Tag: poema

  • O mensageiro de Asmodeus

    O mensageiro de Asmodeus

    Era de madrugada, ouço passos
    Pressinto a chegada de um estranho
    Ofegante…
    Bate na porta com violência.

    Me levanto, olho pela fresta da janela
    Um homem nu, caído.
    Noto que seu corpo está todo perfurado
    Me dirijo até a porta, enquanto aciono a polícia.

    A polícia chega, e sua única preocupação
    É me olhar com olhares de quem já me condenou.
    Em meio àquele falatório e acusações sem provas,
    Me concentro em meus pensamentos.

    E em cada detalhe do corpo à minha frente,
    O que mais me intriga
    É a tatuagem em seu peito
    Com os dizeres em latim: "Advocata mea pro me loquitur."

    Depois de alguns dias mergulhado nessa história,
    As ideias e provas foram sendo construídas,
    Me levando a uma única dedução:
    Em meio ao caos — identidade, vingança.

    O morto veio de uma cidade distante daqui,
    Encontrou-se com o bispo local.
    Localizei sua advogada por meio da tatuagem.
    Bispo e advogada estavam abraçados — e mortos.

    Carlos de Campos
    Foto por James Superschoolnews em Pexels.com
  • Sonho da alma para a eternidade

    Sonho da alma para a eternidade

    No sonho que sonhei,
    estava você,
    linda e radiante,
    percorrendo todo o meu sonho.

    E ver você caminhando
    me enchia de alegria,
    uma alegria extasiante,
    intensa…

    Uma alegria que não cabia em meu peito.
    Era tão mágica
    que me fazia confundir com a realidade
    o que eu peço: ter você comigo.

    Era poder experimentar essa alegria novamente,
    sem medo…
    sem receios…
    ser eu mesmo.

    Ir até você e abraçá-la,
    e beijá-la, sabendo que seria a última vez.
    O teu cheiro está por toda a casa,
    em cada cômodo, o seu sorriso ressoa.

    Sonho, alma e esperança
    foi o que restou para mim,
    já que a alma da minha alma se foi,
    e, com ela, foi também a minha filha.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • De um ponto ao outro, restos do passado

    De um ponto ao outro, restos do passado

    Mostrem os sonhos não realizados,
    a beleza que vivi,
    o destino imaculado
    de frente ao retrovisor.

    Mostre o que se viu,
    o que se perdeu
    em lágrimas empoeiradas.
    Investiguem dentro da cabeça.

    Que se perdeu em memórias frias,
    frias pelo que não se podia sentir,
    frias das fotos carcomidas,
    tudo sobre o que diziam.

    Tudo o que fiz foi pensar em você.
    Cada memória vale a pena:
    destino traçado de presente
    que sente as memórias escondidas.

    Carlos de Campos
    Foto por Almighty Shilref em Pexels.com
  • Vinhedos carregados de poesia

    Vinhedos carregados de poesia

    I

    Tua grandeza é assustadora
    Teus princípios são reveladores
    Já és quem, em tua busca, se propôs ser.

    II

    Interiormente evoluído
    Dom supremo
    Inigualável
    O mundo não te conhece
    Ou melhor:
    O mundo ainda não te conhece.
    Dá ao tempo o tempo de maturação.
    Os frutos já sobrecarregam os vinhedos.
    O tempo da colheita já se anuncia.
    É tempo de colher prosperidade.
    E que os próximos anos sejam abundantes.
    Lá no vinhedo, é possível ver
    Com que força vai se irrompendo
    O amadurecimento dessas belas uvas.
    Mesmo ainda no processo de maturação,
    É possível sentir, a quilômetros de distância,
    Nitidamente,
    O doce suave desses frutos.
    Incontável será essa colheita.
    Mostra, com orgulho, essa tua produção
    Logo as uvas amadurecem,
    Mas já era possível constatar
    Com que força e beleza vêm sendo os seus versos.
    Com que força podemos constatar?
    Chegou onde chegou
    E como chegou:
    Só quem o caminho fez a cada dia
    Tem em si a plenitude da certeza
    De que o tempo da colheita chegou.
    E com ele chegaram também
    A prosperidade, o reconhecimento e a abundância.
    Nos pés de cada saborosa uva
    Surgem também
    Preciosos e delicados poemas,
    Como flores que nascem em um jardim
    Para embelezar a nossa visão.
    Dê uma última olhada
    Para o seu passado sombrio
    E tenha a certeza
    De que para lá você nunca mais vai voltar.
    Olhos fixos agora para o horizonte,
    Para o mais belo horizonte de sua vida.

    III

    Célebre em sua alma
    Esse dia que é para ser recordado
    Individualmente e coletivamente.
    Teus são os esforços.
    Cultivou a terra dura
    Com disciplina e harmonia.
    Cultivou…
    Dias, meses, anos.
    Cultivou…
    Sem perspectiva alguma.
    Continuou…
    Cultivando a terra dura.
    E agora, nada é mais justo
    Do que a vitória seja celebrada
    Com poemas
    Que emergem da alma,
    Da alma que, mesmo ferida,
    Continuou o cultivo da vinha.

    Carlos de Campos
    Foto por Balu00e1zs Burju00e1n em Pexels.com
  • Quando o nome é a pergunta

    📣 Ele superou os algoritmos. Agora quer superar o seu silêncio.

    Quando o nome é a pergunta alcançou o topo de 387 milhões de resultados no Google em 9 horas.

    Um poema que não pede aplausos, pede coragem.

    Coragem de olhar para dentro.
    Coragem de dar nome ao que você sente.

    Você está pronto para escutar a sua própria alma?

  • Quando o nome é a pergunta

    Quando o nome é a pergunta

    Jogos de emoções são a liberdade sendo pervertida, que, ao eclodirem, se desnudam em falanges de egocentrismo. O que são esses demônios induzindo à miséria? Na verdade, são crenças limitantes de uma pessoa gestando desejos inconscientes. Fidelidade promíscua com o submundo. Demônios entoam em minha alma: abuso de poder! Eis que vem o abuso de poder…

    O silêncio canta junto da alma: desejos sombrios, venham todos à luz…

    Carlos de Campos

    Foto por Veronika Voinorovich em Pexels.com
  • Coração Pulsante

    Coração Pulsante

    Os teus olhos me fazem crer
    Que os dias ao teu lado valem a pena,
    Que as emoções não serão passageiras.
    É um bom dia para ser vivido.

    O dia em que não penso em você é triste,
    É cheio de confusão.
    Não existe nada melhor.
    E, pensando, como não te amar?

    Vem, deita-se em meu colo.
    Quero os teus cabelos enrolar,
    As tuas mãos segurar.
    Preciso estar com você.

    Os dias em que não penso em você
    São dias solitários,
    Sem esperança.

    Janela entreaberta,
    Espero por você
    Com o coração escancarado.

    Carlos de Campos
    Foto por Irene Furlan em Pexels.com
  • O desejo nos cega

    O desejo nos cega

    Indo para bem longe de mim
    Longe…
    Sem olhar para trás
    Seguirei indo para bem longe.

    O meu ser é terra devastada
    Isso é algo que muito me incomoda
    É algo sutil, mas persistente
    Quero distância de tudo.

    O teu gesto é suave
    Transmite delicadeza
    É o que procuro
    E persigo com persistência.

    No andar da vida
    A vida segue ferida
    Preciso continuar
    Do jeito como está.

    O que esperar do nosso encontro?
    Encontro de almas marcadas
    Predestinadas um ao outro
    Almas apaixonadas.

    Não sigo destino
    Sigo a minha razão
    Que me diz para ir bem longe
    Fiel à minha razão, eu sigo.

    No íntimo, quando eu reflito
    Buscando teses e teorias para desqualificá-lo
    O que só encontro é o meu coração apaixonado
    Essa é a verdade quando eu penso em você.

    Tento em vão te esquecer
    Penso que sumir de sua vida me fará bem
    E sei como tudo isso é em vão
    Todo o amor e carinho só aumentam.

    Me dê a sua mão
    Quero senti-la
    Quero mergulhar nesse amor
    Me permita te amar de agora em diante.

    Me entrego de corpo e alma
    Sem reserva alguma, me dou por inteira
    Meus sentidos…
    Desejos meus…


    Quero você, meu amor
    Sinto os teus lábios
    Ousando, ousados
    Molhados…

    Somos duas almas incompletas
    E incompletas permaneceremos
    Tudo o que vivemos
    São sentimentos que já passaram.

    Carlos de Campos
    Foto por Mick Haupt em Pexels.com
  • Regado à tristeza

    Regado à tristeza

    Ilusões de um coração solitário
    A imagem que passa não é verdadeira
    É a imagem de um coração angustiado,
    Uma vida despedaçada.

    O sucesso é incontestável,
    E, mesmo simpática, é sincera.
    A verdade é que a fama te isola,
    E, isolado, você não existe mais.

    Com o sucesso vem a ilusão.
    A vida emocional é afetada.
    Desejos e medos se contradizem,
    O caminho é duro.

    E não...
    Não, não existe nada tão cruel:
    Dúvidas, incertezas, ansiedade a todo instante,
    E ninguém te compreende.

    E, quando menos se espera,
    Deixo a tristeza feliz.
    É exatamente quando ela me supera,
    Me fazendo sua refém.

    Infelizmente, a tristeza tem vencido com frequência.
    Vejo os dias, meses, anos passando...
    Só não vejo essa tristeza passar.
    Dizem que a fama cobra o seu preço.

    Carlos de Campos

    Foto por Thibault Trillet em Pexels.com
  • Mesmo Casada, Ainda Sinto Frio

    Mesmo Casada, Ainda Sinto Frio

    Em dia frio como hoje,
    emoções me envolvem.
    Sinto um vazio,
    pego-me a chorar.

    Fêmea cheia de desejo,
    aspiração: viver feliz,
    ser mulher toda inteira.
    Só falta você.

    Instinto distinto,
    fluidos harmônicos,
    sensações me fazem querer você
    completamente disponível.

    Em dias de frio, me sinto só,
    sofro por sua ausência.
    Você me faz querer sonhar,
    sinto sua falta!

    São raros os momentos em que não penso em você.
    Mesmo estando casada, sinto necessidade,
    porque você se tornou tudo o que mais quero.
    Preciso tanto do teu abraço.

    O seu lugar em meu coração está reservado.
    Nos dias frios, me aqueço em suas lembranças.
    Despojada, um dia quero estar em tua presença.
    Quero, uma única vez, poder me sentir amada.

    Carlos de Campos

    Even Married, I Still Feel Cold

    (Adapted from “Nos dias frios, preciso ser amada por você”)

    On a cold day like this,
    emotions wrap around me.
    An emptiness echoes—
    I catch myself crying.
    A woman full of longing,
    I ache to live in joy,
    to be whole, fully a woman.
    Only you are missing.
    My instincts awaken,
    pulses flow in harmony.
    Something in me wants you—
    utterly present, completely mine.
    In cold days, I feel alone,
    bruised by your absence.
    You make me believe in dreams.
    I miss you—so much.
    Rarely does a moment pass
    when you're not on my mind.
    Even though I'm married,
    I crave you still.
    Your embrace,
    your space in my heart,
    is already taken—by you.
    On cold days,
    I warm myself in your memory.
    Stripped of pride,
    I long to be near you,
    just once,
    to feel what it's like
    to be truly loved.

    Carlos de Campos
    Mesmo Casada, Ainda Sinto Frio
    Foto por Jc Laurio em Pexels.com