Tag: poesia contemporânea brasileira

  • Tudo é dependente do amor

    Tudo é dependente do amor
    
    Homem caído na sarjeta,
    pela madrugada observo.
    Sem dignidade,
    esconde os seus preconceitos.
    O desespero aumenta,
    não existe paz em seu coração.
    
    Os dias são traiçoeiros.
    Escolhi me perder
    dia a dia.
    Me perco em meus desejos,
    sem filtro me escondo.
    Tudo é opção.
    
    Os escombros são a minha alma.
    Peco
    com meus desejos.
    Pecado é ter você
    sem sua roupa em minha cama.
    Pecado é amor.
    
    Disse o meu ego:
    “Tuas asas estão presas em mim.
    O teu corpo é meu corpo.
    Meus são também os seus amores.
    Tuas amantes são minhas.
    O teu prazer solitário são todos meus.
    Meus são os seus dias,
    a lua da sua noite,
    o que os seus olhos tocarem.”
    
    Nos túmulos fétidos,
    corroídos por vícios,
    túmulos lindos
    ocultando a nossa última missão.
    Na mais doce ilusão
    de que vamos viver no paraíso.
    
    O tempo é o instante perdido,
    desejo desfeito,
    perdido a procurar
    do êxtase o momento.
    Procuro o tempo no tempo,
    no amargo da solidão.
    
    Onde o amor se ausenta,
    o delírio se mantém,
    a violência impera
    como um incômodo graveto
    que inflama a ponta do dedo,
    que destrói toda a nossa paz.
    
    A minha evolução depende de você.
    Não existe sociedade individualista.
    Não se constrói dignidade com ódio.
    Nada floresce no deserto,
    em um corpo sem coração.
    Tudo o que vive e respira
    precisa de nossa unidade.
    Cabe a cada um de nós querer.
    
    Carlos de Campos 
    
    
    Foto por Sefa em Pexels.com
  • Mergulho no sombrio instante da corrupção


    Mergulho no sombrio instante da corrupção

    Não estamos diante da coragem,
    nem de um instante de euforia.
    Mudança de direção brusca,
    nua com amor.

    Um destino sem rumo,
    absorvido de nada.
    O que devemos pensar?
    Tudo faz sentido.

    Um instante, e nada mais
    para recuar.
    Instante de tudo cair
    e sem roupas ficar.

    Tudo é mentira,
    instável.
    Corruptos corrompidos.
    Tudo é ilusão.

    Um desrespeito,
    afronta a cada um de nós.
    Nos insulta a todo momento,
    abandona quando não servirmos mais.

    O medo é sua arma,
    é a paz manipulada,
    é o instante fugaz,
    é o que não poderia ser.

    Carlos de Campos
    Foto por Najman Husaini em Pexels.com