Tag: poesia psicológica

  • Em seu peito pulsa essa minha dor

    
    
    
    
    
    Em seu peito pulsa essa minha dor

    Rasgo, em meu peito, essa flor,
    dor desse espinho cravado,
    pus da inflamação
    de um ódio cultivado no cotidiano.

    Ódio sem precedente,
    que machuca o meu peito febril.
    É insuportável, e eu preciso agir,
    e a violência acaba sendo o meu refúgio.

    Que a violência não é remédio, eu sei.
    Sei que essa dor é insustentável,
    que essa pressão me enlouquece,
    me distanciando da minha sanidade mental.

    Não tenho ninguém por mim.
    Tudo leva a duvidar do meu caráter.
    Não olham para o meu peito sangrando,
    nem para esse corpo em estado febril.

    Sucumbirei a qualquer momento
    nesse abraço apaixonado
    que transfere para o seu peito o meu espinho de dor.
    Teu beijo acolhedor desinflama a minha alma.

    Um dia te amarei com esse mesmo amor,
    um amor que doa vida,
    um amor que promove a cura física.
    Um dia irei te amar tanto assim.

    Carlos de Campos
    Foto por u0412u0430u043bu0435u0440u0438u044f u0428u043au043eu0434u0430 em Pexels.com
  • Dúvidas que pairam no coração e na mente



    Dúvidas que pairam no coração e na mente

    No que devo me apoiar?
    Tudo me parece tão esquisito.
    No que devo recolher a minha atenção?
    Tudo me parece tão desatento.

    Em nada posso confiar.
    Tudo me parece raso demais.
    Estúpido!
    Na profanação desses versos me esqueço.

    O que precisamos entender desta vida?
    O que é profanar os versos inversos?
    Quando chega o ponto em que precisamos rasgar a alma
    e liberar a nossa dignidade?

    O que devo esperar de uma alma libertada?
    Alma que vagueia sem sentido,
    desligada de todas as emoções,
    vagueia assombrada.

    É primavera, as borboletas renascem.
    Conflitos sangram no calor das emoções.
    O silêncio reivindica.
    Tudo se destrói.

    Tudo persiste como um incômodo,
    um inverno em plena primavera.
    É a condição de uma alma presa ao corpo humano,
    humano que profana versos o dia inteiro.

    Carlos de Campos
    Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com