Nostalgia?
Contemplo um passado,
história que ainda emociona,
o calor do teu abraço.
Carlos de Campos

Nostalgia?
Contemplo um passado,
história que ainda emociona,
o calor do teu abraço.
Carlos de Campos

Beleza que atravessa a alma
Em cada olhar, me vejo
No belo momento em que te encontro.
Estou preso a você.
Bom mesmo é ficar aqui com você.
Momentos como esse
Devem ser eternizados,
Como que emoldurados
De amor que fica em nossas memórias.
Meu amor, te quero.
Quero que, em meus braços, você descanse
E se sinta seguro.
Olhos que me buscam,
Olhos que me amam,
Que, com um beijo, tudo selam.
Carlos de Campos

Ruminar no santuário do coração
Os deleites da alma
transbordam em emoção.
São décadas enclausuradas,
cultivando o amor sagrado
que, sangrando, se faz sozinho.
Carlos de Campos

Um instante passageiro
Me vejo absorto.
Nada parece estável.
Preciso de segurança.
O solo deixa buracos.
No percurso, destilamos ofensas.
Encaramos os nossos próprios medos,
sabendo que, lá no fundo, estamos apavorados.
Precisamos seguir sem demonstrar inquietação.
Lutar é o que dá sentido para a vida.
Internamente, somos tão humanos
que cada passo parece uma longa jornada.
Tentamos dar os passos mais seguros.
Há pior momento do que perder?
Tudo, absolutamente tudo,
no movimento seguinte,
deixamos algo pelo caminho.
Quem, olhando para a própria vida,
quis desaparecer?
Procurou sentido no próprio existir?
Na fadiga que nos envolve?
Não estou vendo uma saída,
se é que existe uma saída.
Um olhar mais detalhista,
um dia de sorte.
Olhei para além do que via
e vi que existia uma saída.
Uma nova chance eu encontrava,
além das minhas possibilidades.
Insisti em reconsiderar,
como se tudo estivesse acabado,
como se os meus desejos não contassem.
Respirei para reconsiderar.
Purifiquei as minhas ideias.
As distrações me perseguiam.
Desejo e sonho ao mesmo tempo.
O que farei agora?
O meu testemunho é verdadeiro.
Lutar para viver é necessário.
É a realidade indagando,
o mundo estreitando.
Um belo sonho estou sonhando,
um canto estou compondo.
Tudo é santo,
como eu sou pecador.
O sonho é verdadeiro
quando sonhar faz total sentido.
No meu viver, não fez.
Não estou sendo pessimista demais?
Meu Deus do céu,
o sol apagou.
Na escuridão da vida,
sigo a minha rotina.
Um breve silêncio ecoou.
Na chama fria da vida se fez,
se fez desejo, sonho e solidão,
se fez a mais pura contradição.
Instante ferido pela morte
não poupou nem a própria sorte.
Nas profundezas de um sortilégio,
sem nenhuma animação.
O que passou, passou.
Sou este instante,
essa lucidez calculada.
Eu sou o tempo perdido.
Leveza abstrata,
sonho fascinante,
um toque.
Tua é a nossa sorte.
Uma cadência pura de razão.
Vê quem está perto,
perto demais para entender
que o momento exige paciência.
Os seus olhos me seduzem,
me revelam detalhes,
detalhes que passam despercebidos
e que são essenciais nesse momento.
Peça batendo cabeça,
sorte contida,
impulsos desprovidos de certezas.
Desistir tornou-se uma opção.
A morte é a minha nova sorte,
é o destino insistindo,
é o preço a se pagar.
Respiro para voltar.
Oh, demasiadamente bizarro,
os desígnios se revelam,
as abstrações tomam formas.
O que vejo é imperdoável.
Resta saber: quem viu?
Quando, estando prestes a saber, soube
que esse seria o movimento certo,
quem não soube compreender?
Os desejos inflamados querem correr.
Cegaram os olhos que nunca viram
além do que lhes era permitido ver,
e, quando viram, já era tarde demais.
Resistir é necessário,
mas qual seria a melhor resposta?
Sem saída,
o fim se aproxima.
Apego-me às soluções improvisadas,
em espantalhos imaginários,
no destino traçado pela sorte
para quem ainda não viu.
O que são esses movimentos,
além de movimentos
de meras incertezas,
sem observações?
Um recuo se faz necessário,
um salto para o escuro.
Sem medo algum, eu sigo o meu destino,
incerto, mas ainda é o meu destino.
Move-se em pleno voo
um pensamento congruente,
um passado absoluto
contando um presente.
Nossa é a vida presente
dos momentos apaixonados.
Um dia é como vemos.
Voar é estar livre.
Carlos de Campos
Poema baseado “Na partida imortal de xadrez do dia 21 de junho de 1851 entre adolf andressen e lionel kieseritzky”

Caio na realidade
Meu ser está vagando.
Minha alma procura conforto,
procura a alegria.
Quando foi a última vez que tive alegria?
Tento dar sentido às coisas.
Carlos de Campos
17090304

Sonhos desajeitados
Sonho em ser amada.
Esse sonho me sufoca.
Sonhar que eu preciso do seu amor…
Você me responde?
Estou feliz durante o dia,
feliz com a minha vida profissional.
Eu preciso admitir:
você faz falta dentro de mim.
Meus sonhos com você me sufocam.
Te quero como essa paixão louca.
Desde o amanhecer, eu te busco.
Me perco em você,
minha inquietude.
Quero renovar as minhas juras de amor por você,
meu instante consumado,
meu desejo perpetuado.
Que tuas mãos me alcancem.
Quem és
que bate à minha porta,
que faz o meu coração acelerar?
Quem és?
Meu sonho,
meu instante de prazer,
meu declínio como mulher,
o amor que tanto desejo.
Carlos de Campos

Meus olhos escondem essa mágoa
Sou casada,
apesar de ser respeitada pelo meu marido.
Eu me sinto infeliz.
Casei-me porque estava grávida.
Casei-me por medo.
Hoje olho para o passado,
me encontro perdida.
Sangro em minha solidão.
Fidelidade a um ex-marido.
Dói tanto me sentir assim.
Sinto-me sozinha.
Vivo de aparências.
Minha vontade é fugir
e recomeçar.
Aí, caio na realidade.
Meu ser está vagando.
Minha alma procura conforto,
procura a alegria.
Quando foi a última vez que tive alegria?
Tento dar sentido às coisas.
Carlos de Campos
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Do movimento à calma
É movimento, é movimento.
A alma também se movimenta.
Fogo incontrolável é movimento,
movimento devastador e contínuo.
O movimento deixa marca
que passa de geração em geração,
e você pode romper com isso,
dar mais freio para esse movimento.
Freie e o deixe parar;
que esse movimento cesse.
Sinta, em seu peito, o movimento parado;
veja o esquecido, empoeirado.
Invista nessa calmaria,
na beleza que ganha novas cores,
no fogo que aquece e não queima,
na vida que te convida a respirar mais fundo.
Veja, sinta dentro de você
a calmaria instalada,
esse delicioso barulho de água,
de água correndo livre.
Que você siga daqui por diante sentindo —
sentimento, sentindo…
sentindo tudo dentro de você:
tranquilidade, cara a cara, surpreendido.
Carlos de Campos

Na medida em que adormeço
É o vento quebrando nas folhas das árvores. É a solidão deitada no vazio, música insistente para a sua mente. Abraço esse sentimento que já é tão meu.
Carlos de Campos
