Ruminar no santuário do coração
Os deleites da alma
transbordam em emoção.
São décadas enclausuradas,
cultivando o amor sagrado
que, sangrando, se faz sozinho.
Carlos de Campos

Ruminar no santuário do coração
Os deleites da alma
transbordam em emoção.
São décadas enclausuradas,
cultivando o amor sagrado
que, sangrando, se faz sozinho.
Carlos de Campos

Escolhas que precisam ser feitas?
O que me faz sentir?
O que sinto me faz bem?
Me traz paz?
O que sinto me leva a prejudicar alguém?
Sinto-me ferido pelo que sinto?
No sentir violento, eu fiquei cego.
Sou diligente em meu sentir?
Procuro romper com esses sentimentos violentos?
Carrego dentro de mim sentimentos desse tipo?
Move-se dentro de mim esse sentimento?
No auge de uma discussão, o que eu faço?
O que eu empunho contra o outro?
O que me diferencia de um mau caráter?
Sou hipócrita em que nível?
Carrego desejo de vingança dentro de mim.
Os deleites de paz
precedem a vitória da guerra interior.
Bom será o dia em que estarei pacificado.
O que vou escolher?
Um viver sem controle do meu sentir?
Ou viver uma vida de verdade?
Carlos de Campos

O meu sofrimento não me permite elevação
Não bebo a solidão,
ela é quem me toma,
me possui em tudo:
sentido...
tato...
olfato...
paladar...
Nada está fora do seu alcance.
Algoz do meu mundo,
que em medo me enche,
o que nada desafia
na fria escrita
que rompe o silêncio.
Tempo sombrio.
Tudo o que faz sentido
está longe de ser revelado.
O que faz sentido não se explica:
observa,
sente e observa,
sente até sentido fazer.
No meu mundo é difícil sentir,
porque o sentido se desfaz
na ilusão do meu entendimento.
Meu caro, devo lhe dizer:
o Invisível é quem te guia,
na escuridão ou na iluminação.
Carlos de Campos

Um olhar atento para dentro
Morte como obediência de uma vida,
Vejo escapando de minhas mãos
Na neblina que turva a minha vista,
No oceano em que estou mergulhado.
Os meus olhos cegos seguem pelo caminho,
Tateando os ares,
Perdendo-se em si mesmos
E encontrando-se no outro.
Nossa bela morte
Nos beija constantemente na face,
No amargo do meu suor,
Compreendendo todos os meus medos.
Medo de uma vida
Distante do desejado,
Doses de fracasso
Capazes de mudar toda a minha sorte.
O sonho me distrai,
Me faz avançar,
Me limita,
Me instiga a sempre ir para frente.
Me orienta em meu interior
A permanecer sempre atento,
Usufruindo do mel da sabedoria eterna
Que pulsa no limiar da vida e da morte.
Carlos de Campos

O frio dói e beija na escuridão
No inverno, esconde-se a dor.
A tristeza pede para permanecer.
A dor é sua moradia,
é o instante de todo o meu sofrimento.
Instante febril,
bagagem que me sufoca,
que desmorona sobre mim,
sobre o instante já perdido.
O inverno é frio.
Para além do frio, é escuro,
é solitário,
é vazio de qualquer sentido.
O que fazer?
Como sentir novamente?
Além da escuridão e do frio,
como não estar solitário?
Carlos de Campos

O corpo e a mão veem os sentidos
O nosso destino está no ver.
No ver de quem sente,
no ver de quem ouve.
Ver é ouvir o sentido.
O sentido que vê
é o mesmo sentido que ouve,
que sente o sentido do olhar.
Vê como eu sinto?
Sente o que eu vejo com o ouvido?
Sua capacidade de ver está extremamente aguçada.
Seu corpo se arrepia todo.
Sua mão suada me toca,
toca como quem quer ver o que está ouvindo.
Sua boca deixa sair os sentidos.
Sua alma está plena em ver o que eu vejo.
O estado de ver
é visto nos olhos,
é sentido.
As minhas comoções vêm à tona,
ligadas ao meu ver.
Eu vejo o que vejo.
Suas mãos estão frias.
Suas mãos veem o meu corpo,
passeiam pelo meu corpo.
Meu corpo vê os sentidos.
Carlos de Campos

Uma opção é ver, e a outra?
Os caminhos são tortuosos.
Tudo é precário.
São caminhos,
caminhos necessários.
O que preciso fazer para passar por esse caminho?
Caminho da desolação,
do tédio,
da ilusão à flor da pele.
Moedor da dignidade,
dos valores esquecidos.
Caminham juntos pelos caminhos tortuosos,
caminham com o risco de não caminharem mais.
Vê o que não se pode ver?
Porque, vendo, você descobre a lucidez.
Porque, vendo, você vê o que eu vejo.
Vê, porque é preciso ver?
Diga-me: o que vê?
Para que lado olhas?
Vê-se com outros sentidos também.
Vê-se sentindo o pulsar da razão.
Jovem ou idoso,
todos fazem parte desse caminho.
Caminhos, por muitas vezes, tortuosos.
Caminho que nos dá a esperança de caminhar.
Carlos de Campos
