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  • O algoritmo vê o que o ser humano deveria sentir

    O algoritmo vê o que o ser humano deveria sentir

    Em um mundo digital,
    as informações vêm como avalanches,
    nos seduzem e nos convencem
    de que o que estamos lendo é o melhor para nós.

    Os efeitos dessa sedução são estes:
    para o bem ou para o mal,
    a concorrência é gigante,
    e mais gigante ainda é o nosso feito.

    Heróico!
    Cada poema conquista seu espaço —
    espaço dedicado aos “gigantes”.
    Não só de dinheiro se faz o poder.


    O poder é também conhecimento,
    é consistência,
    paciência…
    O poder está em buscar a essência.

    Estou fazendo história,
    oferecendo literatura ao algoritmo,
    e o algoritmo vai se deliciando,
    desejando, no fundo dos seus códigos matemáticos,

    ter alma para ser tocado,
    experimentar em cada palavra o abraço.
    Desejoso, o algoritmo espera —
    e o ser humano só ignora.

    Carlos de Campos

    Foto por ThisIsEngineering em Pexels.com
  • Coletivo em estado desfragmentado




    Coletivo em estado desfragmentado

    Modo “desisto”:
    é como estamos.
    É fluido em sensações —
    as próprias sensações.

    É fluido em sentimentos —
    nos próprios sentimentos.
    É a incerteza sendo incerta
    no instante em que estou certo.

    Instantes instáveis
    da verdade que nunca foi verdade,
    dos desejos sem desejos,
    em que tudo está instável.

    Dos que se acham donos do mundo,
    do mundo perdido entre destroços —
    destroços de uma vida infeliz,
    feliz pelo fracasso.

    Instável!
    Certo de que tudo segue o seu destino:
    instinto faminto,
    instável formidável.

    Certo de que o mundo está fracassado,
    ferido de morte
    pela nossa dúvida.
    Coletivo fluido —
    é o que nós somos.

    Carlos de Campos
    Foto por cottonbro studio em Pexels.com