Um poema que reflete sobre a ilusão do efêmero e a busca pelo amor verdadeiro em meio aos anseios da alma e ao vazio do mundo moderno.
Não há felicidade no que só é passageiro
Os anseios sabem nos provocar, no mais fundo de nossas almas, onde estamos sem defesas, no mais fundo de nosso ser.
Íntimo de nossas vidas, perambula pela escuridão, na mais pura falta de sentido — instinto crucial.
É desejo que move o nosso ser, é delírio que nos invade a alma, é a ostentação sem fim. Diga-me: para onde está indo?
Vê na distância, nos anseios aflorados, na estética da ignorância, vê atitudes consumindo.
Olhem o barco que chega, os navegantes solitários destes mares. Olhem para o amor puro e verdadeiro, que te espera de braços abertos, de prontidão no cais.
Um poema sombrio e filosófico sobre o colapso da humanidade diante do medo, da violência e da inevitável rendição interior. Reflexão poética sobre o fim e a perda da esperança.
O mundo sob rendição
É noite de escuridão. O medo toma conta da cidade. De maldade em maldade, espalha-se o terror.
É para deixar a vida seguir o seu percurso, Diuturnamente, O mundo dorme fingindo que está acordado. Tudo muda de sentido.
O medo assombra o nosso futuro — Futuro de incertezas certas, Certas de novidades, Que dão origem ao novo amanhã.
É a vida sendo desgastada pela agonia, Pela imoralidade dos tempos modernos, Que sucumbem em meio às promessas. É uma vida devastada pela nossa agonia.
É a mãe encurralada pelo próprio filho, Filho caindo, alvejado pelo destino, Destino frio, Esvaindo-se — vão-se suas memórias.
Oh, alegria dos momentos que não passam, Oh, pedra preciosa do destino! É a vida futura, distante de nós, É a sensação gélida da sorte.
Que no amanhecer da esperança renasça em você o amor
Caminho pelas veredas da indignação, sentimento que me impulsiona a cada novo dia, a cada nova esperança que nos faz renascer. Renascer para um mundo mais justo e solidário.
Fez-se o sol de uma nova esperança, à espera dos que, com consistência, galgaram por caminhos pedregosos. É o sol que aquece os corações dos justos, que mártires se tornaram na vida que vai sendo doada.
A liturgia do amor faz reverberar, no coração de Cristo, os desejos que são estimulados nesse novo Éden que chamamos de paraíso terrestre. É no canto do prazer que canto o amor livre entre as pessoas. É na solenidade litúrgica do amor livre que nos libertamos de nós mesmos.
É no amor livre que encontramos a nossa salvação; em que nos deliciamos nesse imenso banquete, enquanto celebramos com solenidade o amor, rendemos as justas homenagens por esse amor que nos orientou na construção de nossa liberdade, em que só refletimos a mais pura felicidade.
Interiormente, estamos em busca do amor verdadeiro, do amor que rompe as barreiras, do amor que está lá, mas não conseguimos acessá-lo. Amor, onde andas? Escondes-te de mim por qual motivo?
No silêncio que ecoa, ouço gemidos; gargalhadas, no fundo de minha alma, ecoam no sentido desprovido de qualquer razão, que se revela oculto para os olhares vis e exuberante para as almas repletas de amor à própria vida.