Um poema sobre o amor impossível e a beleza trágica de sentir o que não pode ser vivido. “Na vida, os caminhos se cruzaram” reflete o encontro entre duas almas destinadas, mas separadas pelas circunstâncias. É uma poesia sobre desejo, dor, aceitação e a força de amar em silêncio — escrita para quem já amou além do possível.
Na vida, os caminhos se cruzaram
Ver você é como ver o meu coração Desfigurado por amar quem não pode ser amado, Quem existe para o outro. O amor e suas controvérsias.
É um sinal limitante, E, um tanto quanto interessante, Ver o seu amor com outro. Como o amor prega peças.
Que, no coração, bastaria você — Sua energia feminina Percorrendo o meu corpo inteiro, Sem propósito algum.
Sua maior dor gera as tuas vitórias: Uma alma sedenta Por paz em meio aos conflitos. Te amo, sabendo que nunca será minha.
“Vítima de uma sociedade doentia” é uma composição que traduz, com intensidade e sobriedade, o colapso existencial do sujeito moderno diante de uma realidade opressora.
Vítima de uma sociedade doentia
O elevador quebrou. Como sair daqui? Na aparência, transbordo calma, mas me encontro transtornado.
O elevador parou entre o oitavo e o décimo quinto andar. Estou sozinho, angustiado e sem comunicação. Morte iminente?
Na iminência de uma vida em risco, uma vida solitária, destemida, até ser surpreendida.
Cabe não estar perto. O destino está no fio da navalha, destino ao alcance da vida, de uma vida triste.
O elevador me sufoca com suas mãos metálicas, envolvendo o meu pescoço, enquanto definha a minha alma.
Desce a minha alma, engolida pelo fosso da existência, existência de horrores, pela minha própria falta de sorte.
O elevador parado no quarto andar. Destino concentrado na alma que se foi. A vida vai dando os seus últimos suspiros no fio de uma navalha afiadíssima.
O elevador chega ao seu destino — um destino incerto, de uma caminhada vacilante, destino destemido.
E a minha alma? Quando retornará a esse pobre corpo? Ao corpo que mais se parece a escombros, que caminha fingindo ser feliz.
Elevador parado no décimo andar: um corpo fétido de morte, uma alma decaída no fosso da negligência, em seu último suspiro.