Estou cansado e preciso dormir. Estou quase morto; a vida quase não resiste mais. É a vida que passa por entre as mãos. Os olhos cansados estão quase se fechando.
Corpo e mente estão desfalecendo, sucumbem pela força da natureza; estão sem forças para reagir, entregues, não se opõem, apenas confiam na sabedoria da natureza que simplesmente os carrega.
Esta é a nossa oportunidade para nos desapegarmos de nossas ilusões, dessas ilusões que tramam contra nós. Como não se opor a essas ilusões?
Tudo é mergulho profundo, é luta e entrega, é opressão que nos sufoca e que também nos faz ver sentido para resistir, para persistir, enquanto seguimos, seguir para um dia vencer.
De dentro de minhas próprias entranhas, eu me encontro; é como se eu tivesse retornado ao útero materno, estou sendo gestado. É a vida sendo concebida novamente.
Da morte à vida, libertação tardia; libertação tardia também é libertação plena. Não importa quando a libertação chegará, o que importa realmente é que, quando chegar, é preciso estar preparado.
Meus sonhos me distanciavam da realidade, me levavam a envolver-me com a magia e com uma guerra que eu tanto temia. Em sonho, eu me agarrava a um único plano para permanecer vivo. Tudo era sinistro, diferente do mundo que eu conhecia. Os passos que eu ousava dar eram passos angustiantes, cheios de incertezas. Tudo era muito instável, mas era preciso prosseguir.
Ondas gigantes se levantaram contra mim, fazendo-me correr ainda mais, sem direção. Correr, correr. Estou cansado, quero voltar à realidade, quero estar acordado e constatar que tudo não passou de um sonho. Um sonho baseado em fatos reais, em fatos ideais, em ideias que não nos fazem avançar e que nos fazem permanecer presos em lodos inconscientes. Diante de tudo isso, eu me desespero.
Estou me afogando, já não sei mais dizer o que é sonho ou realidade, o que parece acaba e continua. É uma guerra repleta de magia e ilusão. São heranças malditas cristalizadas em nossas vidas. É um tempo distante. Procuro entender, interagir com o meu dilema, com o meu pesadelo que mais se apresenta sendo a realidade — uma realidade promíscua que ando vivendo todos os dias.
Em um mundo em que a distância é fascinante e, ao mesmo tempo, ultrajante, distante das pessoas, próximo da ausência plena.
Nada é como antes, e antes é toda a base sólida, entre mundos tão iguais e completamente diferentes.
Que caminha para o caminho do sofrimento pela busca incessante da angústia, consciente de que, em seu íntimo, é desejado; é o desejo dos desejos a ser conquistado.
Impor é se destruir, é revidar contra si mesmo, é lutar com a imagem refletida pelo espelho, é ser, na essência, a essência contraditória.
Lutar é assumir ser desonesto. O desonesto sofre na essência, vê sua saúde mental diminuindo, abreviando o fim do seu próprio mundo.