Sem destino certo Sou como a bola esperando alguém chutar Sou a estagnação de medo De quem se vê em um estádio lotado."
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Livro 7: A filosofia do gramado (Poema 02/60)
Opor-se ao destino
Sem destino certo Sou como a bola esperando alguém chutar Sou a estagnação de medo De quem se vê em um estádio lotado.
Caminho no tempo O tempo que faz o jogo correr Que faz a vida acontecer Sou a bola no tempo presente.
No templo interior Está acontecendo o maior jogo da minha vida Cada segundo que passa me deixa mais próximo da derrota Sou a bola que depende de pés habilidosos.
Os segundos passam Cadenciam para um final traumático Sem direção
O eterno tempo que não passa. Migalha é o nosso tempo O tempo que angustia a alma Que sofre com a obsessão Bom é cada vez mais sentir.
Em um belo dia A natureza estava radiante Tudo é mais intenso do que o normal Do sabor, da cor e do sexo.
É um dia caprichosamente melhor do que foi ontem Ouço a quilômetros de distância o rio brincando em seu leito Ouço os pássaros cantando em uma linda sinfonia E observo uma mãe amamentando a sua cria.
Que esse dia se estenda pelos séculos São dias como esse que valem a pena contemplar Dia em que a eternidade resolveu se manifestar Sou esse anjo de luz a vibrar.
O enigma celestial a nos envolver de paz Sou eu compactado plenamente nas entranhas de Deus Capricórnio no jardim do Éden Quem sou eu além de um magnífico querubim?
Os meus dias de glória vão se acabando E com eles vou me acordando
Voltando a ser mais um mortal Tendo que abrir os olhos para a dura realidade.
Durmo no colo das deusas Acordo compactuando com o capeta Beijo os lábios mais doces que o mel Para deitar-me com os “escrupulosos”.