Tag: memória

  • Apresente uma ideia

    Apresente uma ideia

    No fim do começo,
    Distante de um começo,
    O pensamento se desfaz
    Diante dos meus olhos.

    Início do fim,
    Os meus pensamentos não existem mais.
    O que foi que aconteceu aqui?
    Desencadeou o que não se queria.

    Leia o que não se escreve,
    Escreva o que não se pode ler.
    O fim é só mais um começo,
    E nada começou de um fim.

    Início e meio,
    Tudo reunido em um fim.
    Histórias em histórias,
    Tudo percorrendo o mesmo fim.

    Mas nem tudo é sobre você,
    Sobre o seu destino,
    Equivocado e incompreensível.
    Tudo é sobre a existência de um fim.

    Tudo e nada nos afeta,
    Nem o começo do fim,
    O fim de tudo que teve um começo.
    Tudo e nada não são o que aparentam ser.

    Carlos de Campos
    Foto por Pixabay em Pexels.com
  • O lendário medo de ter tempo

    O lendário medo de ter tempo

    Meu mundo muda e fica mudo
    Dialogam…
    Entre um e outro existe um espaço de tempo
    Tempo…

    O tempo dialoga com o meu mundo
    Um mundo que fica mudo
    O tempo requer espaço
    Intervalo…

    No intervalo de tempo existe o meu mundo
    O mundo que fica mudo
    Explosões sensoriais
    Dentro do meu mundo que fica mudo.

    Olha no meu mundo
    Delícia…
    Existencial…
    Olhar antinatural.

    Demasiadamente obsoleto
    Olhar comportado, desconfiado
    Confinado no ar
    No meu corpo.

    Instinto condenável
    No ar congestionado
    Corpo inteiro
    Desejo escondido.

    Meu mundo é um labirinto
    Lá existe um labirinto escuro
    Um mundo de labirintos escuros
    O tempo é no labirinto.

    Lá, o tempo fica mudo
    Sem o tempo, tudo fica insosso
    Labirinto…
    No mundo distante e escuro…

    Meu mundo é um mundo de desejos
    Enrolado em papel cor-de-rosa
    Dá nuances
    Prefiro um labirinto cor-de-rosa.

    Jovem cheio de energia
    De nuance, prefiro a cor da pele
    Mundo cheio de labirinto
    Cai a bolsa e tudo tem um novo aspecto.

    Me deixe ir
    Soltar a pipa
    Debaixo daquele aquário
    Que laboriosamente foi esculpido.

    Com o sangue cor-de-rosa
    Meu mundo é um labirinto escuro
    Fechado…
    Escuro…
    Ainda é o meu mundo mudo.

    Meu mundo é um mundo mudo
    Estrela no céu brilha no escuro
    Mudo é como me sinto
    Lá existe um medo existente.

    O meu medo está no labirinto
    No labirinto escuro
    Isto é assustador
    Um labirinto que causa tanta dor.

    Medo…
    Tempo do medo
    Escuro do medo
    Delícia…

    Mundo do medo
    Do tempo
    Lá existe o tempo do medo
    Medo do medo.

    Existe o medo da existência
    Para a sobrevivência
    De soberba
    Sua mania do tempo.

    Existe o medo da existência
    No mundo mudo
    Quem sobrevive é porque tem medo
    Medo de um mundo sem tempo.

    Carlos de Campos


    Foto por Tom Fisk em Pexels.com
  • Educar com a própria vida é um ato de amor

    Educar com a própria vida é um ato de amor

    O caos na sociedade é fundamental para fomentar o ódio e produzir instabilidade política e econômica. Normalmente, nessas situações, a população é usada como “massa de manobra”.

    O que ninguém diz é que existe uma pequena parcela privilegiada da sociedade que lucra com uma sociedade em constante convulsão.

    “Massa de manobra” é um termo que se usa para dizer, de maneira pejorativa, que alguns indivíduos que compõem a sociedade não são capazes de tomar suas próprias decisões e acabam sendo instrumentalizados por grupos políticos, ideológicos ou midiáticos.

    O que precisamos entender é que existe, dentro de uma sociedade, diferentes grupos. E que esses grupos são compostos por pessoas — pessoas que carregam dentro de si uma ideologia, uma paixão, um desejo; alguns nobres, outros um tanto obscuros.

    O que quero dizer aqui é que as pessoas são essencialmente feitas de escolhas. Escolhas que constantemente estão se confrontando. Em uma sociedade plural, em que se respeita a liberdade de se expressar, de ir e vir e de ser quem você deseja ser, isso é totalmente aceitável.

    O que falta à sociedade brasileira para que essas escolhas de ideias divergentes se mantenham no ambiente do respeito? Como indivíduos, o que podemos fazer em nossa realidade cotidiana para que essa mentalidade bélica, em um diálogo saudável, encontre pontos comuns?

    Não existe uma receita pronta. Não existem maneiras de conciliar tudo e todos ao mesmo tempo. Não existe uma sociedade que possibilite essa tal paz constante e permanente. Não somos santos nem demônios; somos apenas pessoas tentando um lugar ao sol.

    O que, então, é fundamental e eficaz para que, pelo menos, tenhamos uma sociedade com indivíduos emocionalmente maduros e que sejam capazes de debater ideias e se manter no campo das ideias e do respeito mútuo?

    Educar — mas não educar somente com informações e formações. Conteúdos que, muitas vezes, entram por um ouvido e saem pelo outro, que não encontram ressonância no coração das pessoas por não terem ressonância com a realidade.

    O que é essencial em toda educação de excelência é o educar a partir do próprio exemplo. As pessoas, de modo geral, têm dificuldade de se colocar como exemplo; não se sentem confortáveis com esse método por não acreditarem que sua vida pode acrescentar à vida do outro ou que a educação de qualidade está atrelada somente a comportamentos impecáveis.

    Educar com a própria vida é usar tudo o que você tem e é como matéria-prima. Educar com a mentalidade ecológica, sabendo que tudo em nossa vida está em um constante processo de reciclagem e que sempre estamos em movimento.

    Ninguém nunca estará pronto, acabado e perfeito para ser capaz de educar o outro. E, se formos esperar essa tal perfeição, nunca seremos, de fato, um verdadeiro agente de transformação social, por meio da educação — esteja onde você estiver. Educar o outro é também uma autoeducação.

    O que a sociedade precisa hoje é de pessoas que se sintam educadoras, que, com seu exemplo, iluminem os caminhos das massas para que essa massa rígida passe a ser leve e macia. Educar é acrescentar à sociedade o fermento da sobriedade, da leveza e da paz.

    No fundo, no fundo, todos nós buscamos a paz em nossos corações, em nossas vidas e em nossa sociedade; buscamos ser e experimentar a reconciliação conosco e com o outro. Que hoje, em sua vida, seja o tempo de reconciliação e pacificação.

    O mundo e nossa vida estão intrinsecamente conectados. O que o mundo sofre com ódio é porque ainda estamos armados de ódio. O mundo só reverbera aquilo que somos e quem somos.

    Janela aberta para novas perspectivas e de fôlego renovado para continuarmos o que sempre será necessário e fundamental: educar com a própria vida — em nossa casa e em nossos convívios sociais. Educar com a própria vida para que vidas sejam melhoradas e transformadas em sua essência.

    Carlos de Campos

    Foto por thevibrantmachine em Pexels.com
  • Deus e nossas incongruências 

    Deus e nossas incongruências 

    Move-se em direção ao desconhecido — esse é o principal fator que leva o ser humano a olhar para além de si mesmo e de sua vida cotidiana. 

    Deus, quem é Ele? Onde Ele existe? Essas são duas simples questões, entre outras milhares, que de alguma forma pairam na vida de qualquer ser humano, de qualquer raça, crença ou posição social.

    Pode ser que você nunca tenha duvidado da existência de Deus, mas, sem sombra de dúvida, é certo que todos nós — uns mais, outros menos — tenhamos feito algum tipo de questionamento a nós mesmos sobre a existência de Deus em algum momento de nossa vida.

    Em um mundo repleto de ilusão, de carências de todas as formas e maneiras às quais estamos submetidos… Em um mundo onde o ser humano vive a maior parte de sua vida empreendendo fugas de algum tipo de injustiça…

    É legítimo e natural que o ser humano busque refúgio em uma força superior, mesmo que essa força não tenha sua atuação comprovada em prol da humanidade.

    O que mais incomoda o ser humano, de modo geral, é ter a percepção de que está, de fato, sozinho — e que toda a sua vida só está sendo garantida graças à sua própria força e dedicação ao trabalho. 

    E que, até o presente momento, nenhuma força sobrenatural tenha, de alguma forma, contribuído de maneira solidária para que sua vida tenha uma caminhada um pouco mais leve neste mundo de lágrimas, dor e injustiça, com alguns relances de alegria.

    O que mais frustra o ser humano em seu íntimo é ter a certeza de que não tem a certeza de que recebeu — ou recebe — o auxílio, em sua vida, de alguma força superior.

    Carlos de Campos

    Foto por Vikash Singh em Pexels.com
  • Arte de ser arte

    Arte de ser arte

    O tempo e a vida
    Suaves se confraternizam,
    Indo e desatando.
    Sou, como dizem, artista.

    Partindo, já não volto mais,
    Fiel à sua dor.
    Sou o que dizem: artista.

    De maneira envolvente,
    Escuto a voz que me fala ao coração.
    Dos dias tortuosos,
    Me revela as soluções.

    Desejos ocultos me dominam;
    Desde o amanhecer, me influenciam.
    Sou o que dizem por aí: artista.


    Leveza de artista,
    Filarmônica do destino,
    Ilustre desconhecido,
    Sou artista!

    E o que sinto fica pulsando em meu peito.
    Borboletas sobrevoam minha cabeça
    E, com arte,
    Revelam a minha arte.

    Carlos de Campos

    Foto por Alexander Zvir em Pexels.com
  • O teu olhar

    O teu olhar

    O teu olhar me fascina
    Desejo incompreendido,
    Instinto primitivo,
    Mergulho na alma.

    O desejo desorientado,
    Falange de vozes atordoadas,
    Impróprio para os que confiam.
    De ilusão a ilusão, vive-se uma ilusão.

    Não existe medo em meu coração,
    Nem a mais doce imaginação.
    Na minha carcaça, não existe alma,
    Só existe sombra e lamentação.

    Ímpeto repleto de vontade,
    Possuído por reles manifestações
    Que vêm do mergulho que faço
    Na fossa do meu ser.

    Dominado por uma breve lucidez,
    Tomo um susto!
    Ao ver o mundo entregue às traças,
    Uma sociedade falida.

    O delirante modo de vida que me convida,
    Estar afogado em meus problemas
    Impede que eu veja o milagre do vislumbre das cores.
    Dos tempos que se passaram, constato que nada mudou.

    Carlos de Campos

    Foto por Paweu0142 L. em Pexels.com
  • O corpo quer nos falar

    O corpo quer nos falar

    O momento é de cuidado especial com o que você tem de mais precioso em sua vida, que é o seu corpo. Contemple o seu corpo, ame o seu corpo como ele é — nem mais, nem menos.

    O teu corpo é um templo de todas as suas expressões; é por ele que nós nos comunicamos a maior parte do tempo consigo e com o outro. Nosso corpo é nosso comunicador por excelência.

    O seu corpo fala com os outros e, principalmente, fala com você — fala o tempo todo. Por vezes, descomplica a sua vida, te protege de todo o mal, te leva ao amor. O nosso corpo é o nosso pedagogo, que nos pega pela mão e nos conduz com segurança.

    O problema é que pouco ou nada damos de atenção ao que o nosso corpo tem a nos dizer. É preciso ouvir atentamente e diariamente o que o nosso corpo nos fala. Ouça o que ele te diz, agora.

    Carlos de Campos

    Foto por Cliff Booth em Pexels.com
  • Sonho lúcido de uma vida de fantasia

    Sonho lúcido de uma vida de fantasia

    Os sonhos se realizam,
    Desejos se manifestam,
    Impulsionando sua vida —
    Vida vivida com prazer.

    Nos desejos escondidos,
    As conexões vão acontecendo;
    Os delírios dão espaço às certezas,
    Certezas de que tudo se encontrará.

    Ouço o movimento,
    O universo do caos
    Encontrando o seu equilíbrio —
    Em silêncio caminha.

    Movimento em movimento,
    A energia é concentrada,
    Os impulsos direcionados,
    O milagre acontecendo.

    Água em seu corpo,
    Fluidos universais
    Dialogam com o amor —
    A densidade é pacificada.

    O silêncio da mente é essencial:
    Ouvir, no silêncio, os movimentos,
    Que a certeza não nos desapontará
    Tudo, com amor, acontecerá.

    Carlos de Campos


  • À meia-noite, a carne em festa

    À meia-noite, a carne em festa

    Sou um ser letal,
    Distinto de outros animais,
    Um anjo que esconde o demônio,
    Impelido por impulsos flamejantes.

    Em noite de lua cheia, sou predador.
    Não vire as costas para mim.
    Enjaulada encontra-se uma fera,
    Contida, vive na tristeza de sua jaula.

    Os desejos desajustados
    Perseguem a sua carne,
    Desfrutam de sua energia inconsciente,
    Querem sangue para beber.

    Noite de lua cheia.
    Sai para os becos escuros,
    À procura de sangue fresco,
    Canibal em tempo de desespero.

    Carlos de Campos


  • Tudo passa, a temperança prevalece

    Tudo passa, a temperança prevalece

    Sou o fracasso resplandecente,
    Os dias indigestos de um vagabundo,
    Desejos honestos, irrealizáveis,
    Perturbações que desorientam,
    Falido até na certeza.

    Fugiria, covarde que sou,
    Com diligência encontraria um buraco.
    Sairia com a calça nas mãos,
    Sem vergonha, nu me apresentaria.
    Diante da vida, aceitaria.

    Tudo é passageiro,
    Permanece a temperança,
    O lastro contagiante da vitória.
    Extraordinários serão os seus dias —
    Que tudo fez, e hoje está aqui.

    Carlos de Campos