Estou cansado e preciso dormir. Estou quase morto; a vida quase não resiste mais. É a vida que passa por entre as mãos. Os olhos cansados estão quase se fechando.
Corpo e mente estão desfalecendo, sucumbem pela força da natureza; estão sem forças para reagir, entregues, não se opõem, apenas confiam na sabedoria da natureza que simplesmente os carrega.
Esta é a nossa oportunidade para nos desapegarmos de nossas ilusões, dessas ilusões que tramam contra nós. Como não se opor a essas ilusões?
Tudo é mergulho profundo, é luta e entrega, é opressão que nos sufoca e que também nos faz ver sentido para resistir, para persistir, enquanto seguimos, seguir para um dia vencer.
De dentro de minhas próprias entranhas, eu me encontro; é como se eu tivesse retornado ao útero materno, estou sendo gestado. É a vida sendo concebida novamente.
Da morte à vida, libertação tardia; libertação tardia também é libertação plena. Não importa quando a libertação chegará, o que importa realmente é que, quando chegar, é preciso estar preparado.
É corrida às cegas, cega como nossa ilusão. Quando percebemos, tudo se foi, foi com a mesma rapidez com que chegou.
Morrer é o caminho natural da vida, de uma vida que insiste na rebeldia, na rebeldia que só reproduz caos, caos de uma vida cega pela ambição.
Não é minha responsabilidade salvar o mundo. O mundo é um ser vivo que sabe se proteger. Cada pessoa sabe sobreviver, e cada escolha tem a sua consequência.
O que aconteceu com a gente? A gente que era gente, e agora somos que tipo de gente? Agentes do caos é o que somos?
O que estamos esperando? Quando retomaremos nosso equilíbrio elementar? A nossa capacidade de nos reorganizar? De investir mais em princípios e menos no caos?
Liberdade é a sensação de leveza. Mesmo diante do caos, se permanece leve. Nas contradições da vida, se mantém em equilíbrio. Na morte, se encontra com a vida.