Tag: Poesia Sombria

  • Defesa


    Defesa

    Tudo emerge de um pensamento
    Distante da realidade
    De um mundo habitado por fantasias,
    Emerge das profundezas.

    Não existe o que existe,
    Nem por arcanjos,
    Jurando solenemente diante de Deus
    Que meus pecados me levam para o inferno.

    Ouço a trombeta divina cantarolando,
    Ouço anjos fofocando.
    Sou a declaração do fracasso divino,
    A invenção devastadora dos poderosos.

    Mergulho diante da ignorância humana,
    Nos lábios carnudos da intolerância.
    Prevejo carnificina,
    A humanidade rolando em suas próprias fezes.

    Uma virgem
    Ora em um convento,
    Dispersa em seu interior,
    Se desfaz de sua santidade.

    Um silêncio toma conta de toda a minha alma,
    O desespero está suspenso.
    As minhas orações foram atendidas,
    Tudo volta para o seu estágio natural.

    Carlos de Campos
    Foto por Zura Modebadze em Pexels.com
  • Deus e demônio, eu sou os dois


    Deus e demônio, eu sou os dois

    Morte, desejo estranho, distante de mim. O que devo pensar no interior da alma? Camadas perdidas dentro de mim, rosnando para o meu ser. Quem sou eu, afinal? Ilusão e realidade. Dúvidas e certezas. Deus e demônio habitam o meu ser, guerreiam para decidir quem será o cafetão de minha alma, alma dividida pela divisão infinita, pela contradição estabelecida no caos de uma perversão enfraquecida. Deixo toda a minha alma para você.

    Instantes finais de uma decisão tomada, de um delírio constante. Quem sabe um dia tudo fará sentido. Bando de porcos corre por cima do meu corpo, buscando ouvir a palavra de salvação; carniceiro da pregação, aludindo ao prelúdio bestial dos homens purificados que ejaculam de sua própria arrogância e moralidade. É o fim de um final em que o início sempre piora. Estou ouvindo os deuses reivindicando que toda glória é merecida, tudo o que desejo é que assim seja.

    O lábio terrível da maldição não é o lábio que fala; é o lábio que, enquanto beija, injeta todo o seu veneno. Lábios da maldita maldição que nos mata por dentro, em silêncio, enquanto honramos o Deus de toda a perversão.

    Carlos de Campos
    Foto por Lisa from Pexels em Pexels.com