pode fazer quanto a isso.
    Cada um controla o que sente,
    Mente enquanto sente,
    Mente sem quaisquer escrúpulos.

    A gente caminha pela rua tranquilo...
    Desse jeito a gente caminha,
    Caminha desse jeito,
    Jeito de caminhar.

    Caminha como quem desfila,
    Desse jeito a gente caminha.
    Caminha como quem espera a morte,
    Desse jeito a gente caminha.

    Caminha de mãos dadas com a imoralidade,
    Desse jeito a gente caminha.
    Caminha como quem busca prostituição,
    Desse jeito a gente caminha.

    Imoral é nosso modo de viver a vida.
    Buscamos na imoralidade nossas justificativas.
    Impróprio,
    Me acomodo.

    Desse jeito a gente caminha:
    Consolação,
    Distante do mundo da gente,
    Em programa a programa.

    Me divirto na imoralidade desta vida.
    Dai-nos a sua bênção!
    Cautela!
    Nada mais nos resta.

    Filhas do amor,
    Consolação da vida terrena,
    Dia a dia,
    Minha existência se desfaz.

    Medo e segurança
    Já não fazem parte da minha essência.
    Desejos imorais é o que ainda sinto;
    Sinto como quem sente o sangue circulando.

    Esbanjando vitalidade,
    Enlouquecendo o meu ser...
    O que ainda me resta dessa tal imoralidade?
    Sinto que ela quer me deixar.

    Sinto que seus afagos,
    Carícias,
    Já não fazem parte de minha vida.
    Sinto sua falta.

    Ao mesmo tempo que não sinto mais nada,
    Sua ausência é sentida.
    Sua ausência é também celebrada.
    O que sinto por você, afinal?

    Bem, o que sinto eu não sei.
    O que me parece que sei
    É que não sinto mais sua falta,
    Que a sua presença não faz mais diferença.

    A ilusão me convida
    Para adentrar ao espetáculo da vida:
    Uma vida sofrida,
    Carcomida pela ignorância.

    Adentre ao grandioso circo de horrores,
    Onde a vida não vale a pena,
    O amor é somente ódio...
    Que circo é capaz de tirar sua noite de sono?

    E te levar a insônias agudas?
    Perturbar sua vida diariamente?
    Que circo de horrores é esse?
    Que vende ilusão como droga?

    Que vicia nossos jovens com tanta facilidade?
    Que circo dos horrores é esse,
    Onde a vingança é o primeiro da lista?
    O circo é um horror.

    Mas é uma máquina de destruição.
    Desinformação...
    Destruição...
    Desinformação...

    Máquina que pulveriza memórias,
    Afetos...
    Amor...
    Paz...

    Me rendo à imoralidade,
    Dou a minha única esperança,
    Me submeto à sua ignorância,
    Sou teu servo.

    Abro mão da minha liberdade,
    Abro mão do amor,
    Abro mão da felicidade.
    O que mais queres de minha pobre alma?

    Dou toda a minha história.
    Desejo de você só mais uma coisa:
    Desejo que você não pense,
    Não reflita.

    Pare de ler livros que alimentam a sua alma,
    Pare de querer ter esperança,
    Pare de ser amigável com os outros,
    Viva na mais pura ignorância.

    Odeie quem vos quer bem,
    Deixe os relacionamentos saudáveis no passado,
    Enlouqueça de uma vez.
    O que você não pode mais querer...

    É querer fazer a diferença para o mundo,
    É ser um agente de transformação contínua,
    É fazer de sua vida uma vida de partilha...
    O que você não pode mais querer
    É querer ser gente como a gente.

    Carlos de Campos
    Foto por Beyzaa Yurtkuran em Pexels.com
  • Da solidão avassaladora à vitória

    Da solidão avassaladora à vitória

    Gosto do cheiro da chuva.
    Daí, me sinto acolhido,
    Livre da solidão —
    Solidão, não sozinho.

    Que solidão é essa?
    E o que devo fazer?
    Da solidão, a tristeza
    Do tempo que passa.

    Ilusão e solidão,
    Sozinho e triste.
    Dia de chuva, sinto o cheiro da terra,
    Cheiro da terra incrustada.

    Luta-se diariamente.
    O confronto é corpo a corpo.
    Em cada luta, uma derrota.
    Luta-se para, quem sabe, um dia vencer.

    Luto porque luto.
    Mesmo derrotado, continuo lutando.
    Luto contra meu pior e mais letal inimigo:
    Luto contra minha própria mente.

    No dia em que a chuva cair
    E os terreiros forem molhados,
    Há de ser o sinal
    De que a minha próxima luta eu vencerei.

    Carlos de Campos
    Foto por Jou00e3o Cabral em Pexels.com
  • Encanto e desencanto de um encontro

    Encanto e desencanto de um encontro

    O que não quero
    É encontrar, pela estrada da vida,
    Os dias difíceis e sem solução,
    E o que encontro, não quero a companhia.

    E o que encontro pela estrada da vida?
    Encontro a companhia de quem não quero.
    Quero o imperativo do desejo,
    Do querer estar em sua companhia.

    Quem quis o que não podia ter?
    Quem, diante do medo, não se expõe?
    Ninguém sabe o que deseja realmente;
    O que queremos, muitas vezes, é obscuro.

    Indo ao encontro da sorte,
    Dos milagres oportunos que a vida reservou
    Aos pobres desantenados,
    Bem quis a vida que nós nos encontrássemos.

    Em meu teatro de oportunidades,
    Do baixo ao mais baixo da vida,
    Na difícil tarefa de amar,
    Os encontros obscuros.

    Um fiel escudeiro do amor é o que sou,
    Do amor que promove o encontro e o desencontro.
    Dentre segredos guardados a sete chaves,
    O amor é com quem não quero estar na estrada.

    Carlos de Campos

    Foto por Wendell Stoyer em Pexels.com
  • Onde há ódio existe a destruição

    Onde há ódio existe a destruição

    Não existe prazer em meio à dor,
    Mesmo que seja acompanhada de intervalos de bem-estar.
    O corpo e a mente ficam desconectados,
    E não sabemos para onde ir.

    O sol aquece o corpo ferido de morte.
    Tudo nesta vida é dor e sofrimento,
    É conflito e mais conflitos,
    É uma constante guerra sem fim.

    Um instante, um único vacilo, e tudo se vai,
    Sem aviso ou uma última refeição.
    Tudo simplesmente evapora,
    A vida, à qual somos tão apegados, vira pó.

    Desvio o olhar por um instante.
    Em meio à ilusão destruidora, posso ver a beleza.
    Oh, como a senhora Beleza é plena!
    Habita no olhar inocente de uma criança.

    Quem vive consumindo ódio é digno de ver tua beleza?
    É possível que um coração iludido se recupere?
    E como posso vencer o mal?
    Quem é que, vendo a beleza, não quer desposá-la?

    O meu corpo ainda segue doente de tanto ódio.
    A mente busca por salvação.
    Percorro, com determinação, o caminho para expurgar o ódio das entranhas da vida,
    Para que um dia, contigo, eu possa estar.

    Carlos de Campos

    Foto por Joel Alencar em Pexels.com