Tag: poesia introspectiva

  • Sou o príncipe da escuridão


    Sou o príncipe da escuridão

    Imperdoável é cada ato.
    É um ato que instiga memórias,
    é um ato perfeitamente incompreensível,
    é um ato que desequilibra o dia.

    Sou um átomo de miséria,
    de irrelevância quântica.
    Sou um nada;
    nos dias frios, sou a tristeza.

    O grito reprimido,
    as mãos atadas,
    o ideal desprezado,
    nada além de ser só mais um.

    Enquanto existir o amanhã,
    a alegria em mim se apagará;
    o desejo estará escondido,
    e o medo triunfará.

    Os demônios entram em minha vida,
    percorrem a minha mente com sua orgia:
    depravação da hiper-hipocrisia.
    Do ventre nasce um bezerro de ouro.

    Os dias passam sem passar,
    os meses estagnaram
    na odiosa sensação de perfeição.
    Sou só mais um perfeito imperfeito.

    Carlos de Campos
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  • A fundação de toda a nossa vida



    A fundação de toda a nossa vida

    Mar límpido e calmo
    diante da minha vida agitada.
    O meu medo ronda.
    O que esperar de tudo isso?

    Estou assustado.
    Estou me sentindo infeliz.
    Nada é mais como antes.
    Como era antes?

    É precioso o meu pensar,
    o existir na capacidade do existir.
    É precioso o nosso olhar,
    na capacidade de sempre acolher.

    É infinito quem sabe abraçar,
    na capacidade de viver.
    É infinito o seu coração,
    mesmo nas duras penas da vida.

    É vida sendo expelida,
    é ave alimentando os seus filhotes.
    Não há dor neste momento,
    nem existe solidão.

    Há esperança brotando na rocha.
    Tudo, absolutamente tudo,
    ecoa a bondade do homem.
    Tudo é mar tranquilo novamente.

    Carlos de Campos
    Foto por sumit see em Pexels.com
  • Preciso de você na ausência de minha alma

    Preciso de você na ausência de minha alma

    No desejo escondido revela-se a tua essência. É no amor que me recolho. Na incerteza dos dias, me rebelo. Restaram-me o teu olhar frio e vazio, inocente de malícia. Estou em busca — em busca dos sonhos não resolvidos, dos dilemas que foram enaltecidos. É hora do amor, das ilusões de cada momento. Quem sou eu nesse mundo de tristeza e desencanto coletivo?

    Longe do amor, dedico-me a estar perto de você. Nesse momento sombrio, fico sem entender mais nada. Longe de você, só me resta a solidão — vazio cheio de presença, ausência de mim e de você, dos desvios existenciais e dos desejos carnais. Carne fresca de frescura exuberante, de um declínio extravagante de nossa liberdade, pautada pelos nossos erros, que vão deixando rastros pela história.

    O instinto primitivo nos rege, fazendo-nos reagir de maneira um tanto grosseira. Os instintos primitivos me fazem sucumbir em devaneios sinceros, em alucinações rabiscadas pelo ópio da contradição de uma tradição que me contraria a todo tempo, sufocando-me. Quase sempre estou cansado de ser quem sou.

    Carlos de Campos

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