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  • Livro 10: O poder da morte: nascer, viver e morrer (Poema 01/150)Nascer é como o sol da manhã acariciando as plantinhas

    Livro 10: O poder da morte: nascer, viver e morrer (Poema 01/150)
    Nascer é como o sol da manhã acariciando as plantinhas

    É belo esse momento:
    o nascimento de uma pessoa,
    o existir no berço da Terra de Santa Cruz.
    É mistério quem nos envolve.

    O momento nos pede celebração,
    uma festa bem animada,
    que hoje tragamos em nossos corações só a alegria,
    de espaço somente para o amor.

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    O nascer é vida que se renova,
    são reflexões que nos incomodam,
    é a natureza que vence a nossa vontade.
    Cada vida que existe nasce para si mesma.

    Prometeu o amor.
    O amor não veio.
    Nascer é saber ser ferido
    em sua vulnerabilidade reprimida.

    A vida é uma dádiva
    para quem vive nas mansões dos ricos,
    para quem é acudido ao menor dos gemidos.
    O nascer de um pobre é violento.

    É dependente da esmola alheia,
    é grito de fome de milhões de desnutridos,
    é a incapacidade de olhar para o lado,
    é a morte que nos é apresentada desde o começo.

    Carlos de Campos

  • Um marginal é só mais um marginal


    Um marginal é só mais um marginal

    Os delírios de grandeza
    Ecoam em minha alma
    Eclodem em mim
    A minha essência marginalizada.

    Essa é a minha verdade
    É a verdade que compõe a minha história
    Essa é a minha alma
    A alma de um marginal.

    Sou o que não nasci para ser
    Sou o fruto da violência familiar
    Sou o descaso das políticas públicas
    Sou o que me instigaram a ser.

    É ilusão, e está errado,
    Atribuir à minha alma marginalizada
    Como único culpado.
    Todos nós somos responsáveis.

    Estou sendo julgado por sua omissão
    Por meus delírios de grandeza
    Pela corporativização do sistema
    Por meu endereço, minha cor e minha conta bancária.

    Grande será o dia
    Em que justo será o julgamento
    Em que meus delitos, e só os meus delitos, serão julgados.
    Até que isso aconteça, continuo sendo só mais um marginal.

    Carlos de Campos
    Foto por RDNE Stock project em Pexels.com