Vi o solo debaixo dos meus pés se partir. Fui engolido por esse enorme buraco. O que me esperava no fim disso tudo? O buraco era profundo.
O medo tomava conta de todo o meu ser. Meu passado, presente e futuro passavam como um filme. Tudo era tão demorado e instantâneo ao mesmo tempo. Eu vi e me vi.
Não fique só nas palavras: leve para casa Enquanto a solidão me abraça e tenha um amigo fiel nas suas noites mais difíceis. Compre aqui.
Coração acelerado em meu peito. Fuligens de personagens macabros me rodeavam. O infinito me tomava pela mão. Meus olhos contemplavam o mistério.
O mistério escondido em cada ser humano. O medo, o medo me atormentava o tempo inteiro. Sou o acaso, gritavam aquelas fuligens macabras.
Meu corpo é mais que um cadáver. Minha existência é maior que as mesquinharias. Sou o Deus encarnado em cada mulher e em cada homem. Sou o nascimento de tudo o que não existe.
O princípio dentro de você. Não existe nada maior do que eu. Eu e você somos um. Os meus pensamentos são os teus pensamentos.
Toda escolha exigirá de nós renúncia, e toda renúncia vem carregada de sofrimento. Sofrimento. Palavra forte, carregada de sentimento.
Só pode sentir que está sofrendo quem tem sentimento, quem um dia se colocou no lugar do outro, quem rasgou o próprio peito para alimentar o outro com compaixão, quem, a exemplo do Rio Tietê, soube ser.
Só quem sente na própria carne este mistério de amor sabe que o sofrimento vem carregado de sentimento. Quem de nós foi educado para acolher o sofrimento? Fugimos desse momento como se isso fosse possível.
O sofrimento é, de fato, algo difícil de aceitar, e se torna ainda mais difícil quando decidimos fugir. O Rio Tietê nos ensina que todo sofrimento passa e que nossa doação se multiplica.
Em seu nascimento, o Rio Tietê teve um destino imposto: seguir o instinto natural e ser apenas um breve caminho rumo ao mar, ou rebelar-se contra todo o sistema natural e tornar-se um dos raros rios do mundo a “correr de costas”.
O Rio Tietê sabia que teria que arcar com todo o sofrimento. E, com resiliência, o rio rasgou o próprio peito e foi se adaptando à sua nova morada, reunindo em torno de si famílias que, até hoje, se alimentam das águas que brotam de sua nascente de amor.
Muitas são as decepções com o amor, Uma palavra bonita carregada de energia, De uma beleza de sentido Que é facilmente soterrada pelo nosso egoísmo.
Quem és tu, pobre amor? Além de ser um ladrão? Uma droga altamente viciante? Um serial killer?
Não sei quem é você, meu nobre amor. Não consigo confiar em seus encantos. Você já me produziu vários desencantos. Como você pode existir Quando depende da relação entre duas pessoas?
Estou bem em ficar longe de suas ilusões, De suas carícias estéreis. Não, não acredito no amor. Ou devo me entregar às suas doces ilusões?
Vou desbravando este mar, não como um colonizador, mas como um amigo que busca as convergências culturais para celebrarmos mais uma amizade verdadeira neste cais.
Vou aonde o mar me leva, onde as culturas se encontram e o medo dá lugar à experiência do convívio. Feliz, sigo neste novo desafio.
O momento especial é estar com você, com todas as nossas diferenças latentes. Encontro em você a nossa unidade, porque a verdadeira celebração que nos une está em nossas diferenças.
No mundo em que vivemos, vivemos como uma família que mora na mesma casa, onde as nossas diferenças se fazem raízes em um longo olhar amoroso.
Jogados na cadeia, Vivemos na mais pura ilusão. Acordar desse delírio coletivo Ainda é muito dolorido.
Dói acordar e saber que a verdade nunca existiu, A verdade que todos os dias me consolava. Os desejos se foram; Quem permanece é o vazio que me trouxe até aqui.
A solidão que fica nesta cela cheia É impossível de refletir quando a raiva ainda queima, Quando tudo o que me resta São os anos que ainda restam nesta cela.
Tudo o que vivi É repleto de muita mágoa, Desejos dedicados a uma ilusão: A ilusão de ainda receber a visita de alguém.
Livro 7: Título provisório — A Filosofia do Gramado O Tempo (Poema 01/60)
O que é o tempo em uma partida de futebol? Sair de campo sem ter feito o seu melhor? O que cada um sabe sobre companheirismo? Perder, e o sabor amargo que fica?
Tudo gira em torno de uma bola, um objeto minúsculo, capaz de movimentar corpos e almas. Futebol, da origem ao colapso.
Muitas crianças, algum dia, sonharam em ser jogadores de futebol, um sonho que aparentemente parece ser o caminho mais fácil para quem sabe, um dia, sair da pobreza. O futebol era o alimento, dia e noite, de suas almas.
Almas abatidas por tanta injustiça, que, desde crianças, precisaram driblar cedo para se virar na vida. Que aulas precárias frequentavam, porque sabiam que precisavam ser o Man of the Match.
O estádio está lotado. Almas frenéticas. Tudo é decidido em pouco tempo, no tempo da dedicação.
O vento sopra. O apito recebe o estímulo vital. Tudo é paradoxal: o tempo para quando o jogo começa.
O que aconteceu não foi uma ação humana. Não. É até difícil de acreditar. Estávamos no quartel, na torre do Distrito Norte.
— Peçam apoio aos caças!
Eu e outros dois respondemos imediatamente ao chamado. Tudo aconteceu em segundos para mim, mas meu comandante disse que ficamos desaparecidos por cinco anos.
Observei, enquanto nos aproximávamos do local, que tudo estava tranquilo, exceto por um cheiro estranho. Não conseguia distinguir de onde vinha.
Parecia que vinha de fora. Ao mesmo tempo, parecia que estava dentro da aeronave. Não conseguia distinguir de onde aquele forte cheiro vinha. Tudo ficava cada vez mais forte, estranho e intenso.
No cárcere desta longa solidão, alimento-me do medo, na embriaguez de minhas palavras, do ódio que alimento no canto mais frio da alma.
Os cadáveres me assombram todos os dias. Esqueletos são as minhas companhias. Noite fria, nua, me seduzindo. Mergulho em mim.
O que esperar desta solitária prisão? Dos dejetos que se acumulam em minha alma? Da sombria decisão da vida? O que devo esperar dos abusos que sofro aqui?
Tudo é tão gelado, sem dia para terminar. Nesta cela fria, eu me vejo. Encorajo-me a ser só solidão.