Tag: poesía contemporánea

  • Tuas belas pernas


    Tuas belas pernas

    Diga-nos:
    existe amor entre nós?
    Em nós bate o mesmo sentimento?
    O que é que você quer que eu faça?
    Façamos nossas aventuras entre quatro paredes.

    Carlos de Campos

    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Sonhos desajeitados


    Sonhos desajeitados

    Sonho em ser amada.
    Esse sonho me sufoca.
    Sonhar que eu preciso do seu amor…
    Você me responde?

    Enquanto a solidão me abraça

    Estou feliz durante o dia,
    feliz com a minha vida profissional.
    Eu preciso admitir:
    você faz falta dentro de mim.
    Meus sonhos com você me sufocam.

    Te quero como essa paixão louca.
    Desde o amanhecer, eu te busco.
    Me perco em você,
    minha inquietude.

    Quero renovar as minhas juras de amor por você,
    meu instante consumado,
    meu desejo perpetuado.
    Que tuas mãos me alcancem.

    Quem és
    que bate à minha porta,
    que faz o meu coração acelerar?
    Quem és?

    Meu sonho,
    meu instante de prazer,
    meu declínio como mulher,
    o amor que tanto desejo.

    Carlos de Campos
    Foto por Ryanniel Masucol em Pexels.com
  • Meus olhos escondem essa mágoa


    Meus olhos escondem essa mágoa

    Sou casada,
    apesar de ser respeitada pelo meu marido.
    Eu me sinto infeliz.
    Casei-me porque estava grávida.
    Casei-me por medo.

    Hoje olho para o passado,
    me encontro perdida.
    Sangro em minha solidão.
    Fidelidade a um ex-marido.
    Dói tanto me sentir assim.



    Sinto-me sozinha.
    Vivo de aparências.
    Minha vontade é fugir
    e recomeçar.
    Aí, caio na realidade.

    Meu ser está vagando.
    Minha alma procura conforto,
    procura a alegria.
    Quando foi a última vez que tive alegria?
    Tento dar sentido às coisas.

    Carlos de Campos

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    Foto por BM Capture em Pexels.com
  • Vislumbrei-me por um pé de golpe



    Vislumbrei-me por um pé de golpe

    Deu no pé,
    no pé.
    Quando a justiça investigou,
    tudo desmoronou.

    Nenhuma ilusão resistiu
    à mudança.
    Só no mundo paralelo ficou;
    de pé ficou.

    No pé, apodreceu
    qualquer narrativa de inocência,
    qualquer ato que contradiga a realidade.
    A realidade é dura,
    e foi ela que prevaleceu.

    No pé descalço,
    a realidade machuca.
    A verdade se fez ver e ouvir,
    e nenhum inocente foi condenado.

    Em meio a conflitos, seguimos;
    seguimos firmes com a verdade.
    A verdade é que, debaixo de nossos pés,
    existe um mundo real girando.

    A verdade venceu nesse momento.
    Cautela e atenção é sempre bom ter.
    A guarda da democracia
    conta sempre com você.

    Carlos de Campos
    Foto por Ron Lach em Pexels.com
  • A nossa teimosia em duvidar é a nossa maior fraqueza



    A nossa teimosia em duvidar é a nossa maior fraqueza

    São suas escolhas,
    Escolhas de uma vida,
    Escolhas escondidas,
    São suas escolhas.

    Quem somos nós,
    Detentores desse poder,
    A tentar, de alguma forma,
    Usurpar a força, o poder?

    Em meio à tormenta,
    Ouço vozes que ainda desafiam
    A costurar uma trama golpista.
    Ouça comigo essas vozes que desafiam a democracia.

    São cínicos travestidos de democratas,
    Querem tomar a nossa pátria,
    Querem provocar o caos.
    É preciso domesticar, na força da lei, esses abutres.

    Em meio ao caos,
    As ervas daninhas revigoram suas forças.
    Os anseios desconectados da realidade
    São um perigo para a nossa sociedade.

    Infelizmente, ainda duvidamos da ação das forças das trevas
    E de sua capacidade de se organizar.
    Pensar dessa maneira
    É entregar, em uma bandeja, a nossa democracia.

    Carlos de Campos
    Foto por Gleive Marcio Rodrigues de Souza em Pexels.com
  • Em tempo de mentira, a verdade precisa ser dita



    Em tempo de mentira, a verdade precisa ser dita

    Interesses para se manter no poder
    Levaram pessoas
    A se distanciarem da democracia
    Para, no submundo, conspirarem.

    É lamentável saber
    Que existem brasileiros e brasileiras
    Carregando com orgulho
    O ideal de um movimento tão promíscuo.

    Precisamos nos manter em alerta.
    Tal movimento continua operando
    Na sombra do medo,
    Cresce instigando.

    Os detentores da “verdade”
    Conspiram na praça pública,
    Estimulando discursos de ódio,
    Deixam seus rastros pela vida.

    Insufladores do medo,
    A verdade transparente vencerá novamente.
    Perturbadores da democracia,
    A segurança popular, firme, resistirá.

    Em tempo de atenção,
    Seguiremos com paz no coração.
    Em tempo de mentira,
    A verdade sempre será dita.

    Carlos de Campos
    Foto por Emir Bozkurt em Pexels.com
  • Quando iremos acordar para a realidade?


    Quando iremos acordar para a realidade?

    Vão as nossas esperanças
    Em uma tarde qualquer de domingo
    Vão os nossos sonhos
    De um sonho qualquer que tivemos.

    Vão as esperanças
    De um país que sonhava
    Sonhava, um dia, em ser grande
    Em uma tarde qualquer, tudo se desfez.

    O sonho de ser uma nação unida
    O sonho de ser uma nação acolhedora
    Quando acordamos desse sonho?
    Quando a realidade bateu duro em nossa cara?

    Tudo começou muito antes daquele domingo
    A realidade sempre esteve diante dos nossos olhos
    Nós que fingimos não enxergá-la
    Nós que preferimos nos manter acomodados.

    Um sonho é sempre bem-vindo
    Quando nos ajuda a seguir em frente
    Um sonho, quando ofusca a realidade,
    É um sonho muito perigoso de se sonhar.

    Inimigos da realidade, todos nós fomos
    Continuaremos a sustentar esse delírio?
    Do que temos medo?
    Temos medo de olhar para a realidade e nos descobrirmos fracassados?

    Carlos de Campos
    Foto por Norbert Kundrak em Pexels.com
  • Todos somos culpados e inocentes


    Todos somos culpados e inocentes

    Tarde de domingo.
    A família brasileira, como de costume, estava reunida.
    Tudo seguia em aparente normalidade.
    Sem esperar nada preocupante, seguíamos nossas vidas.

    O que começava a aparecer
    Não nos dava a real dimensão
    De que algo mais profundo estava por vir.
    Marchavam com orgulho estampado no rosto.

    Gritando palavras de ordem,
    Cantavam com profunda comoção o Hino Nacional.
    Tudo parecia tranquilo,
    Até que a comoção virou ódio.

    Um ódio que vinha das entranhas tomou conta do ambiente.
    Ninguém mais estava munido de sua razão.
    Tudo o que estivesse à sua frente era destruído.
    Todos eram considerados comunistas, inimigos.

    O sangue estava fervendo.
    Todo o ódio internalizado era colocado para fora.
    Diante do que consideravam ser seus principais inimigos,
    Seguiam destruindo tudo, sem serem impedidos.

    Todos ali foram vítimas,
    Vítimas que devem arcar com as consequências de suas atitudes.
    Mas foram vítimas de uma internet sem regras e sem lei,
    Onde encontraram pessoas manipuladoras
    Que os convenceram a viver esse delírio.

    Carlos de Campos
    Foto por Lucca Mezzacappa em Pexels.com
  • A política como ferramenta de justiça


    A política como ferramenta de justiça

    Nem tudo é o que parece ser.
    Existe um movimento grande por detrás,
    uma estrutura de inteligência para pensar o próximo passo.
    Existe uma organização golpista em curso.

    O que precisamos fazer
    é jamais esquecer,
    trazer cotidianamente em nossas retinas
    a triste tentativa de derrubar a nossa democracia.

    O sonho golpista se materializou.
    Pessoas que se deixaram convencer
    e que se perderam em seus delírios.
    Golpistas tentaram nos impor o seu regime autoritário.

    Deu-se uma catarse de superioridade.
    A realidade já não existia mais.
    Um golpe que, para eles,
    era a única solução.

    É difícil, para nós que temos os dois pés no chão,
    convencer-nos a naturalizar esse momento,
    e nem podemos incorrer na tentação de cometer esse erro.
    Ainda existem, no submundo dos corações, tais desejos.

    O que podemos fazer para proteger a nossa democracia
    é, fundamentalmente, levar a sério o nosso processo eleitoral.
    A política, querendo nós ou não,
    é o nosso melhor meio para produzirmos um desenvolvimento justo.

    Carlos de Campos
    Foto por Joel Santos em Pexels.com
  • Um pesadelo criando estragos


    Um pesadelo criando estragos

    Entender o que se passou
    É entender para onde estamos indo,
    É entender qual é a melhor resposta que precisamos dar,
    E o que se passou não pode se repetir.

    O que se passou no Brasil?
    O que levou uma multidão a quebrar tudo?
    O que esses indivíduos pensavam?
    E como viviam dentro de si?

    Suas mentes foram capturadas?
    Não tinham forças para resistir?
    Não quiseram resistir?
    Como se convenceram de que isso era o correto a se fazer?

    São situações pontuais
    Que, no descontentamento, se fazem.
    São promessas sobre promessas;
    Até no golpe ficaram na promessa.

    Brasil, terreno fértil para golpistas.
    Falta tudo.
    Falta a falta de políticos.
    Falta o povo ser levado a sério.

    Sonhamos com um país mais justo.
    Esse é o sonho que nunca vem.
    O sonho de quem já sonha apenas para se esconder.
    Foi em um pesadelo que tudo se tornou por aqui.

    Carlos de Campos
    Foto por Marlon Marinho em Pexels.com