Os sonhos foram destruídos Como as nossas memorias de infancia Uma a uma se vão Sem paz observo no escuro.
Moedores de esperança Triunfam sobre as nossas cabeças Desacreditada Maldito és tu capitalismo.
O que somos? Além de artefatos para gerar riqueza alheia Somos os sonhos que foram destruídos Somos quem vive por viver.
Em um mundo onde as cartas já estão marcadas O que somos além da memória? Uma parcela enorme que vive de barriga vazia O que somos além de assalariados?
O peso que carregamos em nosso viver É a consequência de um tempo indomável, Do querer e não conseguir mais. É o tempo que passa, meu amor.
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É a memória que falha, A voz que se cala, Os pés que já não sustentam mais. A cada segundo, eu me esqueço de você.
O peso que sustento É o peso do tempo, Da tua história. Cadê o meu rosto jovial?
As forças vão se acabando, O fim implacável. O peso é pensar sobre o meu fim, De uma história que me foi generosa.
O tempo voa. As emoções emergem da mente subterrânea. O sentimento de que não vivi como deveria ter vivido é lancinante, Toma a minha mente por inteiro.
O medo é avassalador. Sou colocado diante da minha verdade. Do que mais eu temia pode vir a acontecer. É o tempo quem me avisa.
O caos e a vida coexistiam. A vida se fortalecia em meio ao caos. O caos se intensificava na medida em que a vida existia. Caos e vida: um depende do outro.
Tudo o que existe hoje vem do caos. Está vivendo em pleno caos e para o caos voltará. Somos a plenitude do caos.
De cada sensação de equilíbrio, o caos vai se movimentando e existindo. O caos é a força causal da vida. É o poder central do que vemos e somos.
O caos é o nosso criador. É quem gera a nossa energia vital. O caos é o elemento primordial de tudo o que existe. Existir é ser caos.
É por isso que não existe a perfeição, apenas o aceitável. Tudo, neste exato momento, está fervilhando na essência do caos, até este poema que você lê é feito de caos.
Tua grandeza é assustadora Teus princípios são reveladores Já és quem, em tua busca, se propôs ser.
II
Interiormente evoluído Dom supremo Inigualável O mundo não te conhece Ou melhor: O mundo ainda não te conhece. Dá ao tempo o tempo de maturação. Os frutos já sobrecarregam os vinhedos. O tempo da colheita já se anuncia. É tempo de colher prosperidade. E que os próximos anos sejam abundantes. Lá no vinhedo, é possível ver Com que força vai se irrompendo O amadurecimento dessas belas uvas. Mesmo ainda no processo de maturação, É possível sentir, a quilômetros de distância, Nitidamente, O doce suave desses frutos. Incontável será essa colheita. Mostra, com orgulho, essa tua produção Logo as uvas amadurecem, Mas já era possível constatar Com que força e beleza vêm sendo os seus versos. Com que força podemos constatar? Chegou onde chegou E como chegou: Só quem o caminho fez a cada dia Tem em si a plenitude da certeza De que o tempo da colheita chegou. E com ele chegaram também A prosperidade, o reconhecimento e a abundância. Nos pés de cada saborosa uva Surgem também Preciosos e delicados poemas, Como flores que nascem em um jardim Para embelezar a nossa visão. Dê uma última olhada Para o seu passado sombrio E tenha a certeza De que para lá você nunca mais vai voltar. Olhos fixos agora para o horizonte, Para o mais belo horizonte de sua vida.
III
Célebre em sua alma Esse dia que é para ser recordado Individualmente e coletivamente. Teus são os esforços. Cultivou a terra dura Com disciplina e harmonia. Cultivou… Dias, meses, anos. Cultivou… Sem perspectiva alguma. Continuou… Cultivando a terra dura. E agora, nada é mais justo Do que a vitória seja celebrada Com poemas Que emergem da alma, Da alma que, mesmo ferida, Continuou o cultivo da vinha.