Tag: poesia filosófica

  • É no impossível que se realiza o possível



    É no impossível que se realiza o possível

    Move-se em meu ser
    um ser finito,
    com limitações,
    um ser que abriga o infinito.

    Somos as mais belas das contradições.
    Somos extremamente limitados,
    ao mesmo tempo em que manifestamos o infinito
    em tua essência, em nossa vida.

    É, em nossa vida, um mistério da resistência,
    em que o não existir seja o mais coerente.
    De incoerência em incoerência,
    resistimos para existir.

    É no apogeu dessa existência finita
    que miramos, de maneira natural, para o infinito.
    E, sem saber ao certo,
    seguimos — limitados, mas seguimos.

    Perseguimos o entendimento do infinito
    que, quando chega até nós, é finito.
    É finito quando o observamos,
    e infinito quando buscamos alcançá-lo.

    É um mistério que procuramos desvendar.
    Buscamos o sentido de estarmos aqui,
    entre o possível e o impossível
    e a possibilidade de sermos quem não sabemos quem somos.

    Carlos de Campos
    Foto por GEORGE DESIPRIS em Pexels.com
  • Os caminhos são incertos



    Os caminhos são incertos

    Existe desejo que não é só desejo:
    virtude apática.
    Existe poder que é só desrespeito,
    força com violência.

    Existimos em meio a tudo isso,
    em meio à distopia.
    Sofremos violência
    e também a cometemos.

    Instinto.
    Desejo proibido.
    Sem solução.
    Estranho em emersão.

    No teu entendimento,
    só acabamos com o outro.
    Longe de um equilíbrio,
    o certo é a incerteza.

    O ser humano é uma incógnita,
    mesmo para si.
    É um desafio a ser decifrado,
    um labirinto escuro a ser explorado.

    Não existe um caminho certo,
    nem indicação de direção.
    Só existe a velha e certa incerteza
    e dúvidas das incertezas certas.

    Carlos de Campos
    Foto por Brady Knoll em Pexels.com
  • Deterioração da mente compassiva



    Deterioração da mente compassiva

    No difícil convívio comigo,
    consigo ser surpreendido.
    Nada é claro,
    nem tudo é simples.

    Todos os dias,
    a gente pira um pouco mais,
    e nem percebemos.
    Mesmo assim, continuamos.

    Ódio e ilusão,
    descontentamento refletido,
    e eu estou perdido em mim
    e em minhas contradições.

    O que pensar, não sei.
    Sei que a realidade é triste,
    repugnante,
    massacrante.

    Intimidado pelo meu próprio mundo interno,
    que me interpela constantemente
    para que eu permaneça estagnado
    nesse conflito com a mente.

    É ilusão acreditar que exista solução,
    quando os agentes da transformação
    foram cooptados por emoções não resolvidas.
    Estamos vivendo na inércia.

    Carlos de Campos
    Foto por Wavy_ revolution em Pexels.com
  • Interior é a vida que vivemos



    Interior é a vida que vivemos

    Quem deseja ir
    Sem saber o que quer
    E sem saber para onde vai,
    Vai sem direção.

    Em que direção devo seguir?
    Sigo o coração perdido?
    Os escombros de uma história inteira?
    Parado, encontro a existência.

    Existe uma resistência em prosseguir.
    O abismo é...
    Um silêncio que grita no vazio.
    É uma luta desesperada pela sobrevivência.

    Caminho de difícil acesso,
    Entre buracos e desníveis.
    Mas é preciso continuar.
    Não dá para ficar estagnado.

    O interior é a força que nos influencia,
    É quem dita para onde devemos seguir
    E como percorremos esse trajeto —
    Justamente onde damos menos atenção.

    A alma interior
    É quem nos conduz
    Para onde estamos ancorados.
    Você está ancorado em que cais, nesta existência?

    Carlos de Campos
    Foto por Heiner em Pexels.com
  • Coletivo em estado desfragmentado




    Coletivo em estado desfragmentado

    Modo “desisto”:
    é como estamos.
    É fluido em sensações —
    as próprias sensações.

    É fluido em sentimentos —
    nos próprios sentimentos.
    É a incerteza sendo incerta
    no instante em que estou certo.

    Instantes instáveis
    da verdade que nunca foi verdade,
    dos desejos sem desejos,
    em que tudo está instável.

    Dos que se acham donos do mundo,
    do mundo perdido entre destroços —
    destroços de uma vida infeliz,
    feliz pelo fracasso.

    Instável!
    Certo de que tudo segue o seu destino:
    instinto faminto,
    instável formidável.

    Certo de que o mundo está fracassado,
    ferido de morte
    pela nossa dúvida.
    Coletivo fluido —
    é o que nós somos.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Deleite Divino



    “Deleite Divino” é um poema que celebra o amor como uma experiência sensorial e transcendental. O toque, o olhar, a contemplação do cotidiano. Um convite à fusão entre corpo, alma e instante.

    Neste poema, a poesia se revela como um caminho para viver o amor com profundidade, liberdade e consciência. Ideal para quem busca palavras que tocam, curam e despertam emoções.

    🌟 Leia mais no blog / Curta e compartilhe com quem ama poesia!


    Poema sensorial e espiritual sobre o amor. “Deleite Divino” é uma entrega poética ao instante, ao corpo e à alma — com delicadeza e intensidade.



    Deleite Divino

    Preciso me embriagar dos teus beijos,
    deliciar-me do teu jeito,
    olhar atrevido,
    suavemente tocando o sentido.

    Leve como um bom sonho,
    livre é como me encontro,
    mergulhado em tuas sensações,
    distante estou do mundo.

    Descasco uma laranja
    enquanto te observo:
    delicada em teus movimentos,
    insistente em teu olhar.

    O elixir das deusas recai sobre minha cabeça.
    Explodem em meu ser fogos de artifício.
    Estou todo entregue ao momento,
    no êxtase do amor.

    Carlos de Campos
    Foto por Eric Moura em Pexels.com
  • O barco da vida, turbulência encontra

    Poema intenso e existencial que reflete sobre insistir, desistir e o sentido de viver em meio ao caos. Leitura para pensar e sentir profundamente.

    O barco da vida, turbulência encontra

    No desistir, o insistir é uma chance de existir?
    Existimos…
    Por que existimos?
    Desistir de existir.

    Insistir em um projeto é burrice?
    É a valentia dos heróis?
    Alguém forçado pelo sistema?
    Um fracassado que só não quer dar o braço a torcer?
    Desistir de existir é uma opção viável?

    Existir, o que andas fazendo?
    Sonha acordado e anda parado?
    Insiste em desistir,
    O sonho dos alucinados?

    O sonho de existir passa pela realidade de desistir.
    Desisto, logo estou fodido,
    Frustrado em insistir no existir.
    Eis o âmago da existência.

    Carlos de Campos
    Foto por Katia Miasoed em Pexels.com
  • A vida segue girando: E você é culpado, inocente ou só mais um otário?

    A vida segue girando: E você é culpado, inocente ou só mais um otário?

    O rodar significa que não existe segurança em nossa vida.

    Seja, na vida, um girassol que tem foco e sabe diferenciar quem é lua e quem é sol.
    Seja como o girassol, meu amigo e minha amiga.


    Quem nunca foi otário?
    Quem nunca…?
    Quem nunca acreditou no amor para toda a vida?
    Quem nunca…?

    Nunca deixe de acreditar
    Que o mundo é um lugar perfeito,
    Que Deus é brasileiro.
    Só não seja mais um otário.

    Uma dica para a vida:
    Nunca seja otário,
    Nem acredite que é um malandro de excelência.
    Só sinta em quem você deve confiar nesta vida.

    A vida é uma imensa mineradora a céu aberto.
    É preciso garimpar com muito cuidado
    Quem você quer ao seu lado.
    Amigo que vale ouro é raro.

    Nunca seja um idiota
    Que só segue o fluxo da vida,
    Que acha maneiro ter ao lado más companhias
    Só para ter o prazer de comprovar o seu ponto de vista.

    A vida é uma enorme roda-gigante.
    É lenta no girar, mas sempre chega ao seu destino.
    A vida é igual para punir ou absolver.
    O melhor que temos a fazer é não ser mais um otário.

    Carlos de campos
    Foto por Ayu015fenaz Bilgin em Pexels.com
  • Quando o nome é a pergunta

    Quando o nome é a pergunta

    Jogos de emoções são a liberdade sendo pervertida, que, ao eclodirem, se desnudam em falanges de egocentrismo. O que são esses demônios induzindo à miséria? Na verdade, são crenças limitantes de uma pessoa gestando desejos inconscientes. Fidelidade promíscua com o submundo. Demônios entoam em minha alma: abuso de poder! Eis que vem o abuso de poder…

    O silêncio canta junto da alma: desejos sombrios, venham todos à luz…

    Carlos de Campos

    Foto por Veronika Voinorovich em Pexels.com
  • Da solidão avassaladora à vitória

    Da solidão avassaladora à vitória

    Gosto do cheiro da chuva.
    Daí, me sinto acolhido,
    Livre da solidão —
    Solidão, não sozinho.

    Que solidão é essa?
    E o que devo fazer?
    Da solidão, a tristeza
    Do tempo que passa.

    Ilusão e solidão,
    Sozinho e triste.
    Dia de chuva, sinto o cheiro da terra,
    Cheiro da terra incrustada.

    Luta-se diariamente.
    O confronto é corpo a corpo.
    Em cada luta, uma derrota.
    Luta-se para, quem sabe, um dia vencer.

    Luto porque luto.
    Mesmo derrotado, continuo lutando.
    Luto contra meu pior e mais letal inimigo:
    Luto contra minha própria mente.

    No dia em que a chuva cair
    E os terreiros forem molhados,
    Há de ser o sinal
    De que a minha próxima luta eu vencerei.

    Carlos de Campos
    Foto por Jou00e3o Cabral em Pexels.com