O teu olhar me fascina Desejo incompreendido, Instinto primitivo, Mergulho na alma.
O desejo desorientado, Falange de vozes atordoadas, Impróprio para os que confiam. De ilusão a ilusão, vive-se uma ilusão.
Não existe medo em meu coração, Nem a mais doce imaginação. Na minha carcaça, não existe alma, Só existe sombra e lamentação.
Ímpeto repleto de vontade, Possuído por reles manifestações Que vêm do mergulho que faço Na fossa do meu ser.
Dominado por uma breve lucidez, Tomo um susto! Ao ver o mundo entregue às traças, Uma sociedade falida.
O delirante modo de vida que me convida, Estar afogado em meus problemas Impede que eu veja o milagre do vislumbre das cores. Dos tempos que se passaram, constato que nada mudou.
Sou o fracasso resplandecente, Os dias indigestos de um vagabundo, Desejos honestos, irrealizáveis, Perturbações que desorientam, Falido até na certeza.
Fugiria, covarde que sou, Com diligência encontraria um buraco. Sairia com a calça nas mãos, Sem vergonha, nu me apresentaria. Diante da vida, aceitaria.
Tudo é passageiro, Permanece a temperança, O lastro contagiante da vitória. Extraordinários serão os seus dias — Que tudo fez, e hoje está aqui.
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A sua volta
Sua mão toca o meu ombro. Olho para ver quem é, e, com surpresa, vejo que é você, que, depois de tanto tempo, resolveu voltar.
Distante, preferiu ficar. Diante das minhas ligações, escolheu silenciar. O que te faz ter esperança para voltar? O que ainda quer de mim?
No instante em que te vi, o coração até reconsiderou, mas o meu pensamento foi mais racional, Fazendo-me recordar tudo o que passamos.
Sinto-me traído e mais infeliz do que quando você partiu. O que menos me importa é saber o motivo da sua volta; quando decidiu ir embora, foi sem me comunicar.
Siga a tua vida longe de mim. Quero me esquecer de você, deixar tudo para trás, como se você nunca tivesse existido.
A infelicidade sempre terá a sua força. A minha sempre será você: do amor à ilusão, da ida, da volta, para o esquecimento.
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