Tag: poesía reflexiva

  • Onde estaremos?


    Onde estaremos?

    O relógio está mais lento,
    os ponteiros estão parados.
    Há tempo para respirar.

    Carlos de Campos
  • Os sonhos escondidos


    Os sonhos escondidos

    Foi no auge de minha lucidez,
    onde os caminhos já não tinham mais volta,
    os sonhos foram despedaçados.
    A vida complicada ficou,
    a ilusão finalmente chegou.

    Carlos de Campos

  • Ruminar no santuário do coração


    Ruminar no santuário do coração

    Os deleites da alma
    transbordam em emoção.
    São décadas enclausuradas,
    cultivando o amor sagrado
    que, sangrando, se faz sozinho.

    Carlos de Campos
  • Nós estamos muito cansados


    Nós estamos muito cansados

    O empecilho na estrada
    Nos impede de ver,
    De sentir,
    De existir aqui.

    Tenho o que não preciso,
    A distância me irrita,
    O fôlego diminui,
    Sinto-me exausto.

    Reúno a coragem,
    Coragem para persistir,
    Insistir em continuar respirando.

    Respiro a pureza do existir,
    Da vida que nos faz teimar
    E que nos leva a prosseguir.

    Carlos de Campos
  • Um instante passageiro


    Um instante passageiro

    Me vejo absorto.
    Nada parece estável.
    Preciso de segurança.
    O solo deixa buracos.

    No percurso, destilamos ofensas.
    Encaramos os nossos próprios medos,
    sabendo que, lá no fundo, estamos apavorados.
    Precisamos seguir sem demonstrar inquietação.

    Lutar é o que dá sentido para a vida.
    Internamente, somos tão humanos
    que cada passo parece uma longa jornada.
    Tentamos dar os passos mais seguros.

    Há pior momento do que perder?
    Tudo, absolutamente tudo,
    no movimento seguinte,
    deixamos algo pelo caminho.

    Quem, olhando para a própria vida,
    quis desaparecer?
    Procurou sentido no próprio existir?
    Na fadiga que nos envolve?

    Não estou vendo uma saída,
    se é que existe uma saída.
    Um olhar mais detalhista,
    um dia de sorte.

    Olhei para além do que via
    e vi que existia uma saída.
    Uma nova chance eu encontrava,
    além das minhas possibilidades.

    Insisti em reconsiderar,
    como se tudo estivesse acabado,
    como se os meus desejos não contassem.
    Respirei para reconsiderar.

    Purifiquei as minhas ideias.
    As distrações me perseguiam.
    Desejo e sonho ao mesmo tempo.
    O que farei agora?

    O meu testemunho é verdadeiro.
    Lutar para viver é necessário.
    É a realidade indagando,
    o mundo estreitando.

    Um belo sonho estou sonhando,
    um canto estou compondo.
    Tudo é santo,
    como eu sou pecador.

    O sonho é verdadeiro
    quando sonhar faz total sentido.
    No meu viver, não fez.
    Não estou sendo pessimista demais?

    Meu Deus do céu,
    o sol apagou.
    Na escuridão da vida,
    sigo a minha rotina.

    Um breve silêncio ecoou.
    Na chama fria da vida se fez,
    se fez desejo, sonho e solidão,
    se fez a mais pura contradição.

    Instante ferido pela morte
    não poupou nem a própria sorte.
    Nas profundezas de um sortilégio,
    sem nenhuma animação.

    O que passou, passou.
    Sou este instante,
    essa lucidez calculada.
    Eu sou o tempo perdido.

    Leveza abstrata,
    sonho fascinante,
    um toque.
    Tua é a nossa sorte.

    Uma cadência pura de razão.
    Vê quem está perto,
    perto demais para entender
    que o momento exige paciência.

    Os seus olhos me seduzem,
    me revelam detalhes,
    detalhes que passam despercebidos
    e que são essenciais nesse momento.

    Peça batendo cabeça,
    sorte contida,
    impulsos desprovidos de certezas.
    Desistir tornou-se uma opção.

    A morte é a minha nova sorte,
    é o destino insistindo,
    é o preço a se pagar.
    Respiro para voltar.

    Oh, demasiadamente bizarro,
    os desígnios se revelam,
    as abstrações tomam formas.
    O que vejo é imperdoável.

    Resta saber: quem viu?
    Quando, estando prestes a saber, soube
    que esse seria o movimento certo,
    quem não soube compreender?

    Os desejos inflamados querem correr.
    Cegaram os olhos que nunca viram
    além do que lhes era permitido ver,
    e, quando viram, já era tarde demais.

    Resistir é necessário,
    mas qual seria a melhor resposta?
    Sem saída,
    o fim se aproxima.

    Apego-me às soluções improvisadas,
    em espantalhos imaginários,
    no destino traçado pela sorte
    para quem ainda não viu.

    O que são esses movimentos,
    além de movimentos
    de meras incertezas,
    sem observações?

    Um recuo se faz necessário,
    um salto para o escuro.
    Sem medo algum, eu sigo o meu destino,
    incerto, mas ainda é o meu destino.

    Move-se em pleno voo
    um pensamento congruente,
    um passado absoluto
    contando um presente.

    Nossa é a vida presente
    dos momentos apaixonados.
    Um dia é como vemos.
    Voar é estar livre.

    Carlos de Campos

    Poema baseado “Na partida imortal de xadrez do dia 21 de junho de 1851 entre adolf andressen e lionel kieseritzky”
    Foto por Alvaro Camacho em Pexels.com
  • Escolhas que precisam ser feitas?


    Escolhas que precisam ser feitas?

    O que me faz sentir?
    O que sinto me faz bem?
    Me traz paz?

    O que sinto me leva a prejudicar alguém?
    Sinto-me ferido pelo que sinto?
    No sentir violento, eu fiquei cego.

    Sou diligente em meu sentir?
    Procuro romper com esses sentimentos violentos?
    Carrego dentro de mim sentimentos desse tipo?

    Move-se dentro de mim esse sentimento?
    No auge de uma discussão, o que eu faço?
    O que eu empunho contra o outro?

    O que me diferencia de um mau caráter?
    Sou hipócrita em que nível?
    Carrego desejo de vingança dentro de mim.

    Os deleites de paz
    precedem a vitória da guerra interior.
    Bom será o dia em que estarei pacificado.

    O que vou escolher?
    Um viver sem controle do meu sentir?
    Ou viver uma vida de verdade?

    Carlos de Campos
    Foto por Steve Johnson em Pexels.com
  • O futuro do Brasil — Poema: Mordaça à Democracia #1


    O futuro do Brasil — Poema: Mordaça à Democracia #1

    O futuro do Brasil é uma coletânea de poemas em que tento pensar, a partir do presente, o futuro do Brasil.



    Mordaça à Democracia

    Vê-se uma democracia fragilizada,
    Uma conivência brutal,
    Imaturidade política,
    Medo que paralisa.

    O poder corrompido em suas entranhas
    Prejudica o interesse pela política,
    Anestesiando mentes e corações.
    Tudo se encontra estagnado.

    Um tempo de escuridão se aproxima,
    Estado de consciência colapsado,
    Neutralidade viciante,
    Perdição do Estado democrático.

    Vê-se que nada mais podemos fazer,
    Tudo está carcomido por dentro,
    As estruturas estão prestes a ruir,
    Um gemido se revela em meio aos escombros.

    Tarde demais compreendemos
    O que não queríamos admitir.
    O medo venceu,
    O atraso avançou.

    Uma lágrima escorre dos olhos,
    Um coração tomado pelo ódio avança,
    Fomos imobilizados,
    Estamos sendo subjugados pelo desprezo.

    Carlos de Campos

    Foto por Jonathan Borba em Pexels.com
  • Tudo é dependente do amor

    Tudo é dependente do amor
    
    Homem caído na sarjeta,
    pela madrugada observo.
    Sem dignidade,
    esconde os seus preconceitos.
    O desespero aumenta,
    não existe paz em seu coração.
    
    Os dias são traiçoeiros.
    Escolhi me perder
    dia a dia.
    Me perco em meus desejos,
    sem filtro me escondo.
    Tudo é opção.
    
    Os escombros são a minha alma.
    Peco
    com meus desejos.
    Pecado é ter você
    sem sua roupa em minha cama.
    Pecado é amor.
    
    Disse o meu ego:
    “Tuas asas estão presas em mim.
    O teu corpo é meu corpo.
    Meus são também os seus amores.
    Tuas amantes são minhas.
    O teu prazer solitário são todos meus.
    Meus são os seus dias,
    a lua da sua noite,
    o que os seus olhos tocarem.”
    
    Nos túmulos fétidos,
    corroídos por vícios,
    túmulos lindos
    ocultando a nossa última missão.
    Na mais doce ilusão
    de que vamos viver no paraíso.
    
    O tempo é o instante perdido,
    desejo desfeito,
    perdido a procurar
    do êxtase o momento.
    Procuro o tempo no tempo,
    no amargo da solidão.
    
    Onde o amor se ausenta,
    o delírio se mantém,
    a violência impera
    como um incômodo graveto
    que inflama a ponta do dedo,
    que destrói toda a nossa paz.
    
    A minha evolução depende de você.
    Não existe sociedade individualista.
    Não se constrói dignidade com ódio.
    Nada floresce no deserto,
    em um corpo sem coração.
    Tudo o que vive e respira
    precisa de nossa unidade.
    Cabe a cada um de nós querer.
    
    Carlos de Campos 
    
    
    Foto por Sefa em Pexels.com
  • Quem te ouve além dos dedos?


    Quem te ouve além dos dedos?

    Mostre o dedo
    Quando o destino tentar te ferrar,
    Quando o sonho atrasado te fizer esperar.
    Sem culpa, mande se danar.

    Toda a sanidade em pleno equilíbrio entrará.
    Para o nirvana a tua alma será levada.
    Em paz você se encontrará.
    Mostre o dedo.

    Se uma palavra grosseira você ouvir,
    Sem receio, mostre o dedo.
    Silêncio solene.
    Um dedo é mais poderoso que mil palavras.

    Um dedo é remédio para a alma,
    Para as relações saudáveis se sustentarem.
    Reveja o seu comportamento
    E libere o dedo para os hipócritas.

    Um dedo te mostra o caminho certo.
    Um dedo te afasta das pessoas falsas.
    Duvide de quem melindra do seu dedo.
    Mostre o dedo com toda a sua indignação.

    Mostre o dedo como se fosse a mais bela canção.
    O dedo do meio é tua salvação.
    Tudo está um lixo.
    Mostrar o dedo se tornou um luxo.

    Carlos de Campos
    Foto por Aleksandr Burzinskij em Pexels.com
  • Faça de sua vida um sucesso


    Faça de sua vida um sucesso

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