Cometa? Nave? Ou só a natureza seguindo o seu percurso? Na fertilidade de nossas mentes, tudo pode.
Sabemos que pouco sabemos além da obviedade. Sabemos que é um cometa e sabemos que nossa salvação não vem de fora.
Pare e pense. Pare, pense e considere. Pare, pense, considere e reconsidere. Só não leve tudo o que te oferecem.
Que nossas consciências se voltem à razão; que o amor também seja convidado, porque um sem o outro é trágico. É disso que depende a preservação do ser humano.
Ao cometa, desejo uma boa passagem. Aos cientistas, fidelidade à razão. A nós, muito cuidado com o que se lê: que a informação ética prevaleça acima dos cliques.
Carlos de Campos
Cometa 3I/ATLAS
O Hubble capturou esta imagem do cometa interestelar 3I/ATLAS em 21 de julho de 2025, quando o cometa estava a 446 milhões de quilômetros da Terra. O Hubble mostra que o cometa possui um casulo de poeira em forma de lágrima se desprendendo de seu núcleo sólido e gelado.
Crédito da imagem: Imagem: NASA, ESA, David Jewitt (UCLA); Processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI)
Meus sonhos me distanciavam da realidade, me levavam a envolver-me com a magia e com uma guerra que eu tanto temia. Em sonho, eu me agarrava a um único plano para permanecer vivo. Tudo era sinistro, diferente do mundo que eu conhecia. Os passos que eu ousava dar eram passos angustiantes, cheios de incertezas. Tudo era muito instável, mas era preciso prosseguir.
Ondas gigantes se levantaram contra mim, fazendo-me correr ainda mais, sem direção. Correr, correr. Estou cansado, quero voltar à realidade, quero estar acordado e constatar que tudo não passou de um sonho. Um sonho baseado em fatos reais, em fatos ideais, em ideias que não nos fazem avançar e que nos fazem permanecer presos em lodos inconscientes. Diante de tudo isso, eu me desespero.
Estou me afogando, já não sei mais dizer o que é sonho ou realidade, o que parece acaba e continua. É uma guerra repleta de magia e ilusão. São heranças malditas cristalizadas em nossas vidas. É um tempo distante. Procuro entender, interagir com o meu dilema, com o meu pesadelo que mais se apresenta sendo a realidade — uma realidade promíscua que ando vivendo todos os dias.
Ninguém sairá vitorioso dessa batalha. Mercenários da ilusão, De um mundo em contínua submissão, Onde tudo se tornou um fracasso.
Iluminados de autoritarismo Se somam aos ridicularizados. Ninguém estará fora ou dentro Dessa intervenção.
Isolados e com medo, é como estamos: Distantes e próximos de nada, Do amor que eu perdi E, perdendo, me machuquei.
É por dores assim que me movimento. Decepções são como baldes de água fria. Nem todos têm a mesma cabeça para lidar com a situação. Sofrimento: alimento para a alma dos decepcionados.
Distante é como estou. Cada um segue o seu destino, Distinto e, ao mesmo tempo, próximo No sofrimento que nos une como irmãos.
Diante do absurdo, O susto. Meus dias passam atropelando tudo. Eu sinto muito!
Quem é o maior egocêntrico? O que o mundo deve esperar do homem? Do amor que nunca vem? Da ilusão que é a nossa realidade?
Solidão: castigo dos corações apaixonados, Dos amores que nunca foram realizados, Da distância que nunca foi tão próxima, Alma que não soube amar na oportunidade que teve.
Do céu buscam o socorro. Na Terra produzem destruição em massa, Tudo em nome da nobre arte de amar, Das virtudes que são violentadas.
No mundo em que o caos é o imperador, Os soldados são os desesperançados, Forçados ao front de batalha, Sucumbem em êxtase de esperança.
Faz-se ver ao longe, Caminhando entre corpos e escombros, A esperança! Recolhendo os corpos despedaçados.
Limpando as feridas dos sobreviventes, Alimentando a alma dos esfomeados. Quem és tu, bela donzela? Como ousas salvar os meus condenados?
Imersa em solidariedade, Aquela honrada jovem continua o seu trabalho, Doando-se em amor, tempo, esperança e cuidado. Ao longe, ainda se pode ouvir o imperador vociferando.
Palavrões, insultos e ordens de guerra são direcionados, Tudo em uma tentativa em vão de dissuadi-la de sua missão. Nesse momento, nada e ninguém é capaz de movê-la de seus propósitos, Na firmeza de seus passos descalços.
Caminhante nessa vida, Alimenta almas e corpos com o dom sagrado, Com os dois únicos dons capazes de salvar esta humanidade. Cantemos ao amor! Cantemos à solidariedade!
Empenho-me em dissuadi-lo dessa ideia, ideia que não se sustenta mais. E me comprometo a estar ao seu lado, especialmente quando tudo for só ilusão.
Os dilemas são constantes. O ideal é ter estabilidade, ancorar-se em resoluções, no mínimo, palpáveis, interiorizando o que se tem de melhor a oferecer.
Admira-me ver as coisas como estão. Entender o que se passa tornou-se fundamental. A felicidade, hoje, passa por essa compreensão: para quem ou para o quê a sua atenção está voltada?
Fala-se muito e tão pouco se ouve, e, quando se ouve, ouve-se somente o que se deseja. Torna-se difícil a vida dos seletivos, encapsulando-se em um mundo em que não se admitem contradições.
Iludidos — é como estamos. E, por isso, é preciso manter os dois pés no chão, saber lidar com as diversas contradições, contradições que nos permitem evoluir.
Não existe beleza sem defeitos, muito menos verdade pronta e acabada. A vida é uma contínua construção social, em que cada indivíduo oferece o que tem de melhor de si.