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  • Livro 14: Rio Tietê (Poema 01/60) Não existe escolha fácil nesta vida

    ivro 14: Rio Tietê (Poema 01/60)

    Não existe escolha fácil nesta vida

    Toda escolha exigirá de nós renúncia,
    e toda renúncia vem carregada de sofrimento.
    Sofrimento.
    Palavra forte, carregada de sentimento.

    Só pode sentir que está sofrendo quem tem sentimento,
    quem um dia se colocou no lugar do outro,
    quem rasgou o próprio peito para alimentar o outro com compaixão,
    quem, a exemplo do Rio Tietê, soube ser.

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    Só quem sente na própria carne este mistério de amor
    sabe que o sofrimento vem carregado de sentimento.
    Quem de nós foi educado para acolher o sofrimento?
    Fugimos desse momento
    como se isso fosse possível.

    O sofrimento é, de fato, algo difícil de aceitar,
    e se torna ainda mais difícil quando decidimos fugir.
    O Rio Tietê nos ensina
    que todo sofrimento passa
    e que nossa doação se multiplica.

    Em seu nascimento, o Rio Tietê teve um destino imposto:
    seguir o instinto natural
    e ser apenas um breve caminho rumo ao mar,
    ou rebelar-se contra todo o sistema natural
    e tornar-se um dos raros rios do mundo
    a “correr de costas”.

    O Rio Tietê sabia que teria que arcar com todo o sofrimento.
    E, com resiliência, o rio rasgou o próprio peito
    e foi se adaptando à sua nova morada,
    reunindo em torno de si famílias
    que, até hoje, se alimentam
    das águas que brotam de sua nascente de amor.

    Carlos de Campos

  • Livro 12: Anatomia de um sonho (Poema 01/60) Quando, na vida, é preciso estar atento

    Quando, na vida, é preciso estar atento

    Livro 12: Anatomia de um sonho (Poema 01/60)

    Quando, na vida, é preciso estar atento

    Fugaz é amar alguém
    Quando se pensa em amor limitado,
    Amor por contrato,
    Amor que vai escorregando pelas nossas mãos.

    O amor que se vai em uma hemorragia,
    Em uma noite mal dormida.
    Amor, quem é você realmente?
    És um mito ou verdade?

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    Muitas são as decepções com o amor,
    Uma palavra bonita carregada de energia,
    De uma beleza de sentido
    Que é facilmente soterrada pelo nosso egoísmo.

    Quem és tu, pobre amor?
    Além de ser um ladrão?
    Uma droga altamente viciante?
    Um serial killer?

    Não sei quem é você, meu nobre amor.
    Não consigo confiar em seus encantos.
    Você já me produziu vários desencantos.
    Como você pode existir
    Quando depende da relação entre duas pessoas?

    Estou bem em ficar longe de suas ilusões,
    De suas carícias estéreis.
    Não, não acredito no amor.
    Ou devo me entregar às suas doces ilusões?

    Carlos de Campos

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