Impiedosa é a vida
Ímpeto.
Capaz de dominar a mente
Destruir a paz
Banalizar a maldade.
Destruir o amor
Desligar-se da realidade
Debater-se em delírios
Dominado pela impiedade.
Perdido em pensamentos
Interiormente atormentado
Cada dia marca um novo passo
Longe do bom senso.
Em tempos atordoados
Corridos e frustrados
Em pleno declínio
Acabado no egoísmo.
Impiedoso e delirante
Levado pela onda
Trava-se mais uma luta
Uma luta interna e decisiva.
Procuro na escuridão
Uma simples fagulha
Para, quem sabe, aquecer
O que a vida fez questão de esquecer.
Carlos de Campos
Olhar para si
Momento bem angustiante
Escuro e muito frio
Nada vai pra frente
Difícil sair do lugar.
Vida sem perspectiva
Que tirou tudo
Deixando só rancor
Sou quem menos importa.
Impedido pelo próprio inconsciente
De fluir livremente pela vida
De ocupar o lugar que é meu por direito
Boicotado de ser alguém.
O que é mais importante no mundo
É quem podemos manipular
Os que tudo aceitam sem reclamar
Vidas ferrando outras vidas.
Em cada novo amanhecer
Vencer se tornou um projeto de vida
É necessário romper com o sistema
Que quer e nos mantêm presos.
Daqui por diante, viverei no amor
Na alegria de simplesmente estar vivo
Pela gratidão que me consome todo dia
Pela alegria de estar vivo.
No dia a dia, me colocar na busca
Sempre ser o melhor no que faço
Nada de fazer só para agradar alguém
Sempre fazer o que me provoca o bem-estar.
Olhar para dentro de si
Com olhos de compaixão
No cuidado pessoal
Cuidado de quem tem amor-próprio.
Carlos de Campos
Humanidade desumana
Humanidade
É pensar no bem-estar de todos
Que foram deixados para trás
Com fome, sede, desabrigados e com frio.
Desumanos
São aqueles que pensam só em si
Deixando os cadáveres pelas estradas
Punindo os que já não tem mais nada a perder.
Os que mortes provocam
Os que, de alguma maneira, punem os que já sofrem
Dando aos ricos excêntricos, o sangue e a dor da população.
Mandem os pobres se aproximarem
Não esqueçam de mentir
Somos pobres, não ignorantes.