Tag: poesía contemporánea

  • Existe uma unidade fraca neste universo


    Existe uma unidade fraca neste universo

    Fui, entre os fortes,
    o mais fraco dos fracos,
    o mais temido por minha esperteza.
    Hoje, sou só o que preciso ser.

    Sou a solução de suas ilusões,
    sou a fonte de água em seus dias de seca,
    sou o alívio em suas aflições.
    Quem sou eu, afinal?

    Imensidão à nossa volta,
    caos em nosso interior.
    Quem somos nós, afinal,
    aqui neste universo?

    Eu e você, quem somos?
    Eu sou o que precisa de você.
    Você é quem, para mim, afinal?

    Fim de nossa unidade,
    unidade frágil em meio ao caos.
    Vou para dentro, mas é possível que eu esteja fora,
    fora do meu real equilíbrio.

    No mais, existe algum sentido em estar aqui?
    Aqui, dentro deste universo?
    Aqui, fora dos meus sentidos?
    Fora de nossa unidade fraca?

    Carlos de Campos
    Foto por Meriu00e7 Tuna em Pexels.com
  • O silêncio de uma noite de terror


    O silêncio de uma noite de terror

    Foi em uma manhã qualquer
    Vi-me aterrorizada.
    Sem chão, lá estava eu,
    Diante do medo indomável.

    Mostrou-me a sua face,
    Sem qualquer pudor, arruinou-me.
    Em uma manhã qualquer,
    Deitada eu me encontrava.

    Tudo parou de repente.
    Era como se aquele trauma
    Tivesse sobre mim um poder sobrenatural.
    Sinto-me triste.

    Suas mãos me dominavam,
    Nada me era possível fazer.
    Eu chorava em silêncio,
    Um choro que só desejava vingança.

    Na manhã seguinte,
    Sem muito o que pensar,
    Além do terror da noite anterior
    E de como tudo aquilo já se tornara rotina.

    Na manhã desta triste vida,
    Termina aqui.
    Nada mais tenho a falar,
    Além do meu silêncio, que deve incomodar.

    Carlos de Campos
    Foto por Kat Smith em Pexels.com