Tag: poesia autoral

  • Dignos da verdade



    Dignos da verdade

    No estandarte do amor
    estão escritas as seguintes palavras:
    não existe glória na covardia,
    no desumano ato de amedrontar.

    É nesse momento
    em que a vida separa
    os homens dignos
    dos ratos covardes.

    E essa é, finalmente,
    a maior glória que alguém pode receber:
    não ser incluído no rol dos ratos,
    dos imundos que habitam o submundo.

    Célebre por ser considerado digno
    de carregar este estandarte,
    digno por dedicar sua vida à transparência,
    digno de caminhar sob o amparo da ética.

    Estandarte dos que lutam por dignidade,
    pela sua e pela dos outros,
    dos que podem dormir com a consciência fria.
    Dignos são todos que assim buscam viver.

    Cante, em uníssono coro,
    o cântico dos mártires,
    dos que derramam todo o seu sangue
    para ser íntegro a todo momento.

    Carlos de Campos
    Foto por Murilo Fonseca em Pexels.com
  • Do movimento à calma



    Do movimento à calma

    É movimento, é movimento.
    A alma também se movimenta.
    Fogo incontrolável é movimento,
    movimento devastador e contínuo.

    O movimento deixa marca
    que passa de geração em geração,
    e você pode romper com isso,
    dar mais freio para esse movimento.

    Freie e o deixe parar;
    que esse movimento cesse.
    Sinta, em seu peito, o movimento parado;
    veja o esquecido, empoeirado.

    Invista nessa calmaria,
    na beleza que ganha novas cores,
    no fogo que aquece e não queima,
    na vida que te convida a respirar mais fundo.

    Veja, sinta dentro de você
    a calmaria instalada,
    esse delicioso barulho de água,
    de água correndo livre.

    Que você siga daqui por diante sentindo —
    sentimento, sentindo…
    sentindo tudo dentro de você:
    tranquilidade, cara a cara, surpreendido.

    Carlos de Campos
    Foto por Michael Hamments em Pexels.com