Tag: poesía contemporánea

  • Onde há ódio existe a destruição

    Onde há ódio existe a destruição

    Não existe prazer em meio à dor,
    Mesmo que seja acompanhada de intervalos de bem-estar.
    O corpo e a mente ficam desconectados,
    E não sabemos para onde ir.

    O sol aquece o corpo ferido de morte.
    Tudo nesta vida é dor e sofrimento,
    É conflito e mais conflitos,
    É uma constante guerra sem fim.

    Um instante, um único vacilo, e tudo se vai,
    Sem aviso ou uma última refeição.
    Tudo simplesmente evapora,
    A vida, à qual somos tão apegados, vira pó.

    Desvio o olhar por um instante.
    Em meio à ilusão destruidora, posso ver a beleza.
    Oh, como a senhora Beleza é plena!
    Habita no olhar inocente de uma criança.

    Quem vive consumindo ódio é digno de ver tua beleza?
    É possível que um coração iludido se recupere?
    E como posso vencer o mal?
    Quem é que, vendo a beleza, não quer desposá-la?

    O meu corpo ainda segue doente de tanto ódio.
    A mente busca por salvação.
    Percorro, com determinação, o caminho para expurgar o ódio das entranhas da vida,
    Para que um dia, contigo, eu possa estar.

    Carlos de Campos

    Foto por Joel Alencar em Pexels.com
  • Te alimento para que não morras de fome

    Te alimento para que não morras de fome

    Empenho-me em dissuadi-lo dessa ideia,
    ideia que não se sustenta mais.
    E me comprometo a estar ao seu lado,
    especialmente quando tudo for só ilusão.

    Os dilemas são constantes.
    O ideal é ter estabilidade,
    ancorar-se em resoluções, no mínimo, palpáveis,
    interiorizando o que se tem de melhor a oferecer.

    Admira-me ver as coisas como estão.
    Entender o que se passa tornou-se fundamental.
    A felicidade, hoje, passa por essa compreensão:
    para quem ou para o quê a sua atenção está voltada?

    Fala-se muito e tão pouco se ouve,
    e, quando se ouve, ouve-se somente o que se deseja.
    Torna-se difícil a vida dos seletivos,
    encapsulando-se em um mundo em que não se admitem contradições.

    Iludidos — é como estamos.
    E, por isso, é preciso manter os dois pés no chão,
    saber lidar com as diversas contradições,
    contradições que nos permitem evoluir.

    Não existe beleza sem defeitos,
    muito menos verdade pronta e acabada.
    A vida é uma contínua construção social,
    em que cada indivíduo oferece o que tem de melhor de si.

    Carlos de Campos

    ✨ Te alimento para que não morras de fome.
Um poema sobre cuidar, resistir, escutar e seguir — mesmo quando tudo parece ilusão.
Vivemos em tempos de barulho, onde ouvir de verdade é um ato de amor.
    Foto por olga Volkovitskaia em Pexels.com