Tag: realidade

  • Moedores de Almas

    Moedores de Almas

    Moedores moendo vidas
    Enquanto coçam suas feridas
    Dia após dia
    Enfrentam sem disciplina.

    Dia após dia, sem medo nem ilusão
    Discorrem sobre a solidão
    Dia após dia, querendo o que não se pode
    Seguem a dura insatisfação.

    Imperfeitos como a solidão
    Se desfazem em lágrimas
    Que lavam…
    Sem qualquer restrição.

    Deixam limpo
    Imperfeitos como era de se esperar
    Cabeças cheias de vento
    Levam a sujeira para debaixo do tapete.

    No submundo existe esperança
    Entre um abismo de discordância
    Fragmentada na realidade distorcida.

    Triturada em vidas passadas
    Sentida no pulsar revigorante
    Caminha para viver o que sentiu.

    Carlos de Campos

    Foto por Aleksandr Burzinskij em Pexels.com
  • Na beleza encontro a minha realidade

    Na beleza encontro a minha realidade

    Indo para São Paulo, me deparei com você, toda a beleza encarnada em uma só pessoa, em um só lugar, em uma só personalidade. Tudo o que eu conseguia fazer era ficar ali, admirando. Naquele ônibus, tudo passou a ser mágico.

    João era um amigo muito próximo. Ao perceber que toda a minha concentração estava naquela mulher, João me cutucou e sugeriu:

    • Vai só ficar olhando ou vai se levantar para falar com ela?

    Não sei por que, mas me faltava coragem.

    • Daqui a pouco eu vou – respondi a João, sem tirar os olhos dela.

    Pensava no que falar, como me comportar e como poderia disfarçar minha timidez quando fosse falar com ela. A timidez tinha tomado conta de todo o meu ser naquela altura. Não queria ser mal interpretado.

    Tudo naquele momento me parecia difícil de executar. Não entendia o porquê, mas só me sentia inferior diante dela, diante da beleza que a personificava. Por que a considerei bela demais para mim? Como eu poderia ter evitado essa conclusão?

    Quando resolvi me levantar para ir até ela, meu despertador começou a tocar. Precisei, então, me levantar para ir trabalhar.

    No final das contas, a minha vida, a minha realidade é essa: durante o dia, trabalhar tanto que sou incapaz de identificar o rosto de alguém; à noite, o que me resta a fazer é sonhar e, no sonho, desejar ver, tocar, sentir o belo que existe para ser vivido e que não consigo.

    Carlos de Campos