No cárcere desta longa solidão, alimento-me do medo, na embriaguez de minhas palavras, do ódio que alimento no canto mais frio da alma.
Os cadáveres me assombram todos os dias. Esqueletos são as minhas companhias. Noite fria, nua, me seduzindo. Mergulho em mim.
O que esperar desta solitária prisão? Dos dejetos que se acumulam em minha alma? Da sombria decisão da vida? O que devo esperar dos abusos que sofro aqui?
Tudo é tão gelado, sem dia para terminar. Nesta cela fria, eu me vejo. Encorajo-me a ser só solidão.
Perder-me em você em noites frias como a de hoje. Perder-me em sua história, história de um dia encoberto pela noite. No caos, é como me encontro — encontro-me sozinho.
A noite está fria, sigo em claro, pensando na saudade que vou sentir. O tempo aqui passa devagar, quase inexistente na velocidade de um conta-gotas. Lugar frio onde constantemente paira o cheiro de morte, bom para morrer de qualquer infecção pulmonar. Vou parar de escrever porque chegou a minha vez.
Noite fria
Noite fria
Cansado de olhar pra paredes
Vários dias sem dormir
Dias sem viver.
Noite fria
Congelada está a alma
Alma que perdeu a alegria de viver
Viver sem dormir.
Noite fria
Vidas sem alma
Futuro sombrio.
Noite fria
Sem mística
Noite sem esperança.