O nascer é vida que se renova, são reflexões que nos incomodam, é a natureza que vence a nossa vontade. Cada vida que existe nasce para si mesma.
Prometeu o amor. O amor não veio. Nascer é saber ser ferido em sua vulnerabilidade reprimida.
A vida é uma dádiva para quem vive nas mansões dos ricos, para quem é acudido ao menor dos gemidos. O nascer de um pobre é violento.
É dependente da esmola alheia, é grito de fome de milhões de desnutridos, é a incapacidade de olhar para o lado, é a morte que nos é apresentada desde o começo.
Os delírios de grandeza Ecoam em minha alma Eclodem em mim A minha essência marginalizada.
Essa é a minha verdade É a verdade que compõe a minha história Essa é a minha alma A alma de um marginal.
Sou o que não nasci para ser Sou o fruto da violência familiar Sou o descaso das políticas públicas Sou o que me instigaram a ser.
É ilusão, e está errado, Atribuir à minha alma marginalizada Como único culpado. Todos nós somos responsáveis.
Estou sendo julgado por sua omissão Por meus delírios de grandeza Pela corporativização do sistema Por meu endereço, minha cor e minha conta bancária.
Grande será o dia Em que justo será o julgamento Em que meus delitos, e só os meus delitos, serão julgados. Até que isso aconteça, continuo sendo só mais um marginal.