Tag: Reflexão Profunda

  • Os sonhos escondidos


    Os sonhos escondidos

    Foi no auge de minha lucidez,
    onde os caminhos já não tinham mais volta,
    os sonhos foram despedaçados.
    A vida complicada ficou,
    a ilusão finalmente chegou.

    Carlos de Campos

  • Nós estamos muito cansados


    Nós estamos muito cansados

    O empecilho na estrada
    Nos impede de ver,
    De sentir,
    De existir aqui.

    Tenho o que não preciso,
    A distância me irrita,
    O fôlego diminui,
    Sinto-me exausto.

    Reúno a coragem,
    Coragem para persistir,
    Insistir em continuar respirando.

    Respiro a pureza do existir,
    Da vida que nos faz teimar
    E que nos leva a prosseguir.

    Carlos de Campos
  • Escolhas que precisam ser feitas?


    Escolhas que precisam ser feitas?

    O que me faz sentir?
    O que sinto me faz bem?
    Me traz paz?

    O que sinto me leva a prejudicar alguém?
    Sinto-me ferido pelo que sinto?
    No sentir violento, eu fiquei cego.

    Sou diligente em meu sentir?
    Procuro romper com esses sentimentos violentos?
    Carrego dentro de mim sentimentos desse tipo?

    Move-se dentro de mim esse sentimento?
    No auge de uma discussão, o que eu faço?
    O que eu empunho contra o outro?

    O que me diferencia de um mau caráter?
    Sou hipócrita em que nível?
    Carrego desejo de vingança dentro de mim.

    Os deleites de paz
    precedem a vitória da guerra interior.
    Bom será o dia em que estarei pacificado.

    O que vou escolher?
    Um viver sem controle do meu sentir?
    Ou viver uma vida de verdade?

    Carlos de Campos
    Foto por Steve Johnson em Pexels.com
  • Um coração curado para curar o mundo


    Um coração curado para curar o mundo

    Olhe e observe que existem maneiras pelas quais você pode se beneficiar e, quem sabe, desistir de insistir em ser essa pessoa irritante. Olhe e observe ao seu redor: como chegou a essa solidão? Percebe?

    Impedimento é saber o momento em que se deve parar, usar o bom senso do que já se viveu e dar a si mesmo um pouco mais de tolerância. O que você precisa fazer é ser mais tolerante consigo mesmo.

    Uma pessoa curada é capaz de curar o mundo. Antes, cure o seu amor-próprio; cure como quem cuida do doente mais amado da enfermaria.

    Carlos de Campos
    Foto por Ivan S em Pexels.com
  • O meu sofrimento não me permite elevação


    O meu sofrimento não me permite elevação

    Não bebo a solidão,
    ela é quem me toma,
    me possui em tudo:
    sentido...
    tato...
    olfato...
    paladar...
    Nada está fora do seu alcance.

    Algoz do meu mundo,
    que em medo me enche,
    o que nada desafia
    na fria escrita
    que rompe o silêncio.
    Tempo sombrio.

    Tudo o que faz sentido
    está longe de ser revelado.
    O que faz sentido não se explica:
    observa,
    sente e observa,
    sente até sentido fazer.

    No meu mundo é difícil sentir,
    porque o sentido se desfaz
    na ilusão do meu entendimento.
    Meu caro, devo lhe dizer:
    o Invisível é quem te guia,
    na escuridão ou na iluminação.

    Carlos de Campos
    Foto por Dorran em Pexels.com
  • Dignos da verdade



    Dignos da verdade

    No estandarte do amor
    estão escritas as seguintes palavras:
    não existe glória na covardia,
    no desumano ato de amedrontar.

    É nesse momento
    em que a vida separa
    os homens dignos
    dos ratos covardes.

    E essa é, finalmente,
    a maior glória que alguém pode receber:
    não ser incluído no rol dos ratos,
    dos imundos que habitam o submundo.

    Célebre por ser considerado digno
    de carregar este estandarte,
    digno por dedicar sua vida à transparência,
    digno de caminhar sob o amparo da ética.

    Estandarte dos que lutam por dignidade,
    pela sua e pela dos outros,
    dos que podem dormir com a consciência fria.
    Dignos são todos que assim buscam viver.

    Cante, em uníssono coro,
    o cântico dos mártires,
    dos que derramam todo o seu sangue
    para ser íntegro a todo momento.

    Carlos de Campos
    Foto por Murilo Fonseca em Pexels.com
  • Vejo o que esperava ser



    Vejo o que esperava ser

    Mas até quando coisas assim acontecerão?
    Tudo está envolto em uma névoa,
    um destino desafiado.
    São sete horas da manhã.

    É a essência da vida se revelando,
    conduzindo pela mão,
    mão ferida pelo trabalho duro.
    Cansado, apenas desejo seguir.

    Observo o dia que começa,
    que traz a alegria e as contradições.
    Na vida existem riscos,
    perigos escondidos.

    Olhar atento no caminhar
    que se debruça sobre a existência,
    na mera ocasião
    de uma dor que não tem fim.

    Podemos nos sustentar de improviso?
    A vida é um contínuo improviso?
    Existe vida além do trabalho?
    Trabalho: mentira dita por séculos.

    Insisto em continuar a viver,
    porque a vida é nada além de insistir.
    Um dia o amanhã é belo e exuberante;
    no outro, terrível e assustador.

    Carlos de Campos
    Foto por M Mahbub A Alahi em Pexels.com
  • Dúvidas que pairam no coração e na mente



    Dúvidas que pairam no coração e na mente

    No que devo me apoiar?
    Tudo me parece tão esquisito.
    No que devo recolher a minha atenção?
    Tudo me parece tão desatento.

    Em nada posso confiar.
    Tudo me parece raso demais.
    Estúpido!
    Na profanação desses versos me esqueço.

    O que precisamos entender desta vida?
    O que é profanar os versos inversos?
    Quando chega o ponto em que precisamos rasgar a alma
    e liberar a nossa dignidade?

    O que devo esperar de uma alma libertada?
    Alma que vagueia sem sentido,
    desligada de todas as emoções,
    vagueia assombrada.

    É primavera, as borboletas renascem.
    Conflitos sangram no calor das emoções.
    O silêncio reivindica.
    Tudo se destrói.

    Tudo persiste como um incômodo,
    um inverno em plena primavera.
    É a condição de uma alma presa ao corpo humano,
    humano que profana versos o dia inteiro.

    Carlos de Campos
    Foto por Tima Miroshnichenko em Pexels.com
  • Em meio às frustrações, vale a pena sonhar?



    Em meio às frustrações, vale a pena sonhar?

    Os sonhos são ilusões?
    Ilusões são passageiras?
    Somos iludidos em acreditar?

    Qual é a tua ilusão preferida?
    No RPG da vida, quem você é?
    É vida e sucesso ou destruição e morte?

    É ilusão que jorra de nossas entranhas,
    entranhas contaminadas pelas desinformações,
    pelo ódio gerado por tantas frustrações.

    Frustrações de um mundo que foi confrontado:
    realidade versus o que eu gostaria que fosse.
    O que é a realidade?

    Sonhar, na minha realidade, vale a pena?
    Vale a pena sonhar neste momento?
    Sonho em meio às minhas frustrações.

    Os dias passam cada vez mais lentos,
    cheios de inconclusões,
    desguarnecidos de qualquer juízo.

    É vida miserável,
    é poder e opressão,
    é sonho, realidade e muitas frustrações.

    Carlos de Campos
    Foto por Arshad Sutar em Pexels.com
  • É improvável que seguiremos sem rumo



    É improvável que seguiremos sem rumo

    Desse jeito,
    tudo se esconde,
    nada reflete nada,
    um tira e não volta mais.

    Tudo surge de um instante,
    um instante improvável
    que seguirá sem direção.
    Só seguirá.

    É iminente o fato
    de nada mais fazer sentido.
    Tudo seguirá sem direção,
    sem ocaso.

    Meu sentido pede paz.
    Para se ter paz,
    é preciso lutar,
    e lutar já não quero mais.

    O modo como tudo acontece
    é rápido, e isso me aborrece,
    me tira a razão,
    razão que nem quero mais pensar.

    Improvável que acabe;
    cabe uma decisão:
    a de não olhar para trás
    e seguir, mesmo sem direção.

    Carlos de Campos
    Foto por MART PRODUCTION em Pexels.com