Tag: poesia introspectiva

  • Reviver o amor, no amor, pelo amor


    Reviver o amor, no amor, pelo amor

    Reviver é o mesmo que sobreviver?
    É a espera em uma esperança fria?
    É a universalidade do finito?
    É a mentira posta como verdade?
    É o meio de um inteiro?
    É a alma de um corpo sem vida?
    É a vida em um corpo morto?
    O que eu devo saber?
    No momento certo saberei?
    Não existe o momento certo para as incertezas.

    Soube onde iria quando nasci,
    quando me abraçastes pela primeira vez.
    Naquela noite,
    tudo fazia mais sentido.
    Sentia como se fosse um delírio,
    momento único para estar só,
    na trincheira da vida, sozinho.
    Longo silêncio interior.
    Não há mais nada para viver.

    Uma centelha de esperança se acende
    no fundo da alma humana,
    na escuridão profunda da consciência,
    no mar tempestivo das emoções,
    na mais bela razão que nos faz estar vivos,
    na finitude da existência que nos aprisiona.
    Nada mais é tão simples como viver,
    como pena lançada ao vento, que apenas voa.

    Carlos de Campos
  • Onde estaremos?


    Onde estaremos?

    O relógio está mais lento,
    os ponteiros estão parados.
    Há tempo para respirar.

    Carlos de Campos
  • Caio na realidade

    Caio na realidade


    Meu ser está vagando.
    Minha alma procura conforto,
    procura a alegria.
    Quando foi a última vez que tive alegria?
    Tento dar sentido às coisas.

    Carlos de Campos
    17090304

  • Sem amor nada faz sentido

    Sem amor nada faz sentido

    Me sufoca o ar raro efeito.
    Não consigo respirar.
    Aqui é frio.
    Onde posso me esconder?

    O poder do amor soterra,
    maltrata o amante,
    mata quem é amado.
    O que me faz amar, além da morte?

    O meu corpo não pensa.
    Meu destino é segredo.
    No incêndio da mente,
    o poder é destrutivo.

    Ruas destruídas,
    estradas sem saídas,
    queimadas por todos os lados.
    Falta água.

    Nos últimos dias,
    tudo se dispersou,
    se alinhou
    e seguiu.

    Vejo o amor despido,
    enlouquecido,
    nos seus delírios,
    se entregando.

    Carlos de Campos

    Foto por u00f6mer u00e7elik em Pexels.com
  • Uma opção é ver, e a outra?


    Uma opção é ver, e a outra?

    Os caminhos são tortuosos.
    Tudo é precário.
    São caminhos,
    caminhos necessários.


    https://caravanagrupoeditorial.com.br/produto/enquanto-a-solidao-me-abraca/

    O que preciso fazer para passar por esse caminho?
    Caminho da desolação,
    do tédio,
    da ilusão à flor da pele.

    Moedor da dignidade,
    dos valores esquecidos.
    Caminham juntos pelos caminhos tortuosos,
    caminham com o risco de não caminharem mais.

    Vê o que não se pode ver?
    Porque, vendo, você descobre a lucidez.
    Porque, vendo, você vê o que eu vejo.
    Vê, porque é preciso ver?

    Diga-me: o que vê?
    Para que lado olhas?
    Vê-se com outros sentidos também.
    Vê-se sentindo o pulsar da razão.

    Jovem ou idoso,
    todos fazem parte desse caminho.
    Caminhos, por muitas vezes, tortuosos.
    Caminho que nos dá a esperança de caminhar.

    Carlos de Campos
    Foto por Dee Onederer em Pexels.com
  • Quando surge a iluminação


    Quando surge a iluminação

    Os dias estavam tranquilos.
    Nenhuma anomalia acontecia.
    Era um pouco estranho,
    mas tudo percorria naturalmente.

    O medo cessou de repente.
    Tudo se fazia organizar.
    Naquele momento,
    não fazia mais sentido se esconder.

    Sim, tudo aconteceu de uma hora para outra.
    No momento, estou buscando entender
    tudo o que se passou comigo,
    porque nada mais faz sentido.

    Meu cão, onde ele está?
    Tenho um cão?
    Apesar da normalidade aparente,
    os meus pensamentos parecem perdidos.

    Estive pensando sobre esses pensamentos
    distantes, que não parecem ser meus.
    São pensamentos fragmentados,
    fora de contexto.

    Quem sou eu para mim mesmo?
    Quem foi quem penso ser?
    O que importa agora
    é que o dia precisa ser experimentado.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com
  • Leveza que nos conduz à tranquilidade



    Leveza que nos conduz à tranquilidade

    Olhe bem para mim.
    Para o meu destino.
    Olhe bem.
    Deitado, observe sua alma.

    Olhe para dentro de minha alma,
    espelho refletindo a tua alma.
    Deitado, observo você fazendo parte de mim,
    sentindo leveza e profundidade.

    Tua alma está em minha alma,
    em um fluxo para além,
    além de tua própria alma,
    dos desejos contidos.

    Leve como pena é como me sinto.
    Sinto uma tranquilidade além da tranquilidade.
    Deitado nos braços de minha dignidade,
    estou tranquilo.

    Estou tranquilo.
    Além dos meus desejos,
    estou como precisava estar,
    além de onde deveria estar.

    Nossas almas estão unidas,
    refletindo essa intensa alegria.
    Distantes de todo o ruído,
    estamos livres e tranquilos.

    Carlos de Campos
    Foto por Caitlin em Pexels.com
  • Um sonho, uma esperança


    Um sonho, uma esperança

    Surge diante dos meus olhos uma luz suave. É possível ver esferas douradas; são lindas essas esferas douradas, que gravitam dentro dessa luz suave. Tudo isso vejo diante dos meus olhos. Percebo que essa luz suave se movimenta em minha direção, encobrindo todo o meu corpo. Eu faço parte dessas esferas douradas agora.

    Faço parte desse mistério. As esferas douradas dançam ao meu redor; sinto-me feliz e danço no mesmo ritmo dessas esferas douradas, danço. Essas esferas começam a pulsar, intercalando entre o forte e o fraco, entre o intenso e a ausência total de luz. No momento em que tudo se apaga, vão se acendendo uma por uma e parecem querer se comunicar comigo.

    Comunicam-se em forma numérica: cada esfera dourada contém um número. Diante de mim, revelam-se esses números misteriosos, números de nível elevado, como podemos ver: cinquenta e dois, quarenta e quatro, vinte, dezoito e dois. Tudo é mistério sem fundamento, antítese da racionalidade, um mistério que vi e observei bem de perto.

    Carlos de Campos

    Foto por FURKAN Gu00dcNEu015e em Pexels.com
  • No interior de minha alma, eu me encontro



    No interior de minha alma, eu me encontro

    Inteiro, me encontro,
    descendo no mais profundo de minha alma.
    Desço em meu ser,
    na heparina chamejante
    que está acesa em mim desde sempre.

    E aí me encontro.
    Contemplo sua magnífica beleza,
    o chamado à poesia.
    Inclino-me para ouvir,
    ouço com profunda atenção.

    Do centro dessa chama,
    tudo se torna claro.
    Na distância do ser,
    existe a presença que nos aproxima,
    que nos guia
    e é quem nos orienta.

    No centro de minha alma,
    dentro da imensidão,
    eu me torno quem nasci para ser.
    Ouço a voz que me guia,
    da chama de minha alma,
    que acesa se encontra
    desde sempre.

    Eu aceito o que preciso aceitar,
    desfruto de cada sinal
    que a minha alma dá.
    Eu sou a poesia,
    eu sou a beleza contemplativa,
    sou uma beleza extraordinária.

    No profundo de minha alma,
    eu me desperto.
    Não de qualquer coisa:
    desperto para a minha missão,
    desperto para as palavras.

    Profundo,
    cada vez mais profundo,
    sei exatamente o que devo fazer,
    sei como fazer.
    É mais simples que tirar água do poço,
    levar até a boca
    e matar a sede da alma.

    É profundo e imenso,
    em nada se funde,
    em nada desperta:
    é alma desperta,
    palavra fumegante
    diante do meu ser.

    Sou quem nasci para ser,
    sou alma apaixonada,
    sou diamante lapidado,
    sou certeza e árvore frutífera,
    sou a clareza,
    sou o despertar das nações.

    No interior de minha alma,
    sou cada palavra,
    sou cada consciência
    que surpreende a emoção.
    Momento de mais pura intimidade,
    em nada eu me pareço.

    Imito desejos profundos,
    mas sou a pureza dos desejos.
    O que parece com tudo,
    sou o que há de mais inédito no mundo.

    Sou a chama ardente
    que arde em cada ser,
    que provoca cada alma
    nos túneis da existência.
    Eu existo com a mais bela poesia.

    No arder, nasce a vida,
    cada um buscando sentido:
    sentido para sentir,
    sentido para existir.

    Sinto, em cada palavra que escrevo,
    a vida existindo,
    o amor transformando
    saudades em memórias,
    almas em rosas,
    rosas nas mais belas poesias.

    No interior da chama ardente,
    a chama atravessa a alma.
    Desço —
    importante é voltar
    para sempre contemplar
    a essência onde habita
    a minha vocação para amar.

    Carlos de Campos
    Foto por Nothing Ahead em Pexels.com
  • Vai, voe o mais alto e o mais longe



    Vai, voe o mais alto e o mais longe

    Sem limites para voar.
    Voamos
    para bem longe.
    Voamos sem nos despedirmos.

    Estamos voando sem rumo,
    sem direção nos perdemos.
    Na loucura nos encontramos,
    aqui estamos sem perceber.

    Voamos para bem longe,
    tão longe que nos perdemos.
    Nos perdemos no horizonte,
    na volta para casa.

    É no voo noturno que me realizo.
    Na contemplação da lua me divirto.
    Sem direção, mesmo assim me arrisco,
    arrisco voar pela liberdade que o voo me traz.

    Estou à deriva,
    perdido me encontro.
    Me consolo,
    sozinho me encontro.

    Voar é arriscado.
    Mesmo diante dos riscos, voar faz sentido.
    Voar faz parte da natureza humana.
    Voe o mais alto e o mais longe que puder.

    Carlos de Campos
    Foto por Zeeshaan Shabbir em Pexels.com