Toda escolha exigirá de nós renúncia, e toda renúncia vem carregada de sofrimento. Sofrimento. Palavra forte, carregada de sentimento.
Só pode sentir que está sofrendo quem tem sentimento, quem um dia se colocou no lugar do outro, quem rasgou o próprio peito para alimentar o outro com compaixão, quem, a exemplo do Rio Tietê, soube ser.
Só quem sente na própria carne este mistério de amor sabe que o sofrimento vem carregado de sentimento. Quem de nós foi educado para acolher o sofrimento? Fugimos desse momento como se isso fosse possível.
O sofrimento é, de fato, algo difícil de aceitar, e se torna ainda mais difícil quando decidimos fugir. O Rio Tietê nos ensina que todo sofrimento passa e que nossa doação se multiplica.
Em seu nascimento, o Rio Tietê teve um destino imposto: seguir o instinto natural e ser apenas um breve caminho rumo ao mar, ou rebelar-se contra todo o sistema natural e tornar-se um dos raros rios do mundo a “correr de costas”.
O Rio Tietê sabia que teria que arcar com todo o sofrimento. E, com resiliência, o rio rasgou o próprio peito e foi se adaptando à sua nova morada, reunindo em torno de si famílias que, até hoje, se alimentam das águas que brotam de sua nascente de amor.
Muitas são as decepções com o amor, Uma palavra bonita carregada de energia, De uma beleza de sentido Que é facilmente soterrada pelo nosso egoísmo.
Quem és tu, pobre amor? Além de ser um ladrão? Uma droga altamente viciante? Um serial killer?
Não sei quem é você, meu nobre amor. Não consigo confiar em seus encantos. Você já me produziu vários desencantos. Como você pode existir Quando depende da relação entre duas pessoas?
Estou bem em ficar longe de suas ilusões, De suas carícias estéreis. Não, não acredito no amor. Ou devo me entregar às suas doces ilusões?