Tag: Memória e Poesia

  • Nada mais é como antes

    Nada mais é como antes

    Levo o amor marcado em meu peito,
    Um rastro imenso de ausência.
    O coração geme de saudades
    De um amor sem fim.

    No auge do seu distanciamento,
    Só me restou a companhia das lágrimas e do silêncio,
    Das memórias que ficaram eternizadas em meu ser.
    Posso ainda sentir sua presença.

    Esses são momentos de uma história ainda não resolvida,
    Complexa em diálogos ainda não ditos.
    Das incapacidades de ceder,
    Quem nisso tudo lamenta é o amor.

    Lágrimas, dor, ausência,
    Sentimento profundo de vazio,
    Cheio de lamentação.
    Sem beijos e nem mais abraços.

    Estava imerso em preocupações, eis minhas desculpas,
    Nada justifica o abandono que lhe causei,
    Nas ilusões em que te fiz acreditar.

    Desejo que, onde estiver, esteja se realizando
    Com sua presença marcante.
    Espero que esteja feliz.

    Carlos de Campos

    Foto por Eva Bronzini em Pexels.com
  • Vazio Fluido

    Vazio Fluido

    Minha cabeça está cheia,
    Cheia de vazio,
    Fluido vazio.

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    Fluid Void

    My head is full,
    Full of emptiness,
    Empty fluid.

    Carlos de Campos
  • Moedores de Almas

    Moedores de Almas

    Moedores moendo vidas
    Enquanto coçam suas feridas
    Dia após dia
    Enfrentam sem disciplina.

    Dia após dia, sem medo nem ilusão
    Discorrem sobre a solidão
    Dia após dia, querendo o que não se pode
    Seguem a dura insatisfação.

    Imperfeitos como a solidão
    Se desfazem em lágrimas
    Que lavam…
    Sem qualquer restrição.

    Deixam limpo
    Imperfeitos como era de se esperar
    Cabeças cheias de vento
    Levam a sujeira para debaixo do tapete.

    No submundo existe esperança
    Entre um abismo de discordância
    Fragmentada na realidade distorcida.

    Triturada em vidas passadas
    Sentida no pulsar revigorante
    Caminha para viver o que sentiu.

    Carlos de Campos

    Foto por Aleksandr Burzinskij em Pexels.com
  • Imerso na rotina me vejo

    Imerso na rotina me vejo

    Lê!
    Os textos divinos,
    Pergaminhos perdidos,
    É sobre sua salvação.

    Imerso na calmaria,
    Suavidade nos pensamentos,
    Desajustado pela existência,
    Na própria mágoa.

    Finalmente cheio de si se vai,
    Para bem longe se esconde,
    Está onde deveria estar,
    Bem longe de si mesmo.

    Enfim, o sol se põe,
    E com ele, a fé em Deus.
    Dor é o que sinto
    Da tua ausência; é como vivo.

    Leia o livro sagrado de tua vida,
    Com muita atenção, leia.
    Ler é o melhor caminho para a solução.

    Ouve, é a voz da consciência,
    Dádiva da vida.
    Leia, é calmo, é leve e transformador.

    Carlos de Campos


    Foto por Steve Johnson em Pexels.com
  • Minutos para ser feliz

    Minutos para ser feliz

    Fizemos cada passo dar certo,
    Diluímos nossas resistências.

    Inundamos nossas mentes e corações,
    Deitando bálsamo em nossas feridas.

    Fingimos ser quem não somos,
    Cada um deixando-se levar.

    Minuto a minuto se vai o dia,
    Um dia para se estar bem.

    Hoje e só hoje estamos aqui,
    Plenamente presentes.

    Esse movimento em mim me faz feliz,
    Me sinto mais leve neste dia.

    Carlos de Campos

  • Presença Amiga

    Presença Amiga

    Já é tarde, o medo vem,
    Mas não precisa ter medo.
    Estamos aqui para te proteger,
    Segure minha mão, não tema.
    Deixe-me ficar aqui com você,
    Meu refúgio está nestas palavras.

    Carlos De campos

  • Mostre sua dor

    Mostre sua dor

    Vivo longe de casa
    Distante dos meus familiares
    Vivo na esperança de um dia revê-los
    E poder abraçá-los.

    Mostre suas feridas
    Cada vez mais doloridas
    Sangrentas
    Malcheirosas.

    Mostre sua dor
    Dor da ausência
    Dos afetos não correspondidos
    Dor da fragilidade.

    Dor, sangue e vida
    Desejo não alcançado
    Tudo e nada ao mesmo tempo
    Dor, desejo e sangue.

    Mostre seu desejo de sangue
    Sangue que corre pela vida
    Vida, dor e medo.

    Espero por tua ausência
    Na dor escorre vida pelas veias
    Na ausência do teu abraço, fica a solidão.

    Carlos de Campos
  • Ver é um ato de humildade

    Ver é um ato de humildade

    O mistério não é nada além de cegueira
    Quem está disposto a ver simplesmente enxerga
    E, enxergando, reconhece sua beleza.

    Carlos de Campos
  • Na beleza encontro a minha realidade

    Na beleza encontro a minha realidade

    Indo para São Paulo, me deparei com você, toda a beleza encarnada em uma só pessoa, em um só lugar, em uma só personalidade. Tudo o que eu conseguia fazer era ficar ali, admirando. Naquele ônibus, tudo passou a ser mágico.

    João era um amigo muito próximo. Ao perceber que toda a minha concentração estava naquela mulher, João me cutucou e sugeriu:

    • Vai só ficar olhando ou vai se levantar para falar com ela?

    Não sei por que, mas me faltava coragem.

    • Daqui a pouco eu vou – respondi a João, sem tirar os olhos dela.

    Pensava no que falar, como me comportar e como poderia disfarçar minha timidez quando fosse falar com ela. A timidez tinha tomado conta de todo o meu ser naquela altura. Não queria ser mal interpretado.

    Tudo naquele momento me parecia difícil de executar. Não entendia o porquê, mas só me sentia inferior diante dela, diante da beleza que a personificava. Por que a considerei bela demais para mim? Como eu poderia ter evitado essa conclusão?

    Quando resolvi me levantar para ir até ela, meu despertador começou a tocar. Precisei, então, me levantar para ir trabalhar.

    No final das contas, a minha vida, a minha realidade é essa: durante o dia, trabalhar tanto que sou incapaz de identificar o rosto de alguém; à noite, o que me resta a fazer é sonhar e, no sonho, desejar ver, tocar, sentir o belo que existe para ser vivido e que não consigo.

    Carlos de Campos

  • Quem planta amor colherá discórdia

    Quem planta amor colherá discórdia

    Me impressiona a cada momento
    O desejo de não desejar ser mais feliz
    Momentos que foram tão insignificantes
    Exilado em meus tormentos.

    Desejos insignificantes
    Me fazem sofrer pelo caminho
    Demolindo o pouco de paz que tenho
    Diga-me o que é ser feliz?

    Minha vida é um balde de água fria
    Distante do fogo do amor
    Faço as pessoas ficarem mais longe de mim
    Sou frio, minha alma é gelada.

    Vá até o fogo e se jogue
    Permita que a água se aqueça
    Que a vida triste seja transformada em alegria
    Dando lugar a novos afetos do amor.

    Tudo o que o amor é, é porque eu permiti
    Para que o amor aconteça, é preciso aceitá-lo
    Reconhecendo sua total dependência.

    O momento é de muita paz
    Desejos direcionados para o amor
    Estou disposto a plantá-lo e colhê-lo?

    Carlos de Campos