E o que encontro pela estrada da vida? Encontro a companhia de quem não quero. Quero o imperativo do desejo, Do querer estar em sua companhia.
Quem quis o que não podia ter? Quem, diante do medo, não se expõe? Ninguém sabe o que deseja realmente; O que queremos, muitas vezes, é obscuro.
Indo ao encontro da sorte, Dos milagres oportunos que a vida reservou Aos pobres desantenados, Bem quis a vida que nós nos encontrássemos.
Em meu teatro de oportunidades, Do baixo ao mais baixo da vida, Na difícil tarefa de amar, Os encontros obscuros.
Um fiel escudeiro do amor é o que sou, Do amor que promove o encontro e o desencontro. Dentre segredos guardados a sete chaves, O amor é com quem não quero estar na estrada.
A nossa fidelidade busca compromisso, Impossível para os dias de hoje, Insustentável, para dizer o mínimo. A nossa fidelidade é vacilante.
Imagine o fluxo do desejo, O preocupante demônio, As fábulas inventadas para te seduzir, Percorrendo, dia a dia, o seu corpo.
Em cada corpo existe um segredo Que anseia ser descoberto, Que precisa ser manipulado com as mãos. Não beijo o lábio que guarda este segredo.
Na verdade, o segredo busca ser revelado. É trabalhoso, essa busca. O que nos aguarda é muito prazeroso. A postura valente de quem busca sempre é recompensada.
Mova o lacre! E perceba o destino sendo traçado, As leis naturais se organizando. Ali embaixo existe sempre um mistério a ser descoberto.
Negar é trair o outro, É ser infiel aos desígnios naturais. Dose apurada do mais puro desejo — Sórdido é ter que continuar a guardar esse segredo.
Carlos de Campos
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