Tag: Melancolia

  • Cansado de Ser Solidão

    Cansado de Ser Solidão

    Abro a janela com o desânimo estampado na alma.
    Na escuridão da noite, eu me refugio.
    Da mente atormentada tento me afastar,
    e no vazio encontro o meu sentido.
    Suave é o peso que devo carregar.
    É suave nos sufocar constantemente.
    De um dia para o outro, me prendo ainda mais.

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    Um mar de mágoas me submerge.
    Me afogo, esperneio até me cansar.
    Afundo devagar, muito devagar.
    Aos poucos, não sinto mais meu corpo.
    Esse antro de preocupações,
    desejos assombrados,
    volta para a superfície.
    Tento respirar os tóxicos existenciais,
    a amargura universal
    estampada em nossa cara,
    a cara de iludidos.
    Me afogo no êxtase da realidade,
    no alcoolismo das minhas entranhas.
    Na fuga, acendo um cigarro contendo nicotina.

    Aqui nesta terra precisamos escolher.
    Um passo de cada vez para sobreviver.
    Um experienciar de cada sensação por vez.
    Na sutileza da vida, desconfiar
    para mais tarde não se ferir.
    Em cada amanhecer é preciso ser feliz,
    mesmo que isso lhe custe a própria vida.

    Carlos de Campos
    Foto por Leonid Danilov em Pexels.com
  • Nosso amor se acabou


    Nosso amor se acabou

    Instante.
    Momento passageiro.
    Uma história de amor.
    Estes são tempos sombrios.

    Momento de um instante ferido,
    ferida aberta de um amor.
    Tudo o que deixo são instantes feridos,
    instantes de um amor.

    O medo aparece à minha porta,
    descuidado no andar.
    Tudo o que passou
    passou sem vida.

    Nada faz você desistir,
    no instante, de repente.
    Repenso em estar com você
    na noite ferida.

    Tudo acabou.
    Acabou o nosso amor,
    a nossa ilusão.
    Acabou tudo o que eu sentia por você.

    Esse instante é um desses momentos feridos,
    cheio de tristeza,
    de um amor que se acabou.
    Esses dias, encontrei você na rua.

    Carlos de Campos
    Foto por Luca Nardone em Pexels.com
  • Um mar de lamentação


    Um mar de lamentação

    Solidão.
    Estado em que se encontra a minha alma.
    Alma ferida.
    Coração esvaziado.

    Solidão.
    Estado consciente da nossa sociedade.
    Coração ferido.
    Alma vazia.

    Em que estado estamos?
    Estamos em um estado deplorável,
    de constante insatisfação.

    Um mar de pessoas
    que cultiva esse estado,
    estado do mais completo abandono.

    Carlos de Campos
    Foto por armau011fan bau015faran em Pexels.com
  • Sua desolação ofegante



    Sua desolação ofegante

    Os olhares do mundo estão atordoados,
    Perplexos pela ausência
    De qualquer resquício de esperança.
    Ausência silenciosa.

    Caem na face lágrimas
    De um dia triste,
    Sem qualquer atrativo,
    Só o estímulo do instante.

    São dias de muita tristeza,
    O ser já não aguenta mais existir.
    Existir se tornou enfadonho,
    Pandemia de uma mente doente.

    Não existe promessa.
    Não temos nada com o que festejar.
    Só a lamentação orienta.
    Existe quem não queira aceitar.

    Não existe um novo amanhã.
    Existe um novo tormento.
    Não existe um porto seguro.
    Deus sorri com ironia.

    Existo.
    No existir, adormeço.
    Na desolação, me esqueço.
    No esquecimento, eu existo.

    Carlos de Campos

    Foto por Ahmed akacha em Pexels.com
  • O desejo me desafia a desejá-lo

    O desejo me desafia a desejá-lo

    O meu universo vai além das cores e formas,
    Além de tudo o que está além,
    Divagando…
    O que ninguém pode falar.

    Fala-se o que carrega peso
    Do tempo que ainda nem é tempo.
    Fala-se sobre o impronunciável,
    Divagando…

    O impronunciável detesta ser observado.
    De olhar atento, permanece como sentinela,
    Diluído e fragmentado,
    Esquecida está a sua fala.

    O impessoal precisa ser levado em conta,
    Desponta na escuridão,
    Doando-se.
    Déjà-vu…

    Encontro com o inesquecível,
    Perdido no vazio.
    Solidão…
    De rara e inesquecível beleza.

    Inesquecível beleza,
    Beleza rara,
    Destemida,
    Incompreendida.

    Ao destino, falo o que sinto,
    Falo o que omito.
    Desisto de falar porque me envergonho.
    Diante da realidade, apenas me comovo.

    São falas como essas que me aprisionam.
    Me sinto deslocado.
    Enfurecido estou, agora
    Perdido no tempo.

    Divago…
    Nos tumultos existentes, me desaguou.
    Na interminável exploração, eu reflito.
    Desisto, enquanto sinto.

    O impronunciável volta a se pronunciar
    No andar leve,
    No olhar sedutor.
    Fala-se o que não se pode falar.

    Beleza irradiante.
    Comovido, escorrem lágrimas.
    São lágrimas que não podem ser faladas,
    Falas que não podem ser sentidas.

    Discurso ofegante.
    Divago no presente ausente,
    Nas lutas perdidas,
    Dor dos abraços não correspondidos.

    Loucura…
    Mortandade…
    Funeral dos sentimentos.
    Loucura sentida.

    Sentimentos reprimidos
    Do que não pode ser falado.
    Dor…
    Deslocado estou no desejo.

    Imperfeito,
    Do mundo interior me escondo.
    Me abstenho dos desejos,
    Desejos imperfeitos.

    Impronunciáveis são os meus desejos,
    Distorcidos e incompreendidos,
    Desejos retidos,
    Encarcerados pelo sentido.

    Me encontro divagando em meus pensamentos.
    Desejo…
    Do falar impronunciável,
    Carcereiro dos meus atos.

    No auge do amor, me entrego.
    Destino traçado.
    Imparável!
    No demais, deixem o amor falar, se expressar.

    Carlos de Campos
    Foto por Alexander Grey em Pexels.com
  • Luta para encontrar um relacionamento

    Luta para encontrar um relacionamento

    Sem amor, caminhamos
    Sem compromisso, continuamos
    O que pensamos sobre isso?
    Relação extinta.

    Relacionamento saudável é o que buscamos
    Na margem dos relacionamentos fluidos, é onde estamos
    Sem nada entender, permanecemos
    À sombra da ilusão, nos encontramos.

    À margem do descaso
    Dos que ostentam
    Delírios e desesperos,
    Observo que o fim está próximo.

    Relação conturbada,
    Compromisso esquecido,
    Desolado anda o amor,
    Perdido pela estrada.

    Carlos de Campos
    Foto por Ton Souza em Pexels.com
  • Boas e más notícias

    Boas e más notícias

    Numa tarde qualquer, um homem desorientado, embriagado por mágoas. Longe dos olhares que o condenam, pessoas iguais a mim. Sou cão sem dono, sem princípios. Aos homens como eu, digo apenas uma coisa: tudo é tempo. Tempo que passa, que passa longe de mim. Nada melhor que o tempo para nos curar.

    Carlos de Campos

    Foto por Meshack Emmanuel Kazanshyi em Pexels.com
  • Minhas lembranças

    Minhas lembranças

    Memória distante,
    Distante de tudo,
    Distante da própria realidade,
    Olhar ausente.

    Hoje, me recordo
    Que estive distante por muito tempo,
    Cansado de tudo, esqueci
    Das memórias, me perdi.

    Não existe realidade no esquecimento,
    Onde as memórias se perdem.
    Até o esquecimento se esvai;
    Em frações de segundo, não existe mais.

    Motivado pela ilusão,
    Sigo no controle do meu esquecimento,
    Das memórias vazias.

    Nossa tranquilidade vive abalada.
    Distante da realidade, sou um perigo,
    Letal no esquecimento.

    Carlos de Campos
    Foto por Pavel Danilyuk em Pexels.com
  • Me dê o que me tiraram

    Me dê o que me tiraram

    O limite fomenta a decadência,
    Deteriorando qualquer relação.
    A pessoa precisa se expressar,
    Dialogando com outras realidades.

    Vi na fila da vida
    Desejos incomunicáveis,
    Desejos que eram meus.
    Incomunicável sou eu.

    Sou delírio à flor da pele,
    Que repele todos à minha volta.
    Voltas que não voltam mais,
    Sigo dando essas voltas que não voltam mais.

    Hoje sou só mais um errante,
    À deriva de uma vida ferida.
    Lobotomizado de qualquer esperança,
    Disfarçada com muita elegância.

    O meu universo é uma realidade paralela,
    Que diariamente vai sendo tensionada.
    Me deem um dia de paz,
    Tenho lutas para lutar em minha cabeça.

    Quando nada mais fizer sentido,
    Deitado quero estar.
    Enquanto sou mergulhado em minha lucidez,
    Me dê só mais um dia de paz.

    Carlos de Campos
    Foto por Pavel Danilyuk em Pexels.com
  • Por que é importante saber?

    Por que é importante saber?

    Importa saber quem é você?
    Que segue vivendo no anonimato?
    Não quer saber por quê?
    Sabe de uma coisa, não quero saber.

    Hoje é só mais um dia normal
    Diferente dos outros que vivi
    Mas, hoje, em especial, é só mais um dia qualquer
    Que em sua normalidade me ensina a viver.

    Dias normais que passam
    Na exaustiva frustração
    Esperando que uma solução venha
    O que só espera nunca vem.

    Importa saber se vou vencer na vida?
    Distante do sucesso, sigo a minha trajetória
    Vida silenciada pela falta de oportunidade
    Hoje é só mais um dia comum, o que importa saber?

    Importa saber por onde o destino está me levando?
    As escolhas que fiz e faço, por onde me levam?
    Que futuro ando construindo?

    Hoje ando sem rumo
    Distante da solução, permaneço
    Nesse dia qualquer, me encontro perdido.

    Carlos de Campos