Tag: poesia filosófica

  • Dignos da verdade



    Dignos da verdade

    No estandarte do amor
    estão escritas as seguintes palavras:
    não existe glória na covardia,
    no desumano ato de amedrontar.

    É nesse momento
    em que a vida separa
    os homens dignos
    dos ratos covardes.

    E essa é, finalmente,
    a maior glória que alguém pode receber:
    não ser incluído no rol dos ratos,
    dos imundos que habitam o submundo.

    Célebre por ser considerado digno
    de carregar este estandarte,
    digno por dedicar sua vida à transparência,
    digno de caminhar sob o amparo da ética.

    Estandarte dos que lutam por dignidade,
    pela sua e pela dos outros,
    dos que podem dormir com a consciência fria.
    Dignos são todos que assim buscam viver.

    Cante, em uníssono coro,
    o cântico dos mártires,
    dos que derramam todo o seu sangue
    para ser íntegro a todo momento.

    Carlos de Campos
    Foto por Murilo Fonseca em Pexels.com
  • Vejo o que esperava ser



    Vejo o que esperava ser

    Mas até quando coisas assim acontecerão?
    Tudo está envolto em uma névoa,
    um destino desafiado.
    São sete horas da manhã.

    É a essência da vida se revelando,
    conduzindo pela mão,
    mão ferida pelo trabalho duro.
    Cansado, apenas desejo seguir.

    Observo o dia que começa,
    que traz a alegria e as contradições.
    Na vida existem riscos,
    perigos escondidos.

    Olhar atento no caminhar
    que se debruça sobre a existência,
    na mera ocasião
    de uma dor que não tem fim.

    Podemos nos sustentar de improviso?
    A vida é um contínuo improviso?
    Existe vida além do trabalho?
    Trabalho: mentira dita por séculos.

    Insisto em continuar a viver,
    porque a vida é nada além de insistir.
    Um dia o amanhã é belo e exuberante;
    no outro, terrível e assustador.

    Carlos de Campos
    Foto por M Mahbub A Alahi em Pexels.com